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Geração Z: Bank of America prevê que será a maior potência financeira até 2040

Grupo de jovens à volta de mesa, com computadores e caixas, discutindo negócios num escritório moderno.

A Geração Z - em termos gerais, quem hoje tem entre 12 e 27 anos - sente muitas vezes que está encurralada: falta de habitação, custo de vida elevado, trabalho “flexível” com contratos instáveis. Ainda assim, uma nova análise da Bank of America chega a uma conclusão inesperada e explica por que razão esta geração poderá tornar-se, em poucas décadas, a principal força financeira do planeta.

Entre crise da habitação e património recorde

Quem está agora no início ou a meio dos 20 vive, sobretudo, a escassez: arrendar a preços comportáveis é difícil, tal como encontrar empregos a tempo inteiro com previsibilidade. Muitos estágios e primeiras oportunidades são temporários. Nas grandes cidades, não é raro que nem um salário médio chegue para suportar, sozinho, uma casa pequena.

Em paralelo, muitos elementos da Geração Z são vistos como exigentes e pouco entusiasmados com hierarquias rígidas, horários inflexíveis e o “cumprir à risca” sem margem de autonomia. Isto tem gerado, com frequência, fricção com chefias mais antigas.

“A Bank of America vê nesta geração, aparentemente frágil, o futuro motor financeiro global - com um salto patrimonial gigantesco nas próximas duas décadas.”

Segundo dados da Bank of America, a Geração Z já acumulou, a nível mundial, cerca de 9.000 mil milhões de dólares em património - e isso num período de observação de apenas cerca de dois anos. A estimativa é que este valor chegue a 36.000 mil milhões até 2030 e a 74.000 mil milhões de dólares até 2040. A confirmar-se, este grupo etário ficaria claramente à frente de todas as gerações anteriores.

A grande transferência de riqueza: o que está por trás do boom

A peça central desta previsão é a chamada “Grande Transferência de Riqueza”: nos próximos anos, os baby boomers que hoje concentram a riqueza - e até gerações mais velhas - vão deixar dinheiro, casas e participações em empresas a filhos e netos.

“Cerca de 84.000 mil milhões de dólares deverão passar, até 2045, das gerações mais velhas para as mais novas - uma transferência de riqueza sem precedentes históricos.”

Uma parte significativa desse montante chegará primeiro à Geração X (hoje, aproximadamente entre os 45–60 anos) e aos millennials. Ainda assim, também a Geração Z deverá receber heranças ou doações relativamente cedo. Estudos sugerem que quase quatro em cada dez jovens adultos deste grupo poderão beneficiar directamente.

Na leitura da Bank of America, isto tende a alterar de forma clara o equilíbrio de poder económico:

  • patrimónios típicos da classe média passam para mãos mais jovens;
  • empresas familiares e imóveis são mantidos pelos herdeiros ou colocados à venda;
  • grandes carteiras de investimento são reorganizadas - muitas vezes com uma orientação digital e sustentável.

Ao mesmo tempo, o peso demográfico aumenta: na próxima década, a Geração Z deverá representar cerca de 30% da população mundial. Mais pessoas significa mais rendimento, mais consumo - e, no longo prazo, mais capital.

Como a Geração Z vive hoje - e por que isso pode mudar tudo amanhã

Quem hoje mal consegue pagar renda raramente segue o modelo clássico de “vida de caderneta de poupança”. É precisamente isso que aparece nos dados de consumo. Muitos jovens adultos desistem de planos longos para comprar casa, por considerarem os preços fora da realidade. Em vez disso, canalizam o dinheiro para satisfações pequenas e imediatas.

Padrões típicos:

  • mais despesa em viagens e escapadinhas;
  • encomendas online frequentes em vez de grandes compras pontuais;
  • gastos com fitness, saúde, saúde mental e lifestyle;
  • interesse por acções, ETFs e cripto em vez da poupança tradicional.

“Quem acha que esta geração não poupa está a olhar para a conta errada: muito vai directamente para investimentos, serviços digitais e experiências - e menos para produtos de poupança-habitação.”

Há ainda outro ponto: a Geração Z entra, em média, mais tarde no mercado de trabalho, muitas vezes após ensino superior ou formação profissional, mas tende a chegar com melhor qualificação. E qualificações mais altas significam, em regra, rendimentos mais elevados ao longo do tempo - o que abre margem para investir.

Porque as empresas vêem a Geração Z como um “gamechanger”

Para grandes grupos empresariais, bancos e empresas tecnológicas, a Geração Z deixou de ser apenas um segmento de clientes “difícil” e exigente. É encarada como um futuro definidor de tendências económicas. A Bank of America descreve-a como uma das gerações mais “disruptivas” para os mercados e para os sistemas sociais.

Isso já se nota em várias frentes:

Área Influência da Geração Z
Mercado de trabalho Mais exigências de trabalho remoto, propósito no emprego e hierarquias mais horizontais
Consumo Forte orientação para sustentabilidade, valores de marca e redes sociais
Finanças Entrada mais cedo em acções, ETFs, apps de trading e cripto
Política & sociedade Pressão em direcção a acção climática, diversidade e justiça social

Se, nos próximos 10 a 20 anos, este grupo acumular simultaneamente património, rendimentos e influência política, as regras do mercado tendem a deslocar-se. Produtos que hoje são de nicho podem passar a ser norma. E o luxo mais tradicional terá de se ajustar a novos valores.

Riscos: riqueza não é sinónimo automático de segurança

Por mais impressionantes que sejam as projecções, há interrogações importantes. A concentração de riqueza continuará a ser um tema: mesmo dentro da Geração Z, o impulso das heranças será distribuído de forma muito desigual. Quem nasce em famílias com património parte com uma vantagem enorme; outros começam a vida profissional já com dívidas.

A isto juntam-se custos de vida elevados: em muitos países, o salário mínimo mal cobre necessidades básicas. Algumas análises apontam que, em certos casos, seriam necessários cerca de 146% de um salário mínimo para, de facto, “chegar ao fim do mês” com folga. E, se além disso ainda for preciso criar poupança, a pressão aumenta.

Há também um risco adicional: muitos jovens apostam com força em activos voláteis. Entrar cedo em cripto ou em acções tecnológicas de maior risco pode gerar ganhos relevantes, mas também perdas difíceis de suportar. A literacia financeira torna-se, assim, decisiva para perceber se o património que chegará será preservado - ou se se perde com decisões mal calculadas.

O que isto significa, na prática, para jovens adultos

Para quem tem hoje pouco mais de 20 anos e se pergunta como conseguirá comprar casa um dia, estas previsões deixam duas ideias. Primeiro: a frustração com a situação actual não é um falhanço individual, mas o resultado de uma transição histórica. Segundo: é precisamente nesse período de mudança que pode existir uma oportunidade.

Muitos especialistas apontam como úteis, entre outras, as seguintes medidas:

  • começar cedo com produtos simples, como ETFs globais;
  • planear património com pais e avós, quando heranças forem previsíveis;
  • dar prioridade à qualificação em vez de aceitar o primeiro emprego apenas pela rapidez;
  • definir prioridades de consumo - experiências sim, viver permanentemente no descoberto, não.

Expressões como “transferência de riqueza” ou “geração disruptiva” podem soar abstractas, mas acabam por se traduzir em decisões do dia a dia: onde viver, como trabalhar, em que gastar e quanto sobra, no fim do mês, para investir - em vez de apenas consumir.

O ponto mais interessante será ver como a Geração Z usa a influência que vai ganhando. Irá replicar o modelo dos pais ou, através do dinheiro, vai impor outras prioridades - por exemplo, na acção climática, no equilíbrio social e na infra-estrutura digital? A resposta a isso condiciona se o património recorde previsto se transforma, de facto, num quotidiano mais estável para milhões de pessoas.


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