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Mate Rimac perto de ficar com o controlo total da Bugatti após venda da Porsche à HOF Capital

Carro desportivo azul Bugatti Chiron estacionado em interior moderno com vidro panorâmico e posto de carregamento.

Mate Rimac, o engenheiro croata que ergueu do zero uma empresa de tecnologia automóvel e que chegou a «convencer» a Porsche a dividir com ele a gestão da Bugatti, nunca escondeu que a sua ambição ia mais longe.

No final do ano passado, o diretor-executivo do Rimac Group - detentor de 55% da empresa conjunta Bugatti Rimac, criada em 2021 - afirmou publicamente que pretendia assumir o controlo total da Bugatti. Mate Rimac justificava essa intenção dizendo que “queria ser capaz de tomar decisões e investir a longo prazo sem ter de explicar tudo a 50 pessoas”. Agora, cerca de meio ano depois, esse objetivo está muito perto de se concretizar.

Mate Rimac e a compra do controlo da Bugatti

No final da semana passada, a Porsche comunicou que vai vender a sua posição não apenas na Bugatti Rimac (45%), como também no Grupo Rimac (20,6%), a um consórcio internacional liderado pela HOF Capital, uma sociedade de investimento com sede em Nova Iorque, nos EUA.

O principal investidor desse consórcio é a BlueFive Capital, com base em Abu Dhabi, acompanhada por um grupo de investidores institucionais dos EUA e da União Europeia.

Duas visões para a Bugatti

A Porsche esteve entre os primeiros a identificar o potencial de Rimac e entrou no capital do grupo em 2018. Mais tarde, no contexto da reorganização do Grupo Volkswagen, a participação do grupo na Bugatti passou para a Porsche - passo que abriu caminho à criação, em 2021, da empresa conjunta Bugatti Rimac, com 45% na Porsche e 55% na Rimac.

Embora esta solução tenha ajudado a garantir a continuidade da Bugatti, longe dos holofotes a convivência entre os parceiros nem sempre foi tranquila, sobretudo por divergirem quanto ao rumo a dar à marca de luxo. Do lado alemão, a intenção apontava para uma Bugatti 100% elétrica; do lado croata, a prioridade era alinhar a estratégia com aquilo que os clientes e o mercado pediam. E o que pediam era uma Bugatti que preservasse um motor de combustão.

Para enquadrar a posição alemã, importa recuar alguns anos: a Porsche estava fortemente comprometida com a eletrificação integral da sua gama (com a exceção do 911) até ao final da década. Já Mate Rimac, que entretanto tinha apresentado o seu segundo hipercarro 100% elétrico, concluiu que não existiria procura suficiente para uma Bugatti exclusivamente a baterias. E, ainda antes de a empresa conjunta ser formalizada, já estava a preparar o desenvolvimento do enorme V16 que equipa o novo Tourbillon.

As visões opostas sobre o futuro da Bugatti acabariam por colidir com a realidade no ano passado. Ao mesmo tempo que Mate Rimac reforçava a vontade de ficar com o controlo total da empresa conjunta, a aposta arrojada da Porsche na eletrificação não gerou o retorno esperado e acabou por se tornar um dos principais fatores a agravar a crise que enfrenta atualmente.

Foi um contexto que terá pesado tanto na decisão de vender a posição na empresa conjunta como na alienação da participação no próprio Rimac Group.

Como fica a estrutura acionista após a transação

Com a transação concluída (o fecho está previsto para antes do final deste ano), o Rimac Group passará a controlar a Bugatti Rimac e irá estabelecer uma parceria estratégica com a HOF Capital para sustentar a continuidade do seu crescimento. A HOF Capital passará também a ser o maior acionista do Grupo Rimac, a par de Mate Rimac. Entre os maiores acionistas do grupo croata mantém-se ainda a Hyundai, com 11%.

“A Porsche tem sido uma parceira crucial e somos profundamente gratos pelo seu papel na criação da Bugatti Rimac. Com as bases sólidas que o seu apoio nos proporcionou, agora temos uma estrutura que nos permite executar ainda mais rapidamente a nossa visão a longo prazo”.
Mate Rimac, CEO Bugatti Rimac

Porsche vai focar-se no essencial

Após um 2025 particularmente preocupante, a Porsche tem sido pressionada a reforçar a rentabilidade e a simplificar a sua estrutura de ativos. O construtor já tinha indicado que iria concentrar-se exclusivamente no seu negócio principal.

“Ao criarmos a Bugatti Rimac em conjunto com o Grupo Rimac, estabelecemos com sucesso as bases para o futuro da Bugatti. Agora, com a venda da nossa participação, demonstramos que a Porsche se vai concentrar no seu negócio principal”, afirmou Michael Leiters, diretor-executivo da Porsche AG.

As duas partes concordaram em manter confidenciais os termos financeiros do negócio. Ainda assim, em dezembro, a Bloomberg tinha avançado que a operação poderia ser avaliada em mais de mil milhões de euros.


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