Condição do Chega para o pacote laboral do Governo
O presidente do Chega reiterou, esta sexta-feira, que a descida da idade da reforma é uma das exigências do partido para viabilizar o pacote laboral do Governo, ainda que seja apenas “alguns meses”. André Ventura falou na Assembleia da República, depois de uma reunião com deputados do Chega dedicada à reforma laboral.
Sobre a margem de negociação, o líder do partido declarou: "Nós queremos trazê-lo para a discussão da reforma laboral. Podemos conseguir mais, podemos conseguir menos. Podemos simplesmente retroceder alguns meses na idade da reforma para já, mas [queremos] iniciar um caminho de descida da idade da reforma, vai depender da negociação. É a isso que estamos abertos".
Ventura enquadrou ainda que a proposta será entregue pelo Governo no Parlamento, após não ter alcançado consenso na concertação social, num processo marcado pela oposição das centrais sindicais.
Debate político em torno da idade da reforma
Questionado sobre a hipótese de recuar nesta condição, André Ventura respondeu que este “é um ponto importante”, sustentando que “o país todo está a discutir isto neste momento”, apesar de críticas como as feitas pelo ex-primeiro-ministro do PSD, Pedro Passos Coelho.
Críticas à ministra do Trabalho e o tema dos custos
Entretanto, em entrevista à SIC, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, afirmou que reduzir a idade da reforma é financeiramente incomportável e referiu estimativas de custos. Ventura acusou a governante de “má vontade”, sublinhando que o seu partido ainda não apresentou uma proposta concreta de redução.
Sobre a posição da ministra antes do início das conversações, afirmou: "Dizer antes de uma negociação começar, que já se está a pôr balizas aqui e ali, a fazer-se custos fictícios que nem se sabe o que é que são, mostra como há má vontade em relação a este assunto. E isso é muito negativo. Eu espero que ainda haja essa abertura de chegarmos a uma coisa boa para quem trabalha".
Justiça, férias e objectivos para a reforma do trabalho
No contexto de uma negociação parlamentar, André Ventura frisou que o Chega vai “estar do lado da descida da idade da reforma”, por entender tratar-se de “uma questão de justiça”. Defendeu também o aumento do número de férias “para estimular a produtividade”, acrescentando: "E vamos procurar uma reforma do trabalho que possa ser para todos e não apenas para alguns".
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