Saltar para o conteúdo

# Passos Coelho chama absurda a proposta do Chega de baixar a idade da reforma

Homem de terno a discursar num púlpito diante de audiência numa sala com janelas grandes e vista para rio.

Críticas ao Chega e à idade da reforma

Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro, afirmou esta terça-feira que a ideia do Chega de reduzir a idade da reforma é “absurda e irrealista”, entendendo que a proposta revela “populismo em excesso”. Ao mesmo tempo, sem assumir um caminho de regresso, voltou a dizer que considera pouco provável voltar a ter um papel na política.

De acordo com relatos transmitidos à Lusa sobre uma sessão à porta fechada com estudantes da Nova SBE (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa), dedicada ao tema “Portugal e o Futuro”, o antigo líder do PSD criticou a condição imposta pelo partido de André Ventura para viabilizar no parlamento a iniciativa do Governo sobre a lei laboral: só avançaria se o Executivo aceitasse baixar a idade da reforma.

Sobre essa exigência, Passos Coelho sublinhou: "Além do absurdo e irrealismo - que mostra populismo em excesso -, eu que tanto tenho defendido que o PSD procure a maioria que não tem, com a IL e com o Chega, que são partidos não socialistas… Quando as coisas assumem este caráter, eu pergunto: são não socialistas? Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma", afirmou.

Governo PSD/CDS-PP e a reforma da lei laboral

Na mesma intervenção, Passos voltou a apontar que o Governo PSD/CDS-PP tem levado “demasiado tempo” a apresentar resultados. Ainda assim, destacou como exceção a tentativa de alterar a lei laboral, embora a tenha descrito como uma iniciativa pouco acompanhada no debate político.

A esse propósito, comentou: "Mas apareceu muito isolada, sozinha, coitadinha. E quando se aparece muito sozinha e é preciso negociar, só se pode negociar ali dentro", afirmou.

Futuro político, Presidência e outros alertas

Ao longo de quase duas horas de perguntas e respostas, o antigo chefe do Governo foi repetidamente confrontado com a hipótese de regressar à vida política. A resposta manteve-se: disse que “não anda à procura de nada” e que seria “um mau sinal” se tivessem de o ir “buscar ao baú”. Nesse contexto, contou também uma conversa que diz ter tido com o atual primeiro-ministro no verão de 2023.

A conversa de 2023 e o recado a Luís Montenegro

Segundo Passos Coelho, na altura circulava a ideia de que uma alternativa a Luís Montenegro poderia passar por ele próprio ou por Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Sobre isso, ironizou: "Era eu e o Moedas - ainda tinha aparecido há pouco tempo, aqui pela capital, agora já estará um bocadinho mais usado, mas na altura, não estava", ironizou.

Confessou que a conversa o chegou a irritar e explicou ter deixado um conselho a Montenegro: "É muito simples: sejam competentes e tratem do assunto. Se forem competentes e tratarem do assunto, ninguém vai andar preocupado nem com o Moedas, nem com o Passos Coelho", disse.

A hipótese de se candidatar e a recusa do cargo de Presidente da República

Perante a insistência dos alunos sobre uma eventual candidatura, Passos Coelho reiterou que não se revê em disputar Belém. "Não é que eu não conseguisse fazer, mas só de pensar que estaria lá cinco anos que fosse, era uma coisa horrível (…) Chefiar um governo era diferente, porque eu saberia o que fazer", disse,

Ainda assim, considerou que desde que saiu do cargo, em 2015, “o país mudou muito” e que existem pessoas que podem estar em melhor posição para desempenhar essas funções. "Se, porventura, eu vier fazer, é porque tudo o mais falhou. Não é um bom sinal, é porque tiveram de ir ao baú, buscar um gajo antigo para tratar do assunto", disse. Apesar disso, frisou que não fechava “nenhuma porta para o futuro”.

Também afastou a ideia de assumir um compromisso definitivo de que nunca mais voltará a candidatar-se: "Eu sei que muita gente ficaria encantada se eu dissesse: garanto-vos, nunca mais me candidato. Tipo, como o professor Marcelo, nem que Cristo desça à terra. Não digo nada dessas coisas, mas não acho provável que isso aconteça", disse.

Para Passos, o cenário mais provável é o de o PSD e o atual primeiro-ministro permanecerem no poder durante alguns anos, embora tenha sublinhado que não consegue antecipar o que acontecerá “daqui a dois, quatro ou seis anos”. "Só um tolo é que perde tempo a pensar nessas coisas. Eu não perco tempo a pensar nisso", disse.

Sustentabilidade da segurança social, imigração e IRS jovem

Na sua intervenção, voltou a chamar a atenção para o tema da sustentabilidade da segurança social, que considera estar a ser evitado. Apontou também dificuldades na integração de muitos imigrantes, referindo que há quem viva “em servidão” em Portugal. Além disso, criticou o atual modelo de IRS jovem, que classificou como “iníquo”, e deixou um apelo para que os mais novos assumam o controlo do seu futuro se querem mudanças efetivas no país.

Numa apreciação mais geral sobre a classe política, considerou: "A malta que está na política não tratará. Conheço-os todos. A maior parte da malta que está na política quer estar lá. Quer fazer como o dr. António Costa, gerir o dia-a-dia. Arranjar empregos para os amigos. Colocar os apoiantes. Controlar. Mandar, ser obedecido. Porquê? Porque essa é a natureza do poder", considerou.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário