As salas de escape tornaram-se uma verdadeira febre na última década, mas a pandemia travou a vertente presencial. Escape Academy pega nessa ideia e leva-a para casa, ampliando-a para uma aventura mais abrangente passada numa universidade fora do comum.
Conceito e cenário de Escape Academy
Aqui controlas um novo aluno inscrito numa escola dedicada a formar especialistas em salas de escape. Quase todas as salas, pisos e corredores desta instituição escondem um ou vários enigmas, e raramente as coisas são aquilo que parecem. O mesmo vale para o corpo docente, tão excêntrico quanto intrigante, onde se destaca um director misterioso.
Em primeira pessoa, o jogo desafia-te a obter boas notas ao completar salas de escape inspiradas em diferentes disciplinas, que podes desvendar a solo ou com um amigo em co-op de ecrã dividido (tanto local como online). Ao reunir oito emblemas, chegas à “graduação”. Há uma narrativa a conduzir o semestre, mas a Coin Crew Games está a manter os pormenores do enredo bem guardados.
Da paixão pelas salas de escape ao desenho dos desafios
Os membros da Coin Crew Games são fãs assumidos de salas de escape. O projecto nasceu como resposta à impossibilidade de jogar presencialmente durante os confinamentos da COVID, e a equipa escolheu a dedo elementos dos seus espaços preferidos para os transportar para o jogo. Séries como The Room e Zero Escape serviram de inspiração adicional.
O estúdio prefere chamar a Escape Academy um “jogo de sala de escape” e não um jogo de puzzles. A diferença, explicam, é que num puzzle tradicional existe um desafio principal; já numa sala de escape há vários enigmas distintos que se cruzam e avançam em paralelo até ao objectivo maior: sair.
Salas coloridas, pressão do tempo e ausência de falsas pistas
Os cenários destacam-se tanto pelo aspecto visual como pelos problemas que escondem. Um exemplo: um nível decorre no espaço subterrâneo onde vive o funcionário de limpeza da escola, que está a encher-se rapidamente de água. Cada etapa dá-te um tempo limitado para escapar enquanto vasculhas tudo à procura do máximo de pistas possível.
Abrir cadeados, decifrar códigos e superar outros obstáculos obriga a uma atenção total ao detalhe. Para tornar a experiência mais directa, a Coin Crew Games decidiu retirar um clássico das salas de escape reais: as falsas pistas. Não vais encontrar objectos inúteis colocados propositadamente para te baralhar, porque o estúdio acredita que os jogadores já se confundem por conta própria.
Sistema de dicas e co-op em ecrã dividido
Se ficares bloqueado, tens acesso a um sistema de pistas - uma versão virtual do mestre de jogo - que dá pequenos empurrões na direcção certa. Ainda assim, as dicas têm tempo de recarga, e o seu uso reflecte-se na pontuação final.
Como é habitual, as salas de escape tornam-se mais divertidas quando se pode trocar ideias com alguém, e o co-op em ecrã dividido permite fazer o jogo inteiro em conjunto. E porquê ecrã dividido mesmo quando se joga online? Porque assim dá para ir espreitando o progresso do outro.
Duas salas jogadas: gabinete do director e laboratório de informática
Durante a minha sessão, completei duas salas de escape. A primeira acontecia no gabinete do director. Com o relógio a contar, senti de imediato a urgência: li documentos à pressa e examinei secretárias e paredes à procura de qualquer coisa interactiva. Um cadeado de combinação num porta-documentos mostrava símbolos que pareciam representar objectos presentes na sala. Uma gaveta trancada precisava da respectiva chave.
Para conseguir sair, tive de descobrir o nome completo do director, ligando vários pormenores do ambiente. Não vou estragar soluções, mas as respostas eram sempre coerentes, e os puzzles encaixavam e evoluíam de forma natural. Escapei sem grande dificuldade e obtive uma nota alta, determinada pela rapidez com que resolvi cada enigma e pelo número de dicas utilizadas.
A sala seguinte, um laboratório de informática, foi consideravelmente mais difícil. Para conquistar a liberdade, tive de entrar num servidor de I.A. consciente - e com atitude. Os desafios foram mesmo de torcer o cérebro: tive de restabelecer a energia do espaço, desligar uma grelha de lasers, procurar o rato de estimação da turma e até enfrentar uma abordagem criativa ao sudoku.
Fiquei encravado várias vezes, o que me levou a recorrer ao sistema de dicas, que dá orientação suficiente para provocar momentos de “aha!” sem revelar as soluções. Consegui resolver tudo mesmo em cima do tempo graças a um enigma engenhoso baseado em matemática que exigia tirar notas no papel para juntar as peças - algo que a equipa incentiva. Não encontrei ideias repetidas em relação à sala anterior, e a Coin Crew garante que isso é intencional: em Escape Academy, não há dois puzzles iguais.
Data de lançamento e plataformas
A minha visita ao campus de Escape Academy foi muito agradável. Como fã de jogos de puzzles como The Room, gosto de desmontar enigmas com várias camadas até atingir um objectivo maior. Até agora, Escape Academy acerta em cheio na satisfação de desfazer grandes novelos de segredos e sentir-me um génio.
Tenho curiosidade em ver como funcionam as restantes salas e de que forma a narrativa junta tudo. Ainda bem que o lançamento não está longe: Escape Academy chega a 28 de Junho para PlayStation 5, Xbox Series X/S, PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC.
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