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Rui Valério no Santuário de Fátima: “não haverá paz na terra sem paz no coração“

Grupo de pessoas em vigília com velas acesas numa cerimónia religiosa ao anoitecer, com igreja ao fundo.

O patriarca de Lisboa, Rui Valério, afirmou na terça-feira, no Santuário de Fátima, que não é possível fechar os olhos a um mundo marcado pela guerra, defendendo que “não haverá paz na terra sem paz no coração“.

Rui Valério e o apelo à paz no coração

Na homilia, proferida após a procissão, Rui Valério alertou para a gravidade do momento presente: “Não podemos ignorar a realidade. O nosso mundo está ferido, ferido pela guerra, onde irmãos se enfrentam e a vida humana é esmagada, ferido pela violência, que tantas vezes se infiltra nas relações e nas palavras, ferido pela divisão, que fragmenta povos, famílias e comunidades, ferido pela solidão, que atinge tantos, mesmo no meio das multidões, ferido pelo egoísmo, que fecha o homem sobre si mesmo”, disse Rui Valério.

Mais adiante, sublinhou onde, na sua perspetiva, começa qualquer mudança autêntica: “é o coração humano que precisa de ser curado, iluminado, renovado”, frisando que “é no coração de cada homem e de cada mulher que começa a verdadeira mudança do mundo”. Para o patriarca, “não haverá paz na terra sem paz no coração, não haverá luz na história sem luz na alma”.

Procissão das velas e presença de Luís Montenegro no Santuário

O primeiro-ministro Luís Montenegro esteve no Santuário, participando na tradicional procissão das velas que antecede as celebrações do 13 de maio, uma das datas mais emblemáticas para os católicos. Assumindo publicamente a sua fé, o chefe do Governo integrou a cerimónia transportando uma vela durante a passagem da imagem de Nossa Senhora de Fátima. Fez-se acompanhar da mulher, Carla Montenegro.

Ao presidir, pela primeira vez, a uma peregrinação internacional ao maior santuário mariano do país, Rui Valério falou para os milhares de peregrinos reunidos - 250 mil, segundo o santuário - recordando que trazem “o peso dos dias e a esperança do coração”.

O patriarca descreveu o cenário vivido na celebração: "Olhamos para esta multidão de velas acesas neste santuário, cada chama é uma história, cada luz é uma alma que decidiu não permanecer nas trevas. Cada vela é um sinal de resistência interior: não queremos viver na escuridão, não aceitamos que o mal tenha a última palavra", continuou.

Referindo-se à Virgem de Fátima “como sinal de esperança” que “vem ao encontro de um mundo ferido" e trazendo uma mensagem de “oração, penitência, conversão, confiança em Deus“, Rui Valério acrescentou que “não basta acender uma vela, não basta receber luz", sendo antes "preciso tornar-se luz".

Indicou, então, como essa atitude se concretiza no dia a dia: "E isto começa nos gestos simples do quotidiano: no perdão oferecido quando seria mais fácil guardar rancor, na reconciliação procurada quando a divisão parece definitiva, na proximidade a quem está só, a escuta paciente de quem sofre, na caridade concreta que toca a vida do outro", preconizou.

“Unidade na diversidade”

O patriarca considerou ainda que a ida a Fátima vai além do hábito repetido ano após ano, afirmando que a peregrinação "não é apenas uma tradição", mas sim "uma imagem viva da Igreja".

"Somos muitos, caminhamos juntos, mas cada um leva a sua vela", declarou, realçando que se trata de "unidade na diversidade, um só povo, muitas histórias, uma só fé, muitas vidas".

Na leitura de Rui Valério, "esta procissão é um testemunho para o mundo, a Igreja é um povo em caminho, que não desiste, que não se resigna, que continua a acreditar que a luz vence as trevas". Por isso, desafiou os peregrinos a colocarem nas mãos da Virgem de Fátima "os medos, as dúvidas, os pecados, as feridas escondidas", pedindo-lhe que faça deles "luz no meio do mundo".

Percurso e ligação de Rui Valério a Fátima

Rui Valério, patriarca de Lisboa, tem 61 anos e nasceu em Urqueira, no concelho de Ourém.

Na conferência de imprensa realizada antes da peregrinação, explicou que Fátima - a "poucos quilómetros" da sua terra natal - é uma "realidade que está intrinsecamente associada e presente" na sua biografia.

Recordou, a esse propósito: "A minha primeira catequese foi Fátima, foi Nossa Senhora, mercê da dádiva de uma avó que foi testemunha do 13 de outubro de 1917 e que, enfaticamente, partilhava a experiência que aqui viveu, ainda jovem, em 1917, quando, como ela dizia, viu bailar o sol", recordou.

Para o patriarca, regressar a Fátima e, sobretudo, presidir às celebrações representa, "mais do que um ato de memória, é um reencontro" com as suas fontes.

Programa do encerramento da peregrinação internacional (12 e 13 de maio)

A peregrinação internacional de 12 e 13 de maio termina na quarta-feira.

Depois da recitação do terço, às 9h, na Capelinha das Aparições, tem início, uma hora mais tarde, a missa, com a bênção dos doentes e a procissão do adeus, no recinto.

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