À procura de novas soluções para reforçar a defesa anti-drones, perante o que foi um consumo elevado e reservas reduzidas de mísseis MICA durante operações no Médio Oriente, a Força Aérea Francesa realizou os seus primeiros ensaios com mísseis Hellfire para abater sistemas não tripulados. De acordo com a informação divulgada pela instituição, os testes ocorreram a 2 de abril e tiveram lugar no campo de tiro da Île du Levant (Var), onde é referido que foi possível certificar a capacidade do míssil para cumprir esta nova missão.
Ensaios com Hellfire: supervisão da DGA e apoio do CEAM
O processo contou com a supervisão da Direção-Geral do Armamento (DGA) e com o apoio do Centro de Experiência Aérea Militar (CEAM), entidades que também validaram o êxito dos testes. Importa igualmente notar que foi utilizado um drone MQ-9 Reaper para lançar o míssil Hellfire contra outro drone não especificado - um objetivo para o qual foi desenvolvido trabalho ao longo de três meses, período durante o qual este armamento foi integrado no arsenal da força.
Reaper e defesa aérea de longo alcance: o novo papel na missão anti-drones
A propósito deste marco, a Força Aérea Francesa assinalou nos seus canais oficiais:
“Esta melhoria das capacidades, fruto do trabalho das equipas da 33.ª Ala de Vigilância, Reconhecimento e Ataque (ESRA) na Escola de Armamento do CEAM, sublinha o espírito pioneiro da Força Aérea Francesa. Marca uma nova etapa na construção de uma defesa aérea integrada e multicamada, e reforça as capacidades existentes de defesa aérea de longo alcance (LAD) da Força Aérea (Rafale, Fennec, sistemas de mísseis terra-ar e, em breve, drones). O Reaper, capaz de intercetar ameaças a baixa e média altitude, mantendo simultaneamente uma vigilância constante graças à sua grande autonomia e aos seus sensores de alta definição, é agora um elemento-chave da defesa aérea de longo alcance.”
Razões para procurar alternativas aos mísseis MICA no Médio Oriente
Tal como referido no início, a instituição demonstra um forte interesse em obter diferentes alternativas para contrariar ataques levados a cabo por sistemas não tripulados. Esse interesse intensificou-se após a utilização continuada de mísseis ar-ar MICA para abater drones iranianos lançados contra vários aliados da França no Médio Oriente, com destaque para a defesa dos Emirados Árabes Unidos. Para além das preocupações com os stocks disponíveis no futuro, isto implica ponderar a necessidade de soluções mais eficientes para neutralizar drones de baixo custo.
Esta é, aliás, uma questão partilhada por outros aliados ocidentais, como evidencia o facto de os Estados Unidos terem recorrido, para este fim, a foguetes guiados AGR-20F APKWS II.
Outras soluções francesas: PROTEUS, GOBI, Destinus Hornet e o Tiger
Na mesma linha, é relevante mencionar que a França está a desenvolver uma nova variante do sistema antiaéreo PROTEUS, que integra um canhão de 20 mm num veículo blindado, com o objetivo de assegurar cobertura anti-drones de curto alcance. Em paralelo, Paris avalia os novos drones intercetores GOBI e Destinus Hornet, com alcances respetivos de 5 e 70 quilómetros, procurando assim constituir uma rede de defesa multicamada.
Outra alternativa disponível, com vista a soluções mais rentáveis, passa pelo uso do canhão de 30 mm do helicóptero EC665 Tiger, que também demonstrou eficácia nesta missão durante os combates das últimas semanas.
Créditos das imagens: Força Aérea Francesa
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