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Toyota Mirai e a pilha de combustível a hidrogénio: 200 mil veículos até 2030

Carro desportivo branco futurista Toyota Mirai H2 numa sala com painéis de vidro e turbina eólica ao fundo.

Os veículos elétricos com pilha de combustível a hidrogénio (FCEV, isto é, veículos elétricos a pilha de combustível) têm sido uma das grandes apostas da Toyota como alternativa aos elétricos a bateria e como parte do caminho para a neutralidade carbónica.

Toyota Mirai: vendas e o bloqueio da rede de hidrogénio

Ainda assim, os dados falam por si: o Mirai, a berlina elétrica a pilha de combustível a hidrogénio da Toyota, somou apenas 3924 unidades vendidas em todo o mundo em 2022. E, embora em 2023 esteja a apresentar um desempenho superior, continua muito longe de ajudar a marca a cumprir a meta de vender, todos os anos, 200 mil veículos a pilha de combustível até 2030.

O diretor técnico da Toyota, Hiroki Nakajima, reconheceu estes resultados bastante abaixo do esperado em declarações à britânica Autocar, durante o Salão de Tóquio deste ano:

“Tentámos, mas o Mirai não tem sido bem sucedido”
Hiroki Nakajima, diretor técnico da Toyota

Para Nakajima, a explicação para o insucesso desta grande berlina está sobretudo na fragilidade da infraestrutura: “há poucas estações de hidrogénio e são difíceis de concretizar, por isso, o Mirai é pequeno (em volume)”.

Reorientar esforços

Apesar da fraca prestação comercial, a Toyota não pretende abandonar a tecnologia da pilha de combustível a hidrogénio. Assim, o construtor japonês optou por redirecionar o desenvolvimento para os veículos comerciais.

E não está sozinho nesta leitura do mercado: há outros grupos que também consideram que os comerciais e os pesados de mercadorias são o terreno mais lógico para esta tecnologia - Hyundai e Stellantis são dois exemplos.

As razões são relativamente claras. Por um lado, deixa de ser necessário carregar os veículos com baterias dispendiosas, pesadas e volumosas. Por outro, como estes veículos tendem a operar em percursos previsíveis, torna-se mais viável desenhar uma rede de abastecimento mais eficiente.

Hidrogénio em camiões e carrinhas de caixa aberta

Nakajima acrescenta um argumento operacional a esta ideia: “Para os camiões de tamanho médio é mais fácil conseguir uma rede de abastecimento, já que são sobretudo viagens do ponto A ao B. Um grande número de camiões vão de A a B e por isso as estações de abastecimento podem operar com maior estabilidade”.

Daí que sublinhe que “os veículos comerciais são a área mais importante para experimentar e prosseguir com o hidrogénio”. E aponta também para um possível espaço da pilha de combustível a hidrogénio em carrinhas de caixa aberta, como sugere o protótipo já revelado da Hilux.

China e Europa aceleram a aposta no hidrogénio

Em paralelo, China e Europa estão a intensificar o investimento em hidrogénio com foco na descarbonização do transporte de mercadorias. No caso da União Europeia, a meta passa por instalar uma estação de abastecimento de hidrogénio gasoso a cada 200 km na TEN-T (rede de transporte transeuropeia) até 2031.

Tecnologia sempre a evoluir

A segunda geração do Mirai significou um avanço relevante na tecnologia de pilha de combustível dentro da Toyota, mas a evolução não parou.

A marca diz estar a trabalhar numa nova geração de pilha de combustível a hidrogénio com especial atenção aos veículos comerciais. Segundo a Toyota, esta nova solução terá um custo reduzido para metade face à atual e aumentará a durabilidade em 2,5 vezes relativamente à de um motor a gasóleo. Além disso, promete ser 20% mais eficiente, o que deverá traduzir-se em menores custos de abastecimento - um aspeto determinante na exploração de veículos comerciais.

Com base nesta nova pilha de combustível, a Toyota afirma estar também a desenvolver outra unidade com metade do tamanho. Isso mantém em aberto a hipótese de, no futuro, voltar a equipar automóveis ligeiros de passageiros, bem como outras máquinas usadas na construção e na medicina.

Além da pilha de combustível em si, a Toyota está igualmente a criar novos depósitos de hidrogénio, afastando-se do formato cilíndrico atual (em fibra de carbono e com capacidade para suportar 700 bar de pressão). A intenção é otimizar a utilização do espaço, reduzindo a área ocupada no veículo.

A Toyota refere já ter chegado a duas soluções: depósitos planos e depósitos em “sela”. Estes últimos permitem a passagem de um veio de transmissão por cima e estão a ser desenhados para ocupar diretamente o espaço que, num automóvel elétrico, seria destinado à bateria.

Será desta vez que a estratégia da Toyota com a pilha de combustível a hidrogénio irá resultar? A fasquia de 200 mil veículos por ano a pilha de combustível até 2030 já é praticamente «amanhã».

Entretanto, também os elétricos a bateria parecem estar a atravessar dificuldades, com sinais de abrandamento da procura - algo que Akio Toyoda, antigo diretor executivo da Toyota e atual presidente não executivo, fez questão de salientar.

Fonte: Autocar


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