A espera terminou: após uma longa sequência de antevisões, a Porsche revelou a nova geração do Macan - agora totalmente 100% elétrica.
Uma década depois da estreia comercial, o SUV mais compacto da marca de Estugarda acaba de atravessar a mudança mais profunda de toda a sua história.
Nesta segunda geração, a Porsche deixou-se «embalar» pelo impacto comercial do Taycan e adotou uma receita completamente diferente, transformando o Macan 2024 no segundo modelo 100% elétrico do seu portefólio.
O Diogo Teixeira viajou até Estugarda, onde fica a sede da marca, para o ver de perto e mostrar tudo o que evoluiu no Macan - do desenho exterior ao habitáculo, sem esquecer as motorizações. Veja o vídeo:
Basta observar o Macan 2024, com uma presença simultaneamente desportiva e sólida, para perceber que estamos perante um automóvel novo. Na frente, assume a assinatura visual dos Porsche mais recentes, com óticas bipartidas, e exibe um capô relativamente curto - afinal, já não precisa de acomodar um motor de combustão.
Visto de lado, o protagonismo vai sobretudo para as jantes (até 22”), para a lâmina acima das saias laterais - um traço estético que sempre distinguiu o Macan - e para as portas, que passam a ser apresentadas sem moldura.
Na traseira, além da assinatura luminosa a toda a largura, destacam-se a linha de ombros bem musculada e o grande para-brisas posterior.
Interior com muitas novidades
Ao entrar, a sensação inicial é de familiaridade, já que a abordagem segue de perto o que vimos recentemente no Cayenne e no Panamera - e isso, naturalmente, são boas notícias.
Com um tablier de desenho marcadamente horizontal e uma consola central muito «limpa», embora mantenha comandos físicos para a climatização, o novo Macan pode receber até três ecrãs: um painel de instrumentos digital curvo de 12,6”, um ecrã multimédia central de 10,9” e, como opção, um ecrã em frente ao passageiro da frente também de 10,9”.
A isto junta-se, pela primeira vez num Porsche, a possibilidade de equipar um sistema de visor head-up com realidade aumentada, capaz de projetar na estrada um conteúdo com dimensão equivalente a 87″.
Integração aprofundada com Apple CarPlay e Android Auto
Uma das alterações mais relevantes está no ecrã multimédia central, que passa a executar o sistema operativo mais recente da Porsche, assente no Android Automotive.
Na prática, isto abre a porta a aplicações nativas como o YouTube, o Spotify ou o Amazon Music, e garante também a ligação ao telemóvel via Android Auto e Apple CarPlay.
Ainda neste tema, uma das evoluções mais notórias é o reforço substancial da integração com estes sistemas. Um exemplo claro: a navegação que estiver a usar - seja o Maps da Apple ou o Google Maps - pode agora ser apresentada no painel de instrumentos.
Ainda assim, convém esclarecer que o novo planeador de rotas e o sistema de pré-condicionamento da temperatura da bateria só ficam disponíveis quando se utiliza a navegação nativa da Porsche.
Plataforma a estrear
Para o Macan 2024, a Porsche recorreu a uma base inédita, a Premium Platform Electric (PPE), desenvolvida em conjunto com a Audi, que a vai estrear no Q6 e-tron - que também já conduzimos.
Apesar do desenvolvimento partilhado, esta arquitetura seguiu dois caminhos distintos. Segundo a Porsche, muito cedo «as águas» foram separadas, para que cada marca pudesse ajustar os vários componentes da plataforma às suas próprias necessidades.
Preparada para uma arquitetura elétrica de 800 V, a PPE suporta configurações com um ou dois motores elétricos - isto é, tração traseira ou tração integral - tal como já acontece no Taycan.
Mesmo assim, no arranque da comercialização o Macan 2024 estará apenas disponível em duas variantes com dois motores elétricos (um por eixo) e tração integral, sendo que o motor dianteiro é exatamente o mesmo nas duas. A diferença está no motor elétrico traseiro - montado bastante recuado, para garantir uma distribuição de peso de 48%/52% - que será específico em cada versão.
Macan Turbo tem 639 cv de potência
A versão de entrada, chamada Macan 4, disponibiliza 300 kW (408 cv) e 650 Nm de binário máximo, valores que permitem cumprir os 0 aos 100 km/h em 5,1s e alcançar 220 km/h de velocidade máxima.
Já o Macan Turbo anuncia 470 kW (639 cv) de potência máxima e 1130 Nm de binário máximo, acelerando dos 0 aos 100 km/h em 3,3s. Para contextualizar a rapidez, o 911 GT3 RS realiza esta aceleração em 3,2s. A velocidade de ponta está limitada a 260 km/h.
Até 613 km de autonomia
No que diz respeito à bateria, não há diferenças entre as duas versões: ambas usam um conjunto com 100 kWh de capacidade (95 kWh de capacidade líquida).
Com isto, o Macan 4 aponta para uma autonomia máxima de até 613 km, enquanto o Macan Turbo se fica pelos 591 km.
Esta diferença de autonomia justifica-se por o motor traseiro do Turbo ser ligeiramente mais pesado e também por esta versão recorrer a jantes maiores e incluir mais equipamento.
A bateria (com cerca de 570 kg), composta por 12 módulos com 15 células cada (cada módulo por ser reparado individualmente), poderá carregar até 270 kW em corrente contínua (DC) e até 11 kW em corrente alternada (AC).
À potência máxima suportada em DC, será possível passar de 10% para 80% de carga em 22 minutos, sendo realista contar com a recuperação de 100 km de autonomia em apenas quatro minutos.
Também merece destaque o facto de o sistema de 800 V conseguir dividir a bateria em duas partes, permitindo que, em postos que suportem apenas 400 V, essas duas secções sejam carregadas em paralelo a potências até 150 kW.
Quando chega?
O novo Porsche Macan 2024 só deverá chegar ao mercado nacional no segundo semestre do ano. Até lá, ainda teremos oportunidade de o conduzir e de perceber o que vale este SUV 100% elétrico na estrada, sobretudo porque a marca alemã promete uma “experiência de condução Porsche de última geração”.
Em Portugal, os preços começam nos 86 793 euros para o Macan 4 e nos 118 846 euros para o Macan Turbo.
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