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Eurofighter Typhoon no exercício DORAMAS em Ceuta
O sobrevoo de caças Eurofighter do Exército do Ar e do Espaço sobre Ceuta, a 22 de abril de 2026, foi recebido com visível desconforto por órgãos de comunicação social de Marrocos, apesar de, em Espanha, ter sido apresentado como uma acção de instrução e treino. De acordo com o Exército de Terra, a actividade - designada exercício “DORAMAS” - envolveu dois C-16 Eurofighter da Ala 11 de Morón, em cooperação com o Grupo de Artilharia Antiaérea II/30 do Regimento Misto de Artilharia nº30 (RAMIX-30). Segundo a explicação oficial, pretendia-se treinar capacidades de projecção, controlo do espaço soberano, integração na defesa e resposta perante ameaças aéreas.
Antes da realização do exercício, informação local já tinha indicado que este decorreria entre as 8:00 e as 14:00 horas, sem fogo real e sem perigo para a população. Na linha do que foi divulgado pela Comandância-Geral de Ceuta, a acção enquadrava-se numa rotina de acompanhamento de aeronaves e de coordenação entre unidades terrestres e meios aéreos. Ainda assim, a utilização de dois Eurofighter Typhoon numa cidade fronteiriça com Marrocos foi interpretada de forma hostil por parte da imprensa marroquina.
O Typhoon é o principal caça de superioridade aérea do Exército do Ar e do Espaço. Com base nisso, meios marroquinos sustentaram que a actividade procurava transmitir uma mensagem de demonstração das “capacidades militares e tecnológicas dissuasoras”.
Reacção dos meios de comunicação de Marrocos
O reconhecido meio marroquino Hespress noticiou, em 22 de abril, que o emprego dos Typhoons sobre o “território ocupado” de Ceuta teria como finalidade evidenciar a capacidade de Espanha para “controlar e defender o espaço aéreo da cidade a um alto nível”. Outros órgãos, como o Perspectivesmed, leram o exercício sobre os “céus marroquinos” como uma iniciativa destinada a mostrar uma capacidade espanhola de reacção imediata na defesa da “cidade ocupada de Ceuta”.
Importa referir que Ceuta, Melilha e as praças de soberania espanhola no norte de África não constam do sistema de descolonização das Nações Unidas, apesar de Marrocos as caracterizar como territórios “ocupados” ou “coloniais” e de ter tentado activar essa via através de uma carta ao Comité Especial de Descolonização em 1975.
Defesa antiaérea do RAMIX-30 e ambiente estratégico
Ao voo dos caças juntou-se a intervenção de meios terrestres de defesa antiaérea do RAMIX-30, entre os quais canhões Oerlikon35/90, mísseis Mistral, direcções de tiro Skydor e sistemas de comando e controlo. Deste modo, a manobra passou a ter a dimensão de um escudo aéreo completo sobre a cidade.
A desconfiança espelhada na imprensa marroquina surge num quadro de maior sensibilidade estratégica em torno das cidades espanholas no norte de África. Em março deste ano, o meio marroquino Yabiladi deu conta do reforço militar espanhol em Ceuta, associando-o ao processo de modernização militar de Marrocos. Além disso, pouco antes do início do DORAMAS, o mesmo meio divulgou a preocupação existente em círculos estratégicos espanhóis relativamente ao aumento da influência de Rabat sobre o Estreito e à vulnerabilidade dos portos de Ceuta e Melilha.
Embora as autoridades espanholas tenham enquadrado o sobrevoo como uma actividade normal de treino e coordenação antiaérea, a utilização do principal caça de superioridade aérea do Exército do Ar e do Espaço projecta também uma mensagem clara de presença, dissuasão e capacidade de defesa da soberania nacional e da integridade territorial perante um vizinho que aparenta manter aspirações irredentistas sobre território espanhol.
Fotografias usadas apenas a título ilustrativo.
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