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Bernd Lange pede resposta firme da UE às tarifas de 25% dos EUA sobre automóveis e camiões

Carro desportivo azul metálico exposto em stand moderno com iluminação suave e fundo com pessoas em sombra.

Bernd Lange pede reação da UE às tarifas de 25% sobre automóveis e camiões

O eurodeputado responsável no Parlamento Europeu pelas negociações do acordo comercial entre Bruxelas e os Estados Unidos apelou, este sábado, a uma resposta “com maior clareza e determinação” perante a decisão norte-americana de aplicar tarifas de 25% a automóveis e camiões.

Em comunicado, Bernd Lange - que preside também à comissão parlamentar do Comércio Internacional no Parlamento Europeu (PE) - criticou a atitude de Washington e traçou um paralelo com episódios anteriores: “Já assistimos a estes ataques arbitrários dos Estados Unidos no caso da Gronelândia. Não é assim que se tratam parceiros próximos. Agora é preciso reagir com a maior clareza e determinação, confiando na nossa própria força e posição”.

O eurodeputado alemão sublinhou ainda que a União Europeia (UE) tem à disposição “um amplo conjunto de instrumentos de defesa comercial”, referindo, entre eles, o instrumento europeu anticoerção.

Acordo comercial Bruxelas–Washington e acusações de Donald Trump

Na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou a UE de violar o acordo comercial negociado com Washington e anunciou que, em consequência, iria elevar para 25% as tarifas sobre os automóveis e camiões produzidos pelo bloco.

Lange considerou, este sábado, que o comportamento de Trump é inaceitável e afirmou que “as suas afirmações também são falsas”, defendendo que a União, no PE, está a cumprir o entendimento alcançado por Washington e Bruxelas, ao mesmo tempo que trabalha na sua “implementação legal”.

Segundo o eurodeputado, as “interrupções” verificadas neste processo resultam da actuação do Presidente dos Estados Unidos, apontando como exemplos as ameaças de assumir o controlo da Gronelândia e, noutro momento, a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que anulou “os fundamentos jurídicos ilegais das tarifas”.

“O facto de recorrer novamente a ameaças em pleno processo político no seio de uma comunidade internacional de Estados demonstra o pouco que valoriza a soberania dos demais”, afirmou.

Acordo de Turnberry, tarifas adicionais e salvaguardas do Parlamento Europeu

O alemão acusou ainda os Estados Unidos de “incumprir repetidamente” o chamado Acordo de Turnberry, dando como exemplo “as tarifas adicionais aplicadas a mais de 400 produtos que contêm aço e alumínio”, actualmente “sujeitos a uma taxa média de cerca de 25%”, acima dos 15% acordados.

“Não é aceitável que, devido a reações emocionais pessoais e espontâneas, se ponha em causa a estabilidade do comércio e a segurança dos investimentos, o que gera problemas económicos e, em última instância, põe em risco postos de trabalho”, alertou.

Para Bernd Lange, este padrão de actuação e a “falta de fiabilidade” tornam ainda mais evidente a importância das salvaguardas que o PE decidiu incorporar no acordo comercial entre as duas partes.

“A confiança é importante, mas contra a arbitrariedade só funcionam regras claras”, afirmou.

O Parlamento Europeu, que aprovou o acordo em março, incluiu mecanismos de salvaguarda que permitem suspender o acordo caso Washington imponha novas tarifas, ameace fazê-lo ou ponha em causa a integridade territorial do bloco. Além disso, foi introduzida uma cláusula de entrada em vigor que impede a aplicação do acordo até estar confirmado o cumprimento de todos os seus elementos.

Esta opção permitiu que Bruxelas avançasse com a implementação da sua parte do acordo, embora a ratificação definitiva continue dependente da negociação do desenho final com os Estados-membros.

Na sexta-feira, a Comissão Europeia rejeitou as acusações do Presidente dos Estados Unidos sobre um alegado incumprimento do acordo por parte da UE e avisou para as “opções” que mantém em aberto para salvaguardar os seus interesses perante as novas medidas tarifárias.

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