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Programa de Modernização do Embraer EMB-312 Tucano da Força Aérea Argentina aguarda orçamento

Dois homens verificam informações numa tabela e tablet junto a um avião pequeno num aeroporto ao pôr do sol.

Contexto do Programa de Modernização do Embraer EMB-312 Tucano

Nos últimos anos, uma das iniciativas mais relevantes levadas a cabo pela Força Aérea Argentina tem sido a recuperação e a actualização de parte da sua frota de aeronaves de várias categorias. Entre essas acções, ganhou particular destaque o Programa de Modernização dos aviões de instrução e ataque ligeiro Embraer EMB-312 Tucano, desenvolvido por militares da própria instituição com o apoio de empresas nacionais. Ainda assim, de acordo com o que foi oficialmente indicado no Relatório N.º 144 da Chefatura do Gabinete de Ministros, o programa encontra-se actualmente à espera das correspondentes dotações orçamentais para avançar com a modernização de mais unidades.

Protótipos e primeira apresentação pública (A-122)

Em agosto de 2022, durante uma cerimónia oficial realizada na Aeroestação Militar Aeroparque, a Força Aérea Argentina apresentou publicamente a sua primeira aeronave EMB-312 modernizada. Esta unidade, com a matrícula “A-122”, foi o primeiro exemplar de um total de dois modernizados com novos sistemas de aviônica, nomeadamente ao nível da navegação, dos instrumentos de voo e das comunicações.

Como já tinha sido descrito anteriormente, “... a implementação destes trabalhos foi assumida pela empresa argentina Redimec, que trabalharia em conjunto com pessoal da Área de Material Rio Cuarto nos dois Tucano que passarão a constituir os protótipos #1 e #2.”

Acrescentava-se ainda que a “... diferença entre ambas as aeronaves foi que a modernização da primeira unidade ficaria ‘totalmente’ a cargo e sob responsabilidade do contratante, enquanto, na segunda, a modernização deveria empregar ‘parcialmente’ mão de obra a fornecer pela Força Aérea Argentina para a execução dos trabalhos que a mesma exija, e apenas para efeitos da sua formação, sob a modalidade ‘On the Job’, complementada com cursos teórico/práticos”.

Situação actual segundo o Relatório de Gestão N.º 144

Após um período sem grandes actualizações divulgadas pela instituição, o Relatório de Gestão N.º 144, apresentado pela Chefatura do Gabinete de Ministros ao Congresso da Nação, oferece uma espécie de “fotografia” do estado actual do programa, com pontos positivos e também limitações.

Em primeiro lugar, até à data, um total de cinco (5) aeronaves EMB-312 foi actualizado com a instalação e a integração dos novos equipamentos fornecidos pela empresa REDIMEC. Considerando que as entregas foram oficialmente iniciadas no começo de 2023, é plausível que este conjunto de Tucano inclua os dois protótipos e mais três aeronaves adicionais.

Contudo, e em segundo lugar, o mesmo relatório volta a sublinhar uma questão já vista noutros processos: tal como foi referido dias antes no caso da modernização dos helicópteros Hughes 500D, trabalho realizado pela Área de Material Quilmes, a actualização dos EMB-312 permanece dependente da atribuição de recursos orçamentais para permitir o avanço dos trabalhos em unidades adicionais.

Em detalhe, e citando o relatório, é indicado o seguinte: “5 aeronaves modernizadas na Área de Material Rio Cuarto. Aeronaves adicionais a integrar conforme a disponibilidade orçamental”.

Restrições orçamentais e impacto no calendário

Como se tem vindo a observar, diferentes condicionantes orçamentais têm atrasado a execução e o cumprimento dos cronogramas previstos em vários programas destinados a actualizar e a remover obsolescências dos Sistemas de Armas da Força Aérea Argentina. Não se trata de um tema menor, uma vez que a aplicação destes programas permite manter em operação, de acordo com padrões actuais, aeronaves que não podem ser substituídas no curto e médio prazo por novas plataformas.

Por fim, diversas fontes têm assinalado que a ausência de dotações orçamentais não afecta apenas a aquisição de kits de modernização: também condiciona a afectação de pessoal ao programa. Isto é particularmente relevante porque, como referido, uma das características centrais do projecto é ser executado com capacidades próprias da Força Aérea na Área de Material Rio Cuarto. Na prática, isso traduz-se em menos horas-homem para realizar os trabalhos nas células seleccionadas, o que acaba por provocar atrasos no calendário de entregas projectado pela instituição.

Fotografias utilizadas apenas a título ilustrativo.

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