O que aconteceu na Escola Básica da Azeda, em Setúbal
Uma criança cega, de seis anos, foi agredida por sete colegas na Escola Básica da Azeda, em Setúbal, numa situação que terá ocorrido sem que assistentes operacionais se tivessem apercebido de imediato, tendo a intervenção acontecido já com as agressões em curso. O episódio deu-se na passada quinta-feira, no recreio, depois da hora de almoço.
A criança apresentou mazelas e escoriações, mas não foi necessário recorrer a assistência hospitalar. Até agora, não voltou à escola, por receio.
Denúncia da Ser Especial e relatos no recreio
A criança está no Jardim de Infância desta escola básica, identificada como referência para alunos com baixa visão, e é acompanhada pela associação Ser Especial, que tornou o caso público através das redes sociais.
Segundo a Ser Especial, os pais dos alegados agressores terão sido contactados pouco tempo após o incidente. Já os pais da criança agredida apenas terão sabido do sucedido por terceiros, quando seguiam para a escola para a irem buscar.
Sobre o que terá acontecido durante o episódio, a associação relata que a criança "terá pedido ajuda repetidamente, sem que nenhum adulto tenha intervindo de imediato. Segundo os relatos, apenas duas crianças, também de seis anos, terão tentado prestar auxílio. A situação só terá sido interrompida quando uma auxiliar de ação educativa se apercebeu de um ajuntamento de alunos e se aproximou, conseguindo fazer cessar as agressões".
Situações anteriores e impacto emocional
De acordo com a Ser Especial, a criança já terá sido alvo de agressões noutras ocasiões. As crianças envolvidas terão a mesma idade e frequentam igualmente o pré-escolar.
A associação acrescenta que, "apesar de não apresentar ferimentos físicos graves, a criança encontra-se emocionalmente abalada e manifesta recusa em regressar à escola". Esta segunda-feira, a criança não regressou.
Posição da Câmara Municipal de Setúbal e ausência de esclarecimentos
A Câmara Municipal de Setúbal indicou estar a acompanhar a situação junto da escola e afirmou que o estabelecimento respeita o rácio legal de auxiliares por criança. "A Câmara Municipal de Setúbal repudia qualquer tipo de violência e está a tomar conta da ocorrência junto da direção do agrupamento escolar - que tem a competência das questões disciplinares na comunidade escolar. No entanto, a respeito do número de auxiliares, a escola cumpre o rácio determinado por Lei", refere uma fonte oficial da autarquia.
Até ao momento, não foram prestados esclarecimentos pela direção do Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama, ao qual pertence a EBJI Azeda.
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