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Rita Sá Machado afasta risco de hantavírus em Portugal após surto em cruzeiro

Mulher médica a explicar mapa de contágio viral na Europa com bandeiras e símbolos da ONU ao fundo.

"Não há um plano, mas orientações se houver alguma questão. É habitual que estejamos preparados", afirma a diretora-geral da Saúde. Rita Sá Machado especifica que, mediante alertas como estes, é preciso "definir procedimentos específicos, e eles estão já consolidados, e assegurar que que vias verdes para determinados agentes infecciosos, este incluído, está já a funcionar"

Avaliação de risco em Portugal para o hantavírus (DGS, OMS e Centro Europeu de Doenças)

Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, rejeita a ideia de existir um risco significativo de contágio por hantavírus em Portugal. Em declarações à SIC Notícias, na quinta-feira, 7 de maio, a responsável sublinhou que "a OMS refere que o risco global é baixo, o Centro Europeu de Doenças diz que o risco é muito baixo e a DGS, com avaliação de risco e informação até no momento, diz que o risco é muito baixo".

Preparação da saúde pública e ativação de procedimentos

Ainda assim, a diretora-geral da DGS explica que, perante sinais de alerta deste tipo, a resposta passa por acionar mecanismos que fazem parte do modo habitual de atuação, como está agora a acontecer no caso do hantavírus.

"Estamos a preparar-nos para isso, a saúde pública tem sempre que preparar quando há um alerta,", sublinha a responsável, que acrescenta: "Não há um plano, mas orientações se houver alguma questão. É habitual que estejamos preparados", afirma d diretora-geral da Saúde. Rita Sá Machado especifica que, mediante alertas como estes, é preciso "definir procedimentos específicos, e eles estão já consolidados, e assegurar que que vias verdes para determinados agentes infecciosos, este incluido, está já a funcionar".

Surto num cruzeiro: nacionalidades, cronologia e casos

O surto ocorreu num cruzeiro com passageiros de 23 nacionalidades, entre as quais se conta um português. Segundo Rita Sá Machado, trata-se de um passageiro que "não é residente em Portugal e que não deverá vir para Portugal", seguindo para o território onde vive.

De acordo com a agência Lusa, não existe vacina nem um tratamento específico para este vírus. A infeção pode ocorrer após contacto com roedores e, entre as estirpes referidas, a dos Andes - detetada em passageiros infetados - é a única associada a casos de transmissão entre humanos.

O navio onde foram assinalados casos e mortes partiu de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de abril, com destino a Cabo Verde. Os investigadores procuram apurar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, no Chile ou no Uruguai), por via de roedores, ou se ocorreu já a bordo.

O primeiro passageiro a desenvolver sintomas - febre, dor de cabeça e diarreia ligeira - foi um holandês de 70 anos, que adoeceu a 6 de abril e é considerado o doente zero. O homem morreu no navio a 11 de abril. Treze dias mais tarde, o corpo foi desembarcado em Santa Helena (ilha remota no Oceano Atlântico sul que integra o território britânico), juntamente com o da sua mulher, uma holandesa de 69 anos. A mulher também apresentou sintomas, mas viajou para Joanesburgo, na África do Sul, a 25 de abril, onde pretendia apanhar um voo para os Países Baixos. Morreu no dia seguinte, e a infeção por hantavírus foi confirmada a 4 de maio.

A empresa de navegação indicou que, no total, 30 passageiros - incluindo o corpo do doente zero - desembarcaram do navio de cruzeiro em Santa Helena.

Entretanto, a 2 de maio, um cidadão alemão morreu a bordo depois de ter apresentado os primeiros sintomas a 28 de abril, e um outro passageiro suíço, também desembarcado em Santa Helena, foi internado em Zurique e testou positivo. Mais três casos suspeitos foram desembarcados na quarta-feira do navio "MV Hondius" em Cabo Verde - dois tripulantes britânicos e holandeses que estavam doentes e um caso de contacto assintomático - e transferidos em voos médicos que partiram da Praia. Os hantavírus chegam aos humanos através de roedores selvagens infetados, que eliminam o vírus na saliva, na urina e nas fezes.

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