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Regime excecional garante mais 80% na cirurgia cardíaca até 30 de setembro de 2026

Dois profissionais de saúde analisam notas num calendário de setembro de 2026 num ambiente hospitalar.

As equipas que realizem, em regime de produção adicional, cirurgias cardíacas a doentes em lista de espera que já tenham excedido o tempo recomendado vão ter um acréscimo de 80% na remuneração, ao abrigo de um regime excecional com vigência até ao final de setembro.

Regime excecional de incentivos em cirurgia cardíaca

O regime excecional de incentivos destinado a recuperar a atividade cirúrgica assistencial nas unidades hospitalares - e, em paralelo, a reduzir as listas de espera de utentes para cirurgia cardíaca fora dos tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) - foi publicado esta segunda-feira em Diário da República.

Na portaria, o Governo admite a existência de constrangimentos neste domínio, apontando para um "número significativo" de doentes em lista de espera para cirurgia cardíaca que já ultrapassam os TMRG.

Condições para o pagamento adicional de 80%

De acordo com o diploma, o pagamento adicional de mais 80% aplica-se quando, em simultâneo, os utentes:

  • já estejam inscritos na lista de espera para cirurgia cardíaca;
  • cumpram o critério de prioridade e a antiguidade de inscrição na lista;
  • tenham ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido.

A produção adicional é realizada fora do horário normal das equipas, devendo decorrer sem comprometer o cumprimento da atividade assistencial contratualizada. O regime de incentivos criado tem carácter temporário e vigora até 30 de setembro de 2026.

Listas de espera, TMRG e ausência de vales cirurgia

No final de abril, o presidente da Entidade Reguladora da Saúde indicou que 2.703 pessoas se encontravam em lista de espera para cirurgia cardíaca no final de 2025. Numa audição na comissão parlamentar de saúde, o responsável referiu ainda que, no ano passado, não foram emitidos vales cirurgia nesta área e acrescentou que o incumprimento dos TMRG se manteve sempre acima dos 55% nos últimos seis trimestres.

Também segundo informação divulgada em abril, no parlamento, pela secretária de Estado da Saúde, quase 330 doentes morreram, entre 2021 e 2025, enquanto aguardavam cirurgia cardíaca. Na mesma ocasião, a governante anunciou que a tutela iria igualmente publicar um despacho com vista à revisão das redes de referenciação.

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