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Reforma laboral sem acordo na Concertação Social: Chega fala em negociação política, PS diz ser derrota do Governo

Homem de fato falando numa reunião com quatro homens ao fundo e bandeiras de Portugal na janela.

As conversações para rever as leis do trabalho terminaram sem entendimento entre o Governo e os parceiros sociais. Perante este desfecho na Concertação Social, André Ventura entende que se entra agora numa fase de negociação política, enquanto o socialista Miguel Cabrita classifica o resultado como uma “derrota do Governo”.

Reforma laboral na Concertação Social: impasse e próximos passos

O presidente do Chega, André Ventura, disse esta quinta-feira que não ficou surpreendido com a ausência de acordo em Concertação Social sobre a reforma laboral e defendeu que o processo seguirá, a partir daqui, para o plano político.

Chega aponta para negociação política após o fim da Concertação Social

"Não é nada que me surpreenda. Como já tinha dito, o PS não tinha interesse desde o início em aprovar esta legislação, e é sabido que o Partido Socialista tem uma grande influência na UGT", afirmou.

Ventura acrescentou que, depois de encerrada a Concertação Social sem acordo, será necessário procurar um entendimento entre forças políticas. "Hoje [quinta-feira] começará um processo de negociação entre os dois partidos que podem aprovar esta reforma e a vermos se ela tem ou não condições para andar. Neste momento, não tem, neste momento, não me parece que tenha", declarou.

"Uma derrota do Governo"

No Parlamento, o deputado do PS Miguel Cabrita sustentou que "a ausência de acordo na Concertação Social sobre as questões laborais é, antes de mais e acima de tudo, uma derrota do Governo e do próprio primeiro-ministro Luís Montenegro".

O socialista considerou que a proposta apresentada pelo Governo está “cheia de recuos para os jovens, trabalhadores e famílias” e acusou o executivo de não ter sabido “ler os sinais que foi recebendo”, apontando ainda uma “enorme inflexibilidade do primeiro ao último dia” e a desistência do diálogo social.

Questionado sobre a posição do PS face ao diploma que, segundo a ministra do Trabalho, seguirá agora para o Parlamento, Miguel Cabrita afirmou que os socialistas aguardam para conhecer o conteúdo da proposta.

"Mas há uma garantia que podemos dar: as propostas que o PS vai colocar em cima da mesa e aquilo que estamos dispostos a negociar serão mudanças laborais no sentido de melhorar a vida das pessoas, dos trabalhadores, dos jovens, as condições das empresas, mas não estaremos disponíveis para alinhar numa lógica em que uns ganham e outros perdem e esse foi sempre o pressuposto desta proposta do Governo", advertiu.

Perante nova insistência dos jornalistas, o deputado do PS sublinhou que o partido “não estará disponível para viabilizar propostas que piorem a vida das pessoas”.

UGT "intransigente"

O PSD acusou a UGT de ter mantido uma postura de total intransigência, ao rejeitar a construção de um consenso para a revisão das leis laborais, e admitiu que a confederação sindical poderá não ter transmitido devidamente aos seus sindicatos a evolução das negociações.

"Ficou demonstrado que a UGT esteve desde o princípio absolutamente intransigente. A UGT não quis nunca chegar a um acordo com o Governo e com os restantes parceiros sociais. A sociedade civil, o Governo, o grupo parlamentar do PSD e muita gente, quer trabalhadores, quer empresários, gostavam que tivesse acontecido um acordo de concertação social", declarou Hugo Soares, presidente da bancada do PSD.

Na conferência de imprensa, o deputado disse, depois, ter dúvidas sobre se os sindicatos filiados na UGT acompanharam com informação suficiente, passo a passo, aquilo que se foi passando no âmbito da Concertação Social.

"Tenho dúvidas se os sindicatos souberam a par e passo tudo aquilo que aconteceu na Concertação Social. Depois de tanto esforço, depois de mais 900 horas de negociação, depois de mais 130 artigos consensualizados, sobravam seis. E um dos parceiros sociais [a CIP, na quarta-feira] apresentou soluções que iriam ao encontro daquilo possível de ser atendido pela UGT, mas nem assim foi possível", apontou.

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