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UE pede reforço da operação Aspides e extensão ao estreito de Ormuz; Portugal ainda a ponderar

Marinheiro português em uniforme a analisar mapa naval no convés de comando com bandeiras e navios ao fundo.

A chefe da diplomacia da UE anunciou esta terça-feira que alguns Estados-membros se mostraram disponíveis para reforçar a operação Aspides e apelou a que a contribuição do bloco para uma eventual missão no estreito de Ormuz seja feita por essa via.

UE quer alargar a operação Aspides ao estreito de Ormuz

No final de uma reunião dos ministros da Defesa da UE, em Bruxelas, Kaja Kallas voltou a defender que a operação naval Aspides - atualmente em atividade no mar Vermelho - deve passar a abranger também o estreito de Ormuz.

"É uma operação naval que já está na região e a área de operação [cobre o estreito de Ormuz], por isso só precisamos de mudar o plano operacional. O que é necessário são mais meios navais e, hoje, houve Estados-membros que se disponibilizaram para contribuir com mais navios para esta operação", anunciou.

Kallas sustentou que as missões navais da UE no Médio Oriente podem ter um "papel vital no restabelecimento dos fluxos comerciais e energéticos", lembrando que a operação Aspides já dá uma "contribuição crucial na proteção de transporte no mar Vermelho".

"As suas atividades podem ser alargadas para o estreito -- o mandato já o permite -- mas, claro só quando as condições forem apropriadas", acrescentou.

Aspides como contributo da UE para uma missão multinacional em Ormuz

Questionada sobre de que forma a Aspides poderá articular-se com uma eventual missão multinacional no estreito de Ormuz - debate que está a ser promovido pela França e pelo Reino Unido - Kallas considerou que a própria Aspides pode funcionar como o contributo europeu para esse esforço.

"Se o objetivo da Coligação de Voluntários é contar com a adesão de mais países externos, poderíamos contribuir enquanto uma única Europa, através das operações que já temos em curso", referiu.

Portugal ainda a ponderar

O ministro da Defesa afirmou que Portugal continua a avaliar se deve reforçar os efetivos militares na missão naval da UE no mar Vermelho e se deverá participar com meios numa eventual iniciativa franco-britânica no estreito de Ormuz.

Em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, Nuno Melo recordou que as Forças Armadas portuguesas já integram as missões navais Atalanta, no oceano Índico, e Aspides, no mar Vermelho.

"Portugal tem, neste momento, militares no quartel-general e, portanto, aquilo que poderá ser ponderado em qualquer momento é, eventualmente, um reforço da participação que Portugal já tem no âmbito da União Europeia. Mas é uma questão que, neste momento, não está ainda decidida", afirmou.

Quando questionado sobre a posição de Portugal relativamente à extensão do mandato da missão Aspides ao estreito de Ormuz, Nuno Melo esclareceu que, no caso português, não está em causa "um alargamento do mandato".

Está em causa "um alargamento, eventualmente, da participação de Portugal, se for caso disso. É uma decisão que o Governo ainda não tomou, mas essa ponderação terá de ser feita a cada momento, tendo em conta também as circunstâncias", frisou.

No mesmo dia em que França e Reino Unido organizaram uma reunião de ministros da Defesa para discutir e impulsionar uma missão multinacional no estreito de Ormuz - na qual Portugal estará representado pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, por videoconferência - o ministro foi também confrontado com a hipótese de o Governo empenhar meios navais nessa missão.

Na resposta, o titular da pasta da Defesa sublinhou que essa "é uma questão a considerar num momento próprio, depois de tidas todas as reuniões, depois de obtidos todos os dados".

"Não é o caso neste momento. Enquanto falamos, o tempo é de escutar. Mais adiante, teremos o tempo de decidir", disse, reiterando que Portugal se pronunciará sobre o tema "no momento certo, quando tiver todos os dados em cima da mesa".

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