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Primeiro contacto com o Nissan Qashqai e-Power: o híbrido que parece elétrico

Carro elétrico branco Nissan E-Power PT exibido numa sala de showroom moderna com janelas amplas.

O Nissan Qashqai recebeu, finalmente, uma variante híbrida chamada e-Power, anunciada desde a apresentação da mais recente geração do SUV japonês.

Ainda assim, não se trata de um híbrido como os mais comuns: por muitos momentos, comporta-se como um elétrico, embora recorra a um motor a gasolina de combustão interna.

A ideia pode baralhar à primeira, mas este Nissan Qashqai e-Power tem pontos fortes. Já o conduzimos na Suécia e explicamos como se saiu. Terá passado neste primeiro teste?

Um elétrico a gasolina?

Sim - é mesmo essa a lógica. Aqui não estamos perante um híbrido convencional, como acontece, por exemplo, com a Toyota. Também não é um híbrido plug-in, uma vez que não permite carregamento através de uma fonte de energia externa.

O que a Nissan propõe é um híbrido em série (os da Toyota são série-paralelos), que na prática acaba por funcionar como um “elétrico” alimentado a gasolina.

Como assim?

O Nissan Qashqai e-Power recorre a um motor de combustão interna na dianteira, um novo 1.5 turbo de três cilindros com 156 cv e taxa de compressão variável, cuja função é apenas a de gerador - não está «ligado» às rodas -, enviando energia para a bateria de 2,1 kWh através de um inversor.

A bateria alimenta, por sua vez, um motor elétrico - igualmente instalado à frente - com 140 kW (190 cv) e 330 Nm. Importa sublinhar que é só este motor elétrico que está ligado às rodas (por intermédio de uma caixa de engrenagem fixa) e é ele que faz o Qashqai e-Power mover-se.

Por esta razão, o funcionamento do Nissan Qashqai e-Power aproxima-se muito do de um modelo 100% elétrico, incluindo algumas soluções típicas desse universo, como o sistema e-Pedal Step, uma evolução do que já conhecemos do Nissan Leaf.

Além disso, existe o tradicional “modo B”, também ele herdado dos 100% elétricos, e ainda um modo “EV”, que força o sistema híbrido deste Qashqai a manter o motor elétrico como responsável por toda a propulsão.

Aceleração convence. Condução também

Como é o motor elétrico que assegura a tração deste SUV, a resposta é sempre bastante progressiva e linear. Ainda assim, quando se pressiona a fundo o acelerador, nota-se um ligeiro atraso na disponibilização dos 330 Nm de binário, o que impede que a sensação seja tão imediata como num 100% elétrico.

Mesmo com essa pequena diferença, o arranque é convincente: cumpre os 0 aos 100 km/h em apenas 7,9s, um valor claramente mais apelativo do que os 9,2s indicados para o Qashqai 1.3 DIG-T com sistema híbrido ligeiro de 12 V e 158 cv.

No entanto, o que mais me marcou foi o comportamento em estrada. Não é de esperar uma proposta particularmente focada em dinâmica ou feita para entusiasmar. Em contrapartida, este Qashqai destaca-se pelo conforto de utilização e pelo conforto de rolamento.

O habitáculo revela bom isolamento, o motor 1.5 só se torna mais presente quando elevamos o andamento, e não se sentem vibrações a chegar do motor.

Consumos do Nissan Qashqai e-Power

Para mim, esta é a variante mais agradável de conduzir da nova geração do Nissan Qashqai, mas, sendo um sistema mais complexo e dispendioso (já lá vamos nos preços), só se justifica se compensar nos consumos.

E essa exigência ganha ainda mais peso porque o Diesel saiu da gama do Qashqai nesta geração. Assim, a Nissan defende que esta é a versão mais «poupada» e, ao mesmo tempo, a mais competitiva no catálogo deste SUV.

Neste primeiro contacto, com cerca de 100 km percorridos, foi possível registar uma média de 4,6 l/100 km - um valor bem abaixo dos 5,3 l/100 km anunciados pela Nissan.

Ainda assim, convém enquadrar: Estocolmo é uma cidade muito plana e com limites de velocidade inferiores aos praticados no nosso país. Isso ajudou naturalmente os consumos obtidos, apesar de termos conduzido em zonas urbanas, estradas secundárias e também em autoestrada.

Autonomia do Nissan Qashqai e-Power a rondar os 1000 km

O Qashqai e-Power utiliza uma bateria relativamente pequena, que não permite manter o sistema a funcionar em modo 100% elétrico, de forma seguida, por mais de 4-5 quilómetros.

Mesmo assim, graças à eficiência e ao depósito de combustível de 55 litros, consegue fazer aproximadamente 1000 km entre abastecimentos - um número que, regra geral, associamos sobretudo às propostas Diesel.

Gama e preços para Portugal

Já pode ser encomendado no nosso país, com as primeiras entregas previstas para setembro. O Nissan Qashqai e-Power é apresentado em três versões: N-Connecta, Tekna e Tekna+, sendo esta última a mais recheada de equipamento, com jantes de 20”, sistema de som Bose com 10 colunas e bancos com função de massagem.

Ainda assim, logo na proposta de entrada, a N-Connecta, o Qashqai e-Power inclui de série itens como câmara de 360º, ecrã central multimédia de 12,3” e jantes de 18”.

  • Nissan Qashqai e-Power N-Connecta - desde 42 800 euros
  • Nissan Qashqai e-Power Tekna - desde 46 600 euros
  • Nissan Qashqai e-Power Tekna+ - 48 750 euros

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