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Carraças e doença de Lyme: sinais, prevenção e o que fazer após uma picada

Pessoa a remover um caroço vermelho na perna com pinça, ao ar livre, ao lado de mochila e chapéu.

As carraças já não vivem apenas em matas afastadas. Encontram-se no parque da cidade, no quintal atrás de casa e até nas bermas dos caminhos. A cada caminhada, a cada churrasco na relva e a cada tarde em que as crianças brincam na erva, aumenta o risco de infeção pela chamada doença de Lyme (borreliose de Lyme) - uma doença que pode causar problemas meses ou anos após a picada.

Porque é que as carraças estão agora em época alta

A espécie mais comum na Europa, Ixodes ricinus, prefere locais húmidos e com sombra: bordas de bosque, mato, relva alta, sebes, taludes e jardins pouco densos. Sobe alguns centímetros até cerca de meio metro por uma haste de erva e fica à espera que uma pessoa ou um animal passe a roçar. Nesse momento, prende-se com as peças bucais e, com calma, procura um ponto adequado para picar.

Invernos longos e amenos, juntamente com mais áreas verdes deixadas ao abandono, alongam o período de atividade. Se antes a primavera e o outono eram vistos como a época principal, hoje especialistas reportam muitas picadas de abril até novembro, com um pico evidente nas semanas quentes de verão. Até parques em pleno centro urbano são agora considerados “pontos quentes de carraças”.

Em particular, têm maior risco:

  • Crianças que brincam no chão ou se arrastam por entre arbustos
  • Caminhantes, corredores e praticantes de BTT em trilhos de floresta e caminhos rurais
  • Pessoas que fazem jardinagem e trabalham na relva ou em sebes
  • Campistas, pescadores e quem passa muito tempo na natureza
  • Donos de cães e gatos, cujos animais podem levar carraças para dentro de casa

Muitas carraças nem sequer transportam os agentes da borreliose - por isso, uma picada fica frequentemente sem consequências. Quem conhece o risco e reage depressa pode evitar muitos problemas.

Estudos na Europa Central mostram que, conforme a região, apenas uma parte pequena a moderada das carraças está infetada com bactérias Borrelia, em termos gerais entre 0 e 20 por cento. E mesmo após uma picada, só uma parte das pessoas expostas acaba por desenvolver efetivamente doença de Lyme. Ainda assim, não é prudente desvalorizar: se a doença passar despercebida, pode atingir articulações, sistema nervoso e coração.

Como surge a borreliose de Lyme após uma picada de carraça

A ligação entre a carraça e a doença passa por bactérias do grupo Borrelia burgdorferi. Estas ficam no intestino da carraça e, durante a sucção de sangue, migram para a saliva. O fator decisivo é o tempo: quanto mais tempo a carraça estiver presa e a alimentar-se, maior é o risco de transmissão de agentes infecciosos.

Médicos consideram que remover a carraça nas primeiras 12 a 24 horas reduz de forma clara a probabilidade de infeção. Se, mais tarde, surgir uma lesão cutânea típica ou aparecerem sintomas, a pessoa não deve hesitar em procurar um médico.

Sinais típicos: a que deve estar atento após uma picada de carraça

O aviso mais conhecido numa fase inicial da doença de Lyme é o chamado Erythema migrans - no dia a dia, muitas vezes referido como “vermelhidão migratória”. Trata-se de uma mancha vermelha no local da picada que, ao longo de dias ou de poucas semanas, vai aumentando lentamente.

Reconhecer a “vermelhidão migratória”

São características frequentes:

  • Aparecer cerca de 3 a 30 dias após a picada
  • Vermelhidão redonda ou oval no local onde houve a picada
  • Por vezes com o centro mais claro, muitas vezes com aspeto de alvo
  • Normalmente não é dolorosa e dá apenas pouca comichão

É precisamente isto que a torna traiçoeira: como muitas vezes não arde nem dá comichão, pode passar despercebida no quotidiano - sobretudo quando a picada inicial nem chegou a ser notada.

Quando há mais do que pele: sintomas no corpo todo

Em paralelo com a alteração cutânea, ou um pouco mais tarde, podem surgir sintomas gerais:

  • Febre ou aumento marcado da temperatura
  • Cansaço intenso e sensação de prostração
  • Dores de cabeça e dores no pescoço/nuca
  • Dores musculares e articulares que “mudam de sítio

Sem tratamento, meses depois a infeção pode envolver nervos, articulações ou o coração. Nessa fase, podem surgir paralisia facial, dormências, inflamações dolorosas dos nervos, arritmias ou inflamações articulares recorrentes, sobretudo na zona do joelho. Muitos doentes referem ainda dificuldades de concentração e um esgotamento persistente que limita fortemente o dia a dia.

Quem, após uma picada de carraça, notar uma vermelhidão maior ou sintomas inexplicáveis deve procurar aconselhamento médico atempadamente - mais vale uma vez a mais do que uma vez a menos.

As medidas de proteção mais importantes no verão

A boa notícia: alguns hábitos simples reduzem muito o risco de carraças, sem estragar a experiência de estar ao ar livre.

Roupa que dificulta a vida às carraças

Para passeios no bosque, festas na relva ou trabalhos no jardim, ajuda:

  • Preferir calças compridas a calções
  • Meter as pernas das calças dentro das meias
  • Usar calçado fechado
  • Optar por camisolas de manga comprida e, tanto quanto possível, que cubram o corpo
  • Escolher roupa clara, para as carraças se destacarem melhor no tecido

Quem anda frequentemente no mato ou fora dos trilhos pode também recorrer a roupa de exterior específica com impregnação repelente de carraças.

Uso correto de repelentes

Repelentes para pele e para têxteis podem reduzir de forma significativa o número de picadas. É essencial seguir as instruções da embalagem: consoante o princípio ativo, existem limites de idade e restrições na gravidez. Para crianças, há produtos específicos com dosagem adaptada.

Verificação após cada ida à natureza

Uma inspeção cuidadosa depois de estar ao ar livre é das medidas mais eficazes - e demora apenas alguns minutos. Zonas preferidas das carraças incluem:

  • Parte de trás dos joelhos e face interna das coxas
  • Axilas e região da virilha
  • Dobra abdominal e umbigo
  • Pescoço, nuca e atrás das orelhas
  • Linha do cabelo e couro cabeludo com cabelo

Nas crianças, compensa ser ainda mais minucioso, porque muitas vezes sentam-se ou deitam-se no chão e as carraças podem chegar mais depressa à cabeça e à nuca. Também os animais de estimação devem ser verificados após cada passeio; caso contrário, os aracnídeos entram diretamente na sala.

Encontrou uma carraça - o que fazer agora

Ao detetar uma carraça, o mais importante é não entrar em pânico: agir com calma e rapidez. O que costuma causar mais problemas é adiar.

Passo O que fazer
1. Escolher a ferramenta Usar cartão removedor de carraças ou pinça própria de farmácia; não usar os dedos nem pinças de pontas largas.
2. Agarrar a carraça Pegar mesmo junto à pele, o mais perto possível do ponto de fixação, sem esmagar o abdómen.
3. Retirar Puxar devagar e de forma contínua; consoante a ferramenta, pode ajudar uma pequena rotação.
4. Tratar a pele Limpar o local com desinfetante cutâneo e, de seguida, lavar bem as mãos.
5. Registar a picada Anotar a data, idealmente tirar uma foto ao local e vigiar nas semanas seguintes.

Aplicar substâncias como verniz, óleo, álcool ou “truques caseiros” com calor não é boa ideia. Isso irrita a carraça e, sob stress, ela liberta mais saliva - e, no pior cenário, pode assim empurrar mais agentes infecciosos para a ferida.

Quando ir ao médico?

Vale a pena marcar observação se:

  • a carraça esteve a alimentar-se durante muito tempo (dá para estimar pelo tamanho; muito inchada e cheia é suspeito)
  • ficarem partes da carraça na pele e a zona inflamar
  • surgir uma vermelhidão maior no local ou a vermelhidão aumentar
  • aparecerem febre, cansaço intenso, dores de cabeça ou dores articulares sem outra causa evidente

O médico decide caso a caso se é necessário antibiótico. Uma “dose de segurança” por rotina logo após cada picada não é recomendada, para evitar tratamentos desnecessários.

Quão perigosa é a doença de Lyme face a outras doenças transmitidas por carraças?

Na Europa Central, a doença de Lyme é, de longe, a infeção transmitida por carraças mais comum. Outra doença muito temida é a encefalite transmitida por carraças, para a qual existe vacina. Os agentes são diferentes: a encefalite é causada por um vírus e ocorre sobretudo em certas áreas de risco; a borreliose, por outro lado, é provocada por bactérias e pode, em teoria, surgir em qualquer local onde existam carraças.

Um ponto essencial: atualmente não existe vacina para humanos contra a doença de Lyme. Por isso, a proteção depende sobretudo de evitar picadas, retirar rapidamente a carraça e manter atenção aos sinais precoces típicos. Quem passa muito tempo ao ar livre beneficia de um pequeno ritual fixo após cada saída: verificação de carraças, memorizar/assinalar locais de picada e, perante alterações, esclarecer com um profissional de saúde.

Conhecendo os padrões mais comuns, não é preciso temer o verão em contacto com a natureza. Natureza e carraças coexistem - e a forma como gerimos o risco está, em grande parte, nas nossas mãos.


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