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TCG Anadolu e o futuro porta-aviões MUGEM: a ascensão da indústria naval da Turquia

Avião não tripulado e veículos militares numa embarcação naval ao pôr do sol no mar.

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A indústria naval de defesa da Turquia

Apesar de, actualmente, a indústria de defesa turca ser amplamente reconhecida a nível mundial pelo desenvolvimento e fabrico de drones de vários tipos e capacidades, bem como por uma sólida base aeroespacial, o país dispõe igualmente de uma indústria naval de grande destaque e em clara afirmação. Se, no passado, a prioridade esteve centrada na construção de navios militares para a Marinha da Turquia, hoje essa capacidade já se estende também a encomendas destinadas a outros países.

Em paralelo com a produção de navios-patrulha, corvetas, fragatas e submarinos, o principal “embaixador” desta competência turca no mar é o TCG Anadolu, um navio de assalto anfíbio que funciona como a principal plataforma de projecção estratégica e porta-aeronaves do país.

TCG Anadolu: base no Juan Carlos I e adaptações de projecto

Embora assente no Juan Carlos I da Armada Espanhola e desenvolvido em cooperação com a Navantia, o estaleiro Sedef - responsável pela construção, determinada pelo Governo turco em junho de 2015 - implementou ajustes e melhorias com vista à operação de uma futura Ala Embarcada mista, composta por aeronaves tripuladas e não tripuladas.

Inicialmente, o principal vector de combate previsto seriam os F-35B de origem norte-americana. Contudo, a exclusão da Turquia do programa, na sequência da aquisição dos sistemas antiaéreos S400 à Rússia, alterou essa composição, levando a que a solução passasse a assentar numa família de aeronaves não tripuladas de asa fixa.

Ala embarcada: Bayraktar TB3, Bayraktar Kızılelma e helicópteros

Por esse motivo, e após a entrada ao serviço em abril de 2023, o navio - com mais de 27 mil toneladas - tem como principal meio de asa fixa os drones Bayraktar TB3, uma versão navalizada e embarcada derivada do TB2, da empresa turca Baykar. Ainda assim, e tal como já foi confirmado, a configuração ski-jump do Anadolu permitirá, num futuro próximo, operar drones navais de maior complexidade, como o Bayraktar Kızılelma.

A ala embarcada do porta-aeronaves é ainda reforçada por helicópteros tripulados, incluindo os S-70B, destinados a missões de transporte e guerra anti-submarina, e os AH-1W SuperCobra, empregados em tarefas de ataque, escolta e cobertura das forças projectadas a partir do navio.

Este ponto é particularmente relevante: embora a atenção se tenha concentrado na sua capacidade de projectar aeronaves não tripuladas, a Marinha da Turquia mantém igualmente presente que o Anadolu é, acima de tudo, uma plataforma de projecção naval sustentada por componentes de Infantaria de Marinha.

Projecção anfíbia, transporte e autoprotecção: FNSS e ASELSAN

Dessa forma, no interior do navio existe capacidade para transportar militares totalmente equipados - cerca de 550 a 700 infantes - recorrendo ao emprego de veículos de assalto anfíbio. É também aqui que se evidencia o nível de maturidade e de complementaridade da indústria de defesa turca, uma vez que o Anadolu está a ser equipado com os novos Veículos de Assalto Marítimo (MAV) da empresa turca FNSS.

Além disso, para movimentar viaturas blindadas - como carros de combate ou veículos blindados sobre rodas - o navio dispõe da capacidade de operar lanchas de desembarque.

Como referido anteriormente, o TCG Anadolu ilustra de forma clara a integração entre várias empresas do complexo industrial turco. A título de exemplo, no capítulo da autoprotecção, os sistemas de defesa de curto alcance Phalanx CIWS são complementados por estações de armas remotas de 25 mm e 12,7 mm fornecidas pela ASELSAN, concretamente o SMASH 200/25 e o STAMP, respectivamente.

O Programa MUGEM e o futuro porta-aviões da Marinha da Turquia

Por fim, apesar de se ter antecipado o arranque da construção de um navio gémeo do TCG Anadolu, neste momento não existem indicações mais precisas sobre se esse processo começou. A explicação para este cenário encontra-se no avanço da construção do futuro porta-aviões da Marinha da Turquia, enquadrado no Programa MUGEM, que exigirá ao país um investimento significativo em recursos humanos, técnicos e industriais.

De acordo com os relatórios mais recentes, o Governo turco afirmou que a botadura do MUGEM está prevista para 2028, depois de a construção ter sido iniciada em 2025. O navio, com um deslocamento aproximado de 60 mil toneladas, terá uma ala embarcada mista; por isso, as lições obtidas com o TCG Anadolu - tanto ao nível da doutrina como do desenho e das melhorias - serão, com elevada probabilidade, aplicadas no futuro porta-aviões.

  • Agradecimentos à Marinha da Turquia e ao pessoal do TCG Anadolu.

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