Condições colocadas por Havana à proposta de ajuda
O Governo cubano afirmou esta quinta-feira que vai avaliar a proposta de ajuda de 100 milhões de dólares (85,5 milhões de euros) avançada por Washington, desde que esteja "isenta de manobras políticas".
Numa mensagem publicada nas redes sociais, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodriguez, indicou: "Estamos prontos para ouvir as características da proposta e a forma como esta seria concretizada".
O chefe da diplomacia cubana frisou ainda: "Mesmo tendo em conta a incongruência da aparente generosidade por parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo através da guerra económica, o Governo cubano não tem por prática rejeitar a ajuda estrangeira que seja oferecida de boa-fé e com objetivos genuínos de cooperação, sejam eles bilaterais ou multilaterais".
Rodriguez deixou, porém, um aviso: "Esperamos que esteja isenta de manobras políticas e de tentativas de explorar a escassez e o sofrimento de um povo sitiado".
O ministro acrescentou que não é percetível, para já, se a ajuda anunciada é de natureza financeira ou material, nem se "será destinada às necessidades mais urgentes da população neste momento, tais como combustíveis, alimentos e medicamentos".
Na perspetiva do governante, a "melhor ajuda" que os Estados Unidos podem dar ao povo cubano, "neste ou em qualquer outro momento, era atenuar as medidas do bloqueio energético, económico, comercial e financeiro, intensificado como nunca antes nos últimos meses, o que afeta gravemente todos os setores da economia e da sociedade cubanas".
Também o Presidente cubano defendeu que a suspensão do bloqueio norte-americano seria a via "mais simples" para apoiar o país. "Seria possível atenuar os danos de forma mais simples e rápida levantando ou aliviando o bloqueio, uma vez que é de conhecimento público que a situação humanitária (da ilha) é calculada e provocada friamente“ por Washington”.
Ajuda com distribuição pela Igreja Católica
A reação do ministro cubano surge numa altura em que Cuba enfrenta apagões generalizados, um cenário que se tem repetido ao longo dos últimos meses, em resultado do embargo petrolífero imposto por Washington a Havana.
Na quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, voltou a colocar em cima da mesa a oferta dos Estados Unidos, exigindo, no entanto, que a distribuição seja feita pela Igreja Católica, sem passar pelo Governo cubano.
Segundo um comunicado do Departamento de Estado norte-americano, os Estados Unidos disseram estar disponíveis para enviar aquele montante em ajuda humanitária direta, "se o regime cubano assim o permitir".
Crise energética em Cuba e pressão dos EUA
No passado, Cuba recorria à Venezuela e ao México para garantir o fornecimento de petróleo ao seu sistema de refinarias. Ainda assim, os dois países reduziram de forma significativa os envios desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas aos países que abastecessem Cuba com combustível.
Com estes cortes, a crise energética agravou-se e, desde março, Cuba tem sido afetada por falhas no fornecimento de eletricidade.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, admitiu que a situação é "particularmente tensa" em toda a ilha e atribuiu responsabilidades aos EUA, noticia a BBC.
Díaz-Canel escreveu nas redes sociais: "Este agravamento dramático tem uma única causa: o bloqueio energético genocida a que os Estados Unidos submetem o nosso país, ameaçando com tarifas irracionais qualquer nação que nos forneça combustível".
Entretanto, desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, Washington tem vindo a pressionar Cuba para uma abertura significativa da economia e para reformas do sistema político, ao mesmo tempo que aplica novas sanções e intensifica ameaças de intervenção militar.
No dia 2 de maio, Trump declarou, num comício na Florida, que iria assumir o controlo de Cuba "quase imediatamente", acrescentando que isso acontecerá assim que terminar a guerra contra o Irão.
Atualizado às 22h35.
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