JN KIDS - Constança e Frederico Azevedo são irmãos, ambos guarda-redes naturais de Santiago do Cacém, e vivem o futebol com uma dedicação fora do comum: todas as semanas somam milhares de quilómetros entre treinos e jogos. Apesar de seguirem percursos diferentes, partilham a mesma referência na baliza: Rui Patrício.
No Alentejo, em Santiago do Cacém, Constança tem 19 anos e defende as cores do Racing Power, enquanto Frederico, de 16, joga no FC Barreirense. Para conseguirem treinar e competir, a família desloca-se regularmente até Águas de Moura e ao Barreiro - duas localidades a mais de 130 quilómetros de casa.
Pontapé de saída no Euro 2016
A ligação mais séria ao futebol ganhou força em 2016, ano em que Portugal conquistou o Campeonato da Europa, em França. Frederico lembra o início do seu caminho: "Aos seis anos, fui jogar para o clube aqui da terra, o União Sport Clube, onde estive sete anos. Acabei por ir para o Barreirense, há dois".
Já Constança entrou no jogo noutra posição, começou por actuar "à frente" e continuou a evoluir no Estrela de Santo André. Mais tarde, avançou para um projecto próprio e montou "uma equipa de futebol feminino em Santiago do Cacém, que durou dois anos". Depois dessa experiência, passou por uma equipa em Setúbal e acabou por chegar aos sub-19 do Racing Power.
A rotina semanal
Durante a semana, os treinos acontecem quatro vezes, divididos entre Águas de Moura (distrito de Setúbal) e o Barreiro. A logística familiar obriga a uma organização apertada. Constança descreve como se preparam: "Temos de fazer o jantar por volta das quatro, cinco horas da tarde. Saímos e vamos para cima, com o jantar numa marmita".
O trajeto faz-se com a ajuda da mãe, Angélica, que gere as duas deslocações: "A minha mãe deixa-me em Águas de Moura e vai levar o Frederico ao Barreiro". No regresso, a rotina é tão exigente que, como conta Angélica, a filha chega a pôr o pijama logo depois do banho "para vir a dormir um bocadinho".
Mil euros em gasóleo
Angélica Azevedo não esconde o peso financeiro deste esforço semanal: "Todos os dias ponho 50 euros de combustível. São 320 quilómetros, sensivelmente, cinco vezes por semana".
O fim de semana mais intenso em distância ficou bem marcado na memória da família. A mãe recorda a dupla jornada em locais diferentes: "O Frederico tinha jogo em Paços de Ferreira e a Constança nas Caldas da Rainha. Eu e o Guilherme dormimos no norte e o pai foi com os outros dois para as Caldas, pernoitar em Óbidos. O Frederico jogou de manhã, arrancámos e ainda conseguimos ver o jogo da mana nas Caldas da Rainha".
Futuro pode passar pelos EUA
Constança, que já concluiu o 12.º ano, pode vir a dar o próximo passo fora de Portugal, com uma hipótese ligada à liga norte-americana. Angélica explica como surgiu essa possibilidade: "Há uma plataforma, a Next Level, e já entraram em contato. Há algumas propostas interessantes para ir estudar para os Estados Unidos".
Frederico, por sua vez, está no 10.º ano e tem conciliado a exigência do futebol com a escola. A mãe destaca o percurso académico do filho: "Tem feito sempre parte do quadro de mérito de excelência. Digo isto com muito orgulho!".
Os ídolos e os elogios
Como é habitual, também eles têm referências no futebol. Frederico aponta claramente a sua escolha: "O meu é o Rui Patrício, porque era o guarda-redes da seleção quando comecei a jogar". Constança concorda quanto à baliza, embora tenha outro nome como favorito no ataque: "O meu jogador favorito é o Neymar, mas o guarda-redes preferido também é o Rui Patrício".
Rodrigo Encarnação, responsável pela página Universo Distrital, deixa palavras de reconhecimento ao trajecto dos dois irmãos. Para o gestor, a diferença está no perfil competitivo e na consistência: "No distrital há muito talento, mas o que os diferencia é a mentalidade e a regularidade". E sublinha ainda que "o facto de conseguirem manter rendimento mesmo com deslocações longas diz muito sobre o compromisso que ambos têm com o futebol".
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário