Saltar para o conteúdo

Emojis provocam respostas cerebrais semelhantes às de faces humanas, revela novo estudo

Jovem sentado a usar telemóvel com ilustração de cérebro e emojis de emoções à sua volta.

Os emojis podem desencadear respostas no cérebro muito semelhantes às que surgem quando vemos rostos humanos reais, de acordo com um novo estudo.

Estas conclusões colocam a expressão digital num patamar mais relevante na comunicação diária, uma vez que o cérebro pode interpretar um pequeno ícone como um sinal social.

Sinais emocionais a partir de ícones

Em ambiente laboratorial, o significado emocional apareceu na mesma janela temporal estreita em que o cérebro faz a triagem rápida de expressões em rostos reais e em rostos simbólicos.

A trabalhar na Universidade de Bournemouth, em Inglaterra, Madeline Molly Ely associou as respostas a emojis às mesmas categorias emocionais observadas em rostos fotografados.

Essas semelhanças surgiram depressa, entre cerca de 145 e 160 milissegundos, e mantiveram-se para expressões felizes, zangadas, tristes e neutras.

O achado não implica que os emojis sejam equivalentes a rostos reais em todas as interações, mas torna difícil ignorar a comparação antes de alargar o tema.

Como o cérebro lê rostos

Os rostos humanos transmitem emoção através de pequenas variações nos olhos, na boca, nas bochechas e nas sobrancelhas - variações que as pessoas interpretam com uma rapidez notável.

Para acompanhar esse processo, os neurocientistas recorrem muitas vezes à eletroencefalografia (EEG), um exame no couro cabeludo que regista mínimas alterações elétricas a cada milissegundo.

Trabalhos anteriores ligaram este sinal inicial ao instante em que o cérebro distingue a forma de um rosto de outros objetos.

Essa referência temporal ofereceu ao novo trabalho sobre emojis um critério claro: se a velocidade coincidisse, seria um indício de processamento partilhado, e não de mera coincidência.

O que os resultados mostraram

Dois grupos de voluntários observaram, ou rostos reais ou emojis, e depois selecionaram no ecrã a emoção que cada imagem transmitia.

Um dos grupos viu oito pessoas fotografadas, enquanto o outro analisou, em sessões separadas, designs de emojis provenientes de seis grandes plataformas digitais.

No conjunto de 49 participantes, as semelhanças mais fortes atingiram o pico por volta de 145 a 160 milissegundos após a apresentação de imagens felizes, zangadas, tristes e neutras.

Dito de forma simples, a resposta começou antes de alguém conseguir nomear conscientemente o que estava a ver.

Padrões cerebrais com significado

O teste entre formatos sustentou a afirmação mais forte, porque os computadores foram treinados com um formato e, depois, tiveram de interpretar o outro num desafio mais exigente.

Quando um padrão aprendido a partir de rostos ajudou a ler emojis, isso apontou para códigos neurais - padrões cerebrais que transportam significado.

O teste inverso também funcionou, reforçando a ideia de que a correspondência não era um acaso de sentido único e que se mantinha nas duas direções.

Ainda assim, sinais partilhados não tornam os emojis iguais a rostos em todas as situações sociais ou conversas.

A velocidade muda o significado

Os sinais rápidos são importantes porque as mensagens online chegam muitas vezes sem voz, sem pausas e sem rostos visíveis por perto que ajudem a orientar o tom.

Um ícone pequeno pode acrescentar tonalidade social, e o cérebro pode captar essa tonalidade quase de imediato, antes mesmo de as palavras serem lidas.

“Neste sentido, os emojis podem funcionar como sinais emocionais com significado durante a interação online”, disse Ely.

Esta rapidez ajuda a perceber por que motivo um emoji usado sem cuidado pode suavizar, intensificar ou baralhar uma frase no dia a dia entre pessoas.

Os ícones simplificam a emoção

As caras em emoji recorrem a traços mais limpos do que os rostos humanos, pelo que as suas categorias emocionais tendem a aparecer mais separadas no ecrã.

Investigação anterior concluiu que as pessoas reconheceram emojis mais depressa e com maior precisão, com 92.7 por cento, face a 87.35 por cento nas expressões reais.

Essa nitidez pode explicar por que razão ícones felizes ou zangados geraram separações especialmente fortes nos novos registos.

Um design mais “limpo” pode facilitar o reconhecimento, mas também elimina sinais confusos e ambíguos que as pessoas usam presencialmente e ao longo do tempo.

O que os emojis não conseguem mostrar

Rostos reais mudam com a luz, a idade, a cultura, a fadiga e a história privada entre duas pessoas.

Os conjuntos de emojis comprimem esses elementos em desenhos padronizados, o que torna a emoção mais fácil de rotular, mas menos pessoal no ecrã.

Um sorriso aberto pode significar cordialidade numa troca e desconforto noutra, dependendo do momento e da relação.

Como o significado depende do contexto, respostas cerebrais rápidas nem sempre correspondem a uma interpretação correta.

Uma ferramenta social mais ampla

A comunicação online levou estas pequenas imagens para conversas de trabalho, mensagens em família, encontros, e interações com apoio ao cliente.

Uma revisão de 2017 defendeu que os emojis ajudam a clarificar o tom quando as palavras escritas, por si só, parecem insuficientes.

A nova evidência cerebral dá base mensurável a esse hábito quotidiano, já que a emoção apareceu em padrões elétricos enquanto as pessoas os observavam.

Quem desenha ferramentas de conversação precisa de limites de privacidade à altura dessa base, porque sinais emocionais podem revelar humor, conflito ou vulnerabilidade.

Limitações do estudo e investigação futura

Os voluntários eram jovens adultos, e as escolhas num laboratório raramente reproduzem a velocidade e a confusão das conversas reais entre pessoas.

Além disso, os participantes selecionaram rótulos a partir de opções limitadas, o que reduziu a emoção a categorias que as mensagens do quotidiano muitas vezes misturam.

As fotografias foram retiradas de rostos em pose, e as imagens de emoji vieram de designs consolidados de plataformas, e não de hábitos privados na internet.

Estas limitações tornam o resultado útil, mas circunscrito: mostram sobreposição em condições controladas, e não um significado universal em todos os contextos.

Um rosto do tamanho de um polegar num ecrã consegue recrutar processamento emocional rápido, ligando mensagens modernas a sistemas sociais mais antigos.

Trabalho futuro poderá testar idade, cultura e conversas reais, onde o significado cresce tanto do símbolo como da situação.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário