"Bate-me forte e suave - A digressão ao vivo em 3D", filme-concerto assinado por James Cameron e pela estrela pop Billie Eilish, afirma-se como um verdadeiro momento artístico. O JN marcou presença na antestreia.
Da união entre um dos realizadores mais influentes do cinema e uma das artistas pop mais distinguidas do presente só poderia nascer algo simultaneamente rigoroso no som e arrebatador no olhar. "Billie Eilish: Bate-me forte e suave - A digressão ao vivo em 3D" não se limita a registar um espetáculo nem a abrir uma janela para os bastidores: em 3D, transforma-se num grande evento cinematográfico que expõe, com clareza, a visão de uma jovem de 24 anos já convertida em símbolo geracional.
James Cameron e "Billie Eilish: Bate-me forte e suave - A digressão ao vivo em 3D"
A certa altura, James Cameron, realizador oscarizado de 71 anos e responsável por filmes como "Titanic" e "Avatar", além de ter ajudado a reinventar o 3D no cinema, deixa a Billie Eilish uma frase que resume bem a dinâmica criativa entre ambos: "No final, os créditos deviam mostrar "realizado por Billie Eilish, com James Cameron por baixo"" - no ecrã, acabou por surgir precisamente o contrário.
Bastidores da digressão em Manchester (2025)
A conversa acontece durante a preparação do concerto da última digressão, em Manchester, no Reino Unido, em 2025. Enquanto se afinam detalhes antes de subir ao palco, a autora de "Olhos de oceano" dispara sugestões ao cineasta: ideias de captação, ângulos improváveis e sítios onde ainda valeria a pena enfiar uma câmara.
É precisamente aqui que o filme se torna mais revelador: mostra uma Billie Eilish meticulosa e imaginativa, sensível e incansável na procura da melhor experiência para quem a segue. E, de acordo com a própria, a decisão de partilhar a realização com Cameron partiu do realizador - tão marcado pela visão artística da cantora que fez questão de a ter como codiretora.
Eilish é fã de si mesma
"Tento ser a artista da qual seria fã", afirma a cantora, que já soma dez Grammys e dois Oscars, insistindo que a sua bússola continua a ser a paixão pela música e a forma como esta a atravessa. É também essa energia que devolve aos seguidores, como se percebe nas entrevistas aos fãs, muitos deles a atribuírem-lhe um papel de "salvadora".
A esse impacto junta-se outra dimensão essencial: a tentativa consciente de reforçar a imagem de uma mulher que entra em cena sem bailarinos, sem figurinos vistosos e sem coreografias provocantes, fiel a uma estética livre. Inspirada por artistas que, enquanto crescia, enchiam palcos apenas com presença e garra, lança a pergunta: "por que não podia uma mulher fazer também aquilo?".
Emoção em alta definição
O espetáculo que chega agora às salas de cinema foi captado com 17 câmaras 3D de nova geração e destaca-se pelo ritmo, pela fluidez e por uma definição sonora que dá a sensação de o público estar dentro do recinto, entre a artista e a multidão.
O alinhamento atravessa os vários discos da cantora: temas carregados de emoção como "Chihiro", "Pássaros da mesma pena" ou "Flor selvagem" alternam com um registo documental de bastidores, cheio de momentos raros. Vemos - e quase sentimos - a escalada de nervos antes do concerto, o alívio quando tudo termina e o desabafo entusiasmado de "literalmente adoro isto!", enquanto os fãs acenam ao carro que a leva e admitem a comoção. "Acho que nunca chorei tanto num filme", comentou uma espetadora na antestreia acompanhada pelo JN.
Como experiência musical e cinematográfica levada ao máximo, "Billie Eilish: Bate-me forte e suave - A digressão ao vivo em 3D" sublinha a singularidade da centelha pop e punk de Billie Eilish: vulnerável e poderosa, capaz de encher um palco apenas com garra e verdade - à semelhança dos artistas que sempre admirou.
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