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Formou-se uma nova cratera de 225 metros na Lua, que pôde ser estudada antes e depois do impacto.

Mulher cientista analisa imagens digitais de um corpo celeste com crateras em vários ecrãs num laboratório.

Um raro acontecimento na Lua permitiu, pela primeira vez, obter imagens detalhadas de uma grande cratera antes e depois da sua formação e aperfeiçoar os modelos de impacto

A superfície da Lua é um registo de colisões acumulado ao longo de cerca de quatro mil milhões de anos. Ao contrário da Terra, aqui não existem atmosfera, água nem vento para suavizar o relevo: cada embate de um corpo cósmico mantém-se praticamente inalterado. Meteoroides de vários tamanhos atingem a superfície lunar todos os dias, mas conseguir registar directamente estes eventos é extremamente raro.

Na primavera de 2024, ocorreu na Lua um desses acontecimentos pouco comuns. Um corpo celeste, a deslocar-se a grande velocidade, abriu uma cratera com 225 metros de diâmetro - aproximadamente o comprimento de dois campos de futebol colocados um atrás do outro. Graças à câmara da sonda orbital Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO), os cientistas puderam comparar imagens da mesma zona da superfície antes e depois da colisão.

Até então, a maior cratera identificada ao longo de toda a missão do LRO como «recente» tinha apenas cerca de 70 metros de diâmetro. A nova formação é mais de três vezes maior. Segundo as estimativas dos modelos, impactos deste tipo ocorrem, em média, na mesma área da superfície lunar uma vez a cada 139 anos, pelo que observar um evento destes pouco depois de se formar é considerado uma sorte rara.

A cratera apresenta uma forma em funil e atinge cerca de 43 metros de profundidade. Em redor da borda ficaram espalhados grandes fragmentos de material expelido, sendo os maiores de cerca de 13 metros de diâmetro.

A distribuição dos ejecta permitiu determinar a direcção do impacto: o objecto veio de sul-sudoeste, perfurou a superfície e lançou material sobretudo para norte, criando um padrão característico.

No interior da cratera foram detectadas zonas de material invulgarmente escuro. Com elevada probabilidade, trata-se de rocha vítrea formada pelo derretimento instantâneo provocado pelas temperaturas extremas do impacto, seguido de um arrefecimento muito rápido. Trata-se de uma prova directa da enorme energia libertada em fracções de segundo.

A principal importância da descoberta está nos dados de observação únicos. Pela primeira vez, os cientistas obtiveram imagens de uma cratera deste tamanho com resolução métrica, tanto antes como depois da sua formação. Este conjunto de dados permite testar e refinar os modelos de formação de crateras de impacto - não só na Lua, mas também noutros corpos do Sistema Solar.

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