Quase um ano depois de a empresa alemã Helsing ter anunciado o arranque da produção de 6.000 drones HX-2, a Ucrânia e a Alemanha terão optado por interromper a sua aquisição após surgirem novos dados de testes em combate. Segundo essas informações, os sistemas não tripulados terão evidenciado fragilidades face à interferência provocada pelas defesas russas. A notícia foi avançada pela Bloomberg, que refere que fontes militares alemãs fizeram uma apresentação onde foram elencados os problemas detectados durante os ensaios, numa sessão conduzida pelo general Gunter Schneider.
Testes em combate e problemas apontados no HX-2
De acordo com o relatório alemão, o HX-2 revelou dificuldades distintas em manter a ligação ao operador humano na base quando entrava em zonas cobertas por equipamento russo de guerra electrónica. Essa perda ou degradação de ligação teria, por sua vez, comprometido o seu emprego contra alvos com a precisão pretendida.
Ainda segundo o documento, foi também identificado que o modelo parecia não dispor, na prática, dos sistemas de inteligência artificial anunciados pelo fabricante. Esses sistemas deveriam assumir a pilotagem quando o operador perdesse temporariamente a conexão, o que, a confirmar-se, reduziria ainda mais a capacidade de actuação do drone na linha da frente.
Ambos os aspectos terão sido observados nos testes conduzidos pelo 14.º Regimento da Ucrânia, uma unidade especializada no emprego de drones. A unidade ucraniana partilhou as suas experiências com os seus homólogos alemães, que, posteriormente, elaboraram o referido relatório.
Resposta da Helsing e dados de descolagem
Como seria expectável, a apresentação motivou uma reacção rápida da Helsing. Porta-vozes da empresa rejeitaram de forma categórica que os drones tenham apresentado as falhas descritas. Entre as declarações divulgadas, a empresa afirmou: “A taxa de impacto dos primeiros voos, documentada oficialmente, é encorajadora. Confiamos que o desempenho dos testes do HX-2 se traduzirá em uma alta taxa de impacto também no campo de batalha, inclusive em condições de guerra eletrônica.”
A Helsing acrescentou que diferentes unidades do Exército Ucraniano já teriam mostrado interesse em adquirir estes drones. Em paralelo, foram também tornados públicos dados que indicariam um nível preocupante de falhas na fase de descolagem: apenas 25% dos drones avaliados em combate teria conseguido fazê-la correctamente. Neste ponto, operadores ucranianos apontaram problemas mecânicos no sistema de catapulta usado para o lançamento, mas a Helsing voltou a negar a ocorrência, argumentando que grande parte dos drones enviados até ao momento já foi empregue na linha da frente.
Posição do Ministério da Defesa alemão
Do lado do Ministério da Defesa alemão, um porta-voz, em resposta a perguntas da Bloomberg, negou que o relatório tivesse sido revisto e aprovado antes da apresentação recente. Adicionalmente, o ministério recusou a possibilidade de o general Schneider ser entrevistado, o que levantou dúvidas sobre se a versão apresentada corresponde a uma posição verdadeiramente consensual.
Ainda assim, fontes familiarizadas com o sistema na Alemanha terão indicado que se decidiu não avançar com a compra até que os HX-2 correspondam ao interesse das tropas ucranianas. A partir de Kiev, por seu turno, terá sido dito que o tema é uma questão classificada.
Antecedentes com outros drones (HF-1, Ghost e Altius)
Por fim, importa sublinhar que estes não seriam os primeiros sistemas não tripulados a registarem problemas iniciais que se traduziram em baixas taxas de eficácia em combate, tanto para o fabricante alemão como para concorrentes internacionais.
Neste contexto, é útil recordar que os drones HF-1, também da Helsing, já tinham sido alvo de críticas devido ao custo elevado face ao desempenho, embora Kiev tenha decidido incorporar até 4.000 exemplares. Um outro caso ilustrativo é o dos drones Ghost e Altius, desenvolvidos pela Anduril, que, nas fases iniciais da guerra, apresentavam uma taxa de impacto de apenas 10%, tendo o fabricante já afirmado estar a trabalhar em modificações para reforçar a sua resistência.
Imagens usadas a título ilustrativo
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