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Honda CR-V Hybrid: o regresso à Europa dos híbridos da Honda

Honda CR-V híbrido branco visto de frente num estúdio com fundo branco.

O mercado europeu voltou a ter um híbrido Honda com verdadeiro peso: o novo CR-V Hybrid. Além de marcar o regresso da marca japonesa a esta tecnologia no Velho Continente, é também o primeiro SUV híbrido da Honda a ser comercializado na Europa.

E quando falamos em “regresso”, não é figura de estilo - a Honda já anda nisto há muito. Muitos irão lembrar-se do Insight, um familiar compacto que juntava um pequeno motor a gasolina a um motor elétrico para baixar consumos e melhorar a eficiência.

A primeira geração do Insight foi revelada em 1999 e seria a primeira e futurista proposta da Honda a casar hidrocarbonetos com eletrões. O primeiro Insight era um compacto dois volumes, com três portas e apenas dois lugares, possuidor de linhas fluídas com baixa resistência aerodinâmica e um peso bastante contido, a oscilar entre os 838 kg e os 891 kg. A segunda geração evoluiria para um familiar de pleno direito.

O caráter experimental do primeiro Insight abriu caminho a muitos mais modelos híbridos da Honda nas décadas conseguintes, desde os de caráter mais familiar, como a mencionada segunda geração do Insight ou o Civic IMA, a outras mais desportivas como o CR-Z, culminando com o superdesportivo NSX.

O novo Honda CR-V Hybrid é o mais recente capítulo desta história com 20 anos.

Honda CR-V Hybrid, o primeiro SUV híbrido da Honda na Europa

O Honda CR-V quase que dispensa apresentações. É o SUV mais vendido da marca e um dos mais vendidos do planeta. A quinta geração que agora chega até nós, cresceu por dentro e por fora e sofisticou-se a vários níveis - e é a primeira a mostrar o potencial do novo sistema híbrido da Honda, o i-MMD, ou Intelligent Multi-Mode Drive.

Sendo híbrido, são duas as motorizações responsáveis por movimentar o Honda CR-V: um motor de combustão interna com 2.0 litros que funciona no mais eficiente ciclo Atkinson e dois motores elétricos - um a servir de gerador e outro de propulsor.

O sistema i-MMD não segue exatamente a mesma receita de outros híbridos, mas as vantagens são claras. Não é um híbrido plug-in, portanto não há necessidade de o ligar à tomada; permite circular apenas em modo elétrico e ajuda a manter consumos e emissões em níveis baixos.

Como funciona o sistema i-MMD?

Este sistema destaca-se pelo modo como opera, aproximando-se mais de um veículo 100% elétrico do que de outros híbridos. Isto porque, na maioria das situações de condução, o Honda CR-V Hybrid é impulsionado apenas pelo motor elétrico, ficando o motor de combustão com a função de gerar eletricidade para o sistema.

A proximidade aos elétricos é tal que o Honda CR-V Hybrid dispensa caixa de velocidades, com a transmissão às rodas a ser feita através de uma relação fixa, o que se traduz numa entrega de binário mais suave.

A lógica “elétrica” continua na utilização: o “intelligent” do i-MMD corresponde a uma gestão automática da interação entre as duas formas de propulsão, resultando em três modos distintos de condução (Multi-Mode Drive):

  • EV - modo elétrico, onde o motor elétrico vai buscar energia apenas e só às baterias, funcionando, sobretudo, a baixas velocidades. É um modo de curta duração, apenas 2 km no total. No entanto, é ativado frequentemente, intercalando com o modo Hybrid. Podemos forçar este modo através de um botão na consola central.
  • Híbrido - o motor de combustão entra em ação, mas este não está ligado às rodas. O seu papel é o de fornecer energia ao motor-gerador elétrico, que por sua vez fornece energia ao motor elétrico propulsor. Caso haja excedente de potência, essa energia é reencaminhada para as baterias.
  • Motor de Combustão - o único modo onde o motor térmico é ligado às rodas através de uma embraiagem de bloqueio.

Na maior parte das situações de condução, o Honda CR-V Hybrid alterna entre o modo EV e o modo Híbrido, algo que pode ser acompanhado no painel de instrumentos digital (7″) através do Driver Information Interface ou DII, que permite ver o fluxo de energia entre o motor de combustão, os motores elétricos, as baterias e as rodas.

O modo Motor de Combustão entra em ação quando circulamos a velocidades de cruzeiro elevadas - a solução mais eficiente, segundo a Honda - e mesmo assim pode voltar ao modo EV. Porquê? O motor elétrico entrega mais potência e binário do que o 2.0 Atkinson - 181 cv e 315 Nm contra 145 cv e 175 Nm, respetivamente. Ou seja, os dois motores nunca trabalham em conjunto.

Percebendo o sistema i-MMD do Honda CR-V Hybrid e a forma como o seu funcionamento se aproxima do de um automóvel 100% elétrico, quase que poderíamos chamar-lhe um elétrico… a gasolina.

O carregamento das baterias é algo com que não temos de nos preocupar. Como já vimos, podem receber energia do motor de combustão, mas o Honda CR-V Hybrid também conta com travagem regenerativa - quando desaceleramos ou travamos, converte a energia cinética em energia elétrica, que é enviada para as baterias.

Podemos ainda ajustar a força da desaceleração através das Patilhas Seletoras de Desaceleração posicionadas atrás do volante.

Consumos baixos

Os resultados práticos do sistema i-MMD mostram-se nos consumos reduzidos, sem abdicar de prestações de bom nível, com a Honda a anunciar 5,3 l/100 km (NEDC2) para o CR-V Hybrid, e 5,5 l/100 km para o CR-V Hybrid AWD, com tração às quatro rodas.

Os preços do Honda CR-V Hybrid começam nos 38 500 euros para a versão de duas rodas motrizes e nos 51 100 euros para a versão AWD, de quatro rodas motrizes, que surge associada exclusivamente ao nível de equipamento mais elevado, Executive. Quando equipado com Via Verde o CR-V Hybrid de duas rodas motrizes é classe 1 nas portagens.

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