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Marinha explica por que sites de partidos políticos estão inacessíveis na rede de internet

Homem fardado vê mensagem "acesso bloqueado" num computador num centro de controlo.

Os sites de alguns partidos políticos estão indisponíveis quando o acesso é feito a partir da rede de internet da Marinha. O ramo atribui a situação a limitações técnicas e a preocupações de segurança, afastando qualquer motivação ideológica.

Queixa nas redes sociais e esclarecimento à Lusa

O esclarecimento da Marinha foi enviado na sequência de questões colocadas pela agência Lusa, depois de uma publicação nas redes sociais de uma perfil chamado "Contra Narrativa". Nessa publicação, é referido que vários sites de partidos políticos à esquerda não podem ser abertos através da rede de internet da Armada.

Segundo a mesma página, ao tentar entrar nos sites do Livre, do PCP e do BE surge a mensagem: "Conteúdo bloqueado por políticas de proxy - Marinha". Já no caso do PS, de acordo com o que foi divulgado, aparece apenas um aviso a indicar que não é possível aceder.

Em resposta à Lusa, a Armada confirmou que "existem sites de alguns partidos políticos que se encontram inacessíveis através da rede da internet da Marinha" e que tal se deve "a questões técnicas", rejeitando qualquer razão "relacionada com a natureza ideológica ou partidária".

Motivos técnicos e enquadramento de cibersegurança da Marinha

O porta-voz apontou exemplos concretos: a partir da rede da Marinha não é possível aceder ao site do PCP, embora o acesso ao da CDU (coligação que integra comunistas e PEV) esteja disponível. Indicou também que é possível consultar o site do PCTP-MRPP, mas não o do PPM nem o do ADN.

Na resposta enviada à Lusa, a Marinha defendeu que, "numa vertente da segurança operacional e no atual ambiente estratégico de competição geopolítica, caracterizado por operações no ciberespaço e dependência crítica de infraestruturas digitais, a imposição de restrições no acesso a sites externos constitui uma medida de governança essencial".

"Não se trata apenas de controlo técnico, mas de uma decisão de mitigação de risco ao nível institucional, alinhada com a preservação da soberania tecnológica, a proteção da informação e a continuidade operacional", acrescenta o ramo na mesma resposta.

A Armada referiu ainda que "a exposição irrestrita ao domínio externo amplia a superfície de ataque e facilita atos de exploração que podem comprometer sistemas, dados e processos".

Como funciona a filtragem e o que pode mudar

No caso da Marinha, prossegue o ramo, "a filtragem de conteúdos da infraestrutura de rede é realizada, cumulativamente, por quatro plataformas de segurança ciber, por questões, não só de segurança, como também de redundância e complementaridade".

Essas plataformas, segundo a Marinha, "classificam automaticamente URLs e domínios com base em categorias de risco definidas pelos próprios fabricantes e por entidades externas especializadas em cibersegurança".

Desta forma, salienta o ramo, alguns acessos podem ser restringidos "pelas plataformas de segurança ciber que protegem a infraestrutura digital institucional".

A Marinha reafirma que se trata de "um processo puramente técnico, do foro ciber, resultante de serviços prestados por plataformas reconhecidas e amplamente utilizadas por organizações civis e militares, que procuram garantir a segurança, a integridade e a resiliência das infraestruturas tecnológicas digitais".

"Quando um site é categorizado como potencialmente inseguro ou associado a categorias consideradas não permitidas, o acesso é automaticamente restringido. Em determinados casos, os bloqueios podem ainda resultar de razões estritamente técnicas, como utilização de protocolos de comunicação desatualizados, certificados de segurança inválidos ou suspeitos, ou existência de vulnerabilidades conhecidas associadas ao servidor", sustentam.

O ramo sublinha que estas restrições "não decorrem de qualquer decisão de natureza institucional" e lembra que, todos os dias, existem "centenas de sites que se encontram bloqueados, não sendo humanamente possível avaliar site a site".

Ainda assim, embora o bloqueio seja descrito como "um processo automático e externo à Marinha", a Armada adianta que irá analisar, junto das plataformas responsáveis por essa proteção, "a possibilidade de parametrizar manualmente alguns dos critérios de filtragem, de forma a eliminar ou mitigar os bloqueios identificados".

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