Os franceses vão ter de apertar o cinto. Depois de um ano de 2025 já assinalado por uma subida média de 6% nos prémios, as mutualidades de saúde preparam-se para aplicar mais um corte no orçamento dos segurados.
De acordo com as projecções do gabinete de consultoria Addactis, os preços das complementares de saúde aumentarão entre 3,4% e 10% em 2026, com uma mediana perto de 5% nos contratos individuais. Para agregados familiares já pressionados pela inflação, é um aumento difícil de suportar.
Para se ter uma ideia, com um prémio anual médio de 850 euros, um aumento de 5% traduz-se num custo adicional de cerca de 42 euros por ano. No papel pode parecer limitado, mas o essencial está no efeito acumulado de subidas repetidas ano após ano. Em 2024, as mutualidades já tinham avançado 8,1% em média, segundo a Mutualité française. Mantendo-se esta trajectória, a despesa de saúde dos franceses dispara.
Até mais 25 euros por mês para os reformados
Os reformados estão entre os mais atingidos por esta inflação dos prémios. Este grupo enfrenta despesas de saúde em crescimento contínuo e, ao mesmo tempo, necessidades médicas cada vez mais elevadas. Para um sénior de 70 anos, a subida mensal poderá chegar a 12 a 25 euros por mês, segundo as estimativas. As famílias com crianças também não escapam, com aumentos adicionais avaliados entre 10 e 18 euros mensais.
Porque é que as complementares de saúde estão a ficar mais caras
O que explica esta dinâmica de aumentos? As razões são várias e somam-se. O primeiro factor apontado é o envelhecimento da população. Com uma fatia cada vez maior de pessoas idosas, as necessidades de cuidados aumentam e pressionam o equilíbrio financeiro dos organismos complementares. As previsões são preocupantes: estima-se que 43% da população possa vir a sofrer de uma patologia crónica até 2035.
O segundo motor é a inflação médica. Tratar-se custa mais todos os anos: consultas, internamentos, medicamentos, bem como equipamentos de óptica e tratamentos dentários - tudo sobe. E mesmo que o Seguro de Doença (Assurance maladie) suporte cerca de 80% das despesas, a parte restante recai sobre as complementares, que acabam por repercutir esse encargo nos aderentes.
Paradoxalmente, em vez de baixarem a factura, as inovações terapêuticas também alimentam esta escalada. Novos tratamentos e tecnologias melhoram a qualidade dos cuidados, mas o preço elevado reflecte-se no total da despesa em saúde. A Addactis antecipa, aliás, uma forte subida da despesa em saúde em França: de 266 mil milhões de euros hoje para 331 mil milhões até 2030.
Pressão regulatória e formas de limitar o impacto
A incerteza regulatória acrescenta tensão ao sector. O orçamento de 2026 da Segurança Social prevê uma sobretaxa de 1,1 mil milhões de euros sobre as mutualidades. Trata-se de uma retenção adicional que as seguradoras tenderão a transferir para os clientes, mesmo que os efeitos não tenham de ser imediatos.
Perante este cenário, os especialistas aconselham os segurados a não aceitarem passivamente estas subidas. Comparar propostas com regularidade, ajustar garantias às necessidades reais e negociar com o empregador no caso de contratos colectivos são medidas que ajudam a reduzir o impacto. Porque, embora as subidas pareçam inevitáveis à escala do mercado, cada aderente ainda dispõe de alguma margem para optimizar a sua cobertura de saúde.
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