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Coreia do Norte lança cinco mísseis balísticos de curto alcance com munições de fragmentação sob supervisão de Kim Jong-un

Líder norte-coreano e militares observam lançamento de mísseis a partir de uma base naval.

No quadro de ensaios recentes acompanhados de perto pelo líder Kim Jong-un, as Forças Armadas da Coreia do Norte procederam ao lançamento de cinco mísseis balísticos de curto alcance para o Mar do Japão, chamando a atenção por estarem equipados com munições de fragmentação. De acordo com a informação disponível, tudo aponta para que se tratasse de mísseis designados localmente como “Hwasongpo-11-Ra”, colocados agora à prova sobretudo quanto à capacidade de dispersão da carga transportada e ao impacto destrutivo daí resultante.

Testes dos mísseis Hwasongpo-11-Ra em Sinpo

Conforme os pormenores avançados pelos meios estatais norte-coreanos, os disparos ocorreram no último domingo e tiveram como ponto de partida a cidade costeira de Sinpo. Com a intenção de medir o desempenho, os mísseis foram lançados em direcção a leste, visando um alvo insular situado a cerca de 136 quilómetros. A acompanhar a notícia com imagens dos testes - as primeiras a serem divulgadas por Pyongyang relativamente a estes mísseis - foi ainda indicado que as Forças Armadas conseguiram confirmar o funcionamento das armas numa área de 12,5 hectares.

Entre as figuras que assistiram às actividades contaram-se altas patentes norte-coreanas, incluindo o general Jang Chang Ha, na qualidade de director-geral da Administração de Mísseis, e Kim Jong Sik, membro da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, além de outros generais do Exército da Coreia do Norte. Depois de observar os ensaios com estes novos mísseis dotados de munições de fragmentação, Kim Jong-un afirmou que os sistemas testados demonstraram com êxito o seu poderio e determinou que as equipas de cientistas prossigam o avanço no desenvolvimento de tecnologias semelhantes.

Reacções da Coreia do Sul e dos Estados Unidos

Do lado sul da zona desmilitarizada, as autoridades sul-coreanas referiram que os seus sistemas acompanharam de perto a trajectória dos mísseis lançados pelo vizinho do Norte. Em simultâneo, reiteraram que se tratam de testes que, sem margem para dúvidas, violam as diversas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que proíbem Pyongyang de continuar a recorrer a mísseis balísticos. Por entenderem que o acto contribui para agravar as tensões regionais, as autoridades em Seul pediram que se abandone este tipo de “provocações”. A partir dos Estados Unidos, foi dito que o lançamento não foi encarado como uma ameaça imediata para as suas forças ou para as dos seus parceiros.

Contexto: testes anteriores e importância de Sinpo

Importa assinalar que estes não foram os primeiros ensaios, em Abril, com mísseis equipados com munições de fragmentação realizados pela Coreia do Norte - o que ajuda a explicar as preocupações sul-coreanas. Em concreto, está em causa o teste do dia 8 deste mês, quando as Forças Armadas lançaram um exemplar antigo ao qual foi instalada este tipo de ogiva. Ao contrário do que sucedeu agora, os meios estatais não tinham divulgado imagens que documentassem esses testes, nem foi referido que o líder Kim Jong-un tivesse estado presente.

Por último, é igualmente relevante notar que a cidade escolhida para estes lançamentos já vinha a ser seguida pela inteligência sul-coreana antes mesmo de os testes ocorrerem. Na leitura da Coreia do Sul, Sinpo é um dos principais bastiões da indústria de defesa norte-coreana, sobretudo por ser uma cidade portuária onde decorrem trabalhos de modificação e construção de submarinos ao serviço da marinha do país vizinho, meios esses com capacidade para lançar mísseis balísticos.

Créditos das imagens: KCNA

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