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Transportes em Portugal: 7622 reclamações em 2025 (+14,32%)

Homem jovem com mochila consulta telemóvel numa paragem de autocarro urbana com veículos em fundo.

O setor dos transportes em Portugal terminou 2025 com 7622 reclamações registadas - uma subida de 14,32% em comparação com o ano anterior -, segundo dados do Portal da Queixa, analisados pelo Consumers Trust Labs.

Mesmo com serviços mais acessíveis e com a procura a crescer, a qualidade percebida pelos passageiros continua a evidenciar fragilidades. O transporte rodoviário coletivo (autocarros) concentrou a maior fatia das reclamações, representando 40,63% do total.

Entre as operadoras mais visadas surgem a Rede Expressos (33,61%), Carris (14,31%), Carris Metropolitana (13,97%), FlixBus (11,19%) e UNIR (9,93%).

A Carris Metropolitana, por exemplo, apesar de ter atingido números recorde - 194 milhões de passageiros em 2025, mais 20 milhões do que no ano anterior -, viu também crescer os relatos de atrasos, tempos de espera prolongados (até 45 minutos) nas horas de ponta e falhas de comunicação, com maior incidência durante o verão.

Comboios, metro e TVDE

As reclamações não se ficaram pelos autocarros. No transporte ferroviário, o volume de queixas subiu 33,5%. Dentro deste universo, 54,1% das reclamações foram dirigidas à CP (Comboios de Portugal) - que transportou 208,2 milhões de passageiros em 2025 -, 19,67% à Fertagus, e os restantes 14% e 10,59% incidiram sobre os metros de Lisboa e do Porto, respetivamente.

“\“O Passe Ferroviário Verde (20 euros/mês) gerou um afluxo sem precedentes, mas expôs fragilidades na plataforma de bilhética da CP\””, pode ler-se.

As razões mais frequentes de desagrado apontam para atrasos na operação (36,81%) e para sobrelotação/condições de higiene (25,54%), o que evidencia um desfasamento entre a política comercial e a capacidade instalada.

Em sentido inverso, os serviços de TVDE e táxi registaram uma ligeira descida nas reclamações, de -1,05%. A esmagadora maioria das queixas (95,2%) incidiu sobre Uber e Bolt, sobretudo por cobranças indevidas e dificuldades associadas a reembolsos (53,43%).

Também o aluguer de automóveis registou um agravamento: as reclamações aumentaram mais de 20%, com críticas centradas na falta de clareza em cauções e taxas, com especial destaque para empresas como CarJet, Guerin, Centauro, Europcar e Hertz.

Transporte marítimo e aéreo

No transporte marítimo, o agravamento foi mais acentuado: o número de queixas duplicou, com a Transtejo em particular a ganhar destaque. Já no transporte aéreo, as reclamações mantiveram alguma estabilidade, mas a satisfação recuou quase 12%. As companhias mais criticadas foram a TAP Air Portugal (28,10%), Ryanair, EasyJet e SATA Air Açores, sendo que o período de maior tensão coincidiu com a greve da Menzies Aviation, em agosto.

Apesar do aumento global das queixas, observam-se melhorias na forma como estas são tratadas: a satisfação média dos passageiros subiu 13,7%, o tempo de resposta melhorou quase 20% e a recuperação emocional pós-intervenção aumentou 23%.

Perspetivas para 2026

Segundo o relatório do Consumers Trust Labs, em 2026 o setor dos transportes terá de converter a reclamação em intervenção efetiva, evoluindo de uma gestão reativa para um planeamento proativo que torne o transporte público mais fiável e sustentável.

Entre as prioridades apontadas está o reforço das frotas ferroviária e rodoviária, de modo a reduzir atrasos e situações de sobrelotação, bem como a resolução de conflitos laborais na assistência em terra, que continuam a condicionar o transporte aéreo.

Além disso, os especialistas defendem uma revisão urgente da Lei TVDE, garantindo mais transparência e proteção dos passageiros, sobretudo em plataformas como Uber e Bolt.

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