Os mais recentes desenvolvimentos e tendências resultantes do conflito russo-ucraniano levaram as Forças Armadas europeias a reavaliar e a dar maior destaque às suas capacidades de apoio de fogo de artilharia, num contexto em que a mobilidade, o alcance e a conectividade com outras plataformas e sistemas se tornaram indispensáveis. Em Espanha, esta orientação ficou patente na última decisão do Conselho de Ministros: a aquisição de um “Sistema de Artilharia Autopropulsada de Lagartas” para o Exército de Terra e para a Infantaria de Marinha da Armada implica um investimento que poderá ultrapassar os 4.500 milhões de euros.
Estado actual da artilharia autopropulsada nas Forças Armadas espanholas
À data em que foi divulgada a decisão do Conselho de Ministros de 25 de novembro, o segmento dos veículos de combate de artilharia (VCA) - igualmente referidos como obuses autopropulsados - tem como principais representantes os M109 de origem norte-americana. Estes encontram-se ao serviço do Exército de Terra na versão “A5” e, na Infantaria de Marinha da Armada Espanhola, numa versão mais antiga, a “A2”.
Embora, nos últimos anos, estes obuses tenham sido alvo de actualizações pontuais - incluindo as acções necessárias de manutenção e sustentação -, a realidade evidencia que esta componente do apoio de fogo carece de uma nova plataforma. Por essa razão, as chefias militares espanholas, em conjunto com actores relevantes da indústria, têm vindo a impulsionar planos e a trabalhar em propostas.
O requisito
De acordo com o que foi indicado pelo Conselho de Ministros, “…se persigue contar con medios apropiados con el alcance, precisión y movilidad suficiente y con reducidos tiempos de entrada y salida de posición, de forma que reduzcan el tiempo de permanencia en los asentamientos y garanticen su capacidad de supervivencia”.
Acrescenta ainda que “…el contrato tendrá un valor estimado de 4.516.363.636,37 euros, y tendrá una duración desde la formalización del contrato hasta el 30 de noviembre de 2034”.
No que respeita ao número de unidades, o referido subprograma ATP Lagartas prevê a aquisição de um total de 128 obuses autopropulsados assentes numa plataforma blindada de rastos/lagartas, complementados por 128 veículos amunicionadores, 48 viaturas de comando e controlo, bem como um conjunto alargado de veículos especializados de recuperação e equipamentos associados.
Os potenciais candidatos
Apesar de, até ao momento, e mesmo existindo acordos já alcançados entre diferentes empresas, continuar a aguardar-se uma decisão quanto à adjudicação dos respectivos contratos, é possível considerar vários candidatos alinhados com o que outras forças militares do continente europeu têm vindo a fazer, optando por plataformas nacionais ou provenientes de outras regiões. Neste último grupo, importa referir o K9 Thunder, de origem sul-coreana, que tem conquistado espaço neste domínio na Europa, com várias forças que já o adoptaram graças às opções de personalização e de produção local disponibilizadas pela Hanwha Defense e pelo governo da Coreia do Sul.
Também não deve ser excluída a alternativa do PzH 2000 alemão, sobretudo tendo em conta que a Indra tem vindo a assinar diversos acordos com a KNDS, que está a introduzir melhorias com base nas experiências obtidas na Ucrânia e para dar resposta aos requisitos do Exército Alemão.
Por fim, e conforme foi noticiado durante a última FEINDEF realizada em Madrid, a General Dynamics European Land Systems (GDELS) apresentou o NEMESIS de 155 mm, que combina o Artillery Gun Module (AGM) de 155 mm/L52 totalmente automatizado, desenvolvido pela KNDS, com a plataforma ASCOD.
Fotografias utilizadas a título ilustrativo.
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