Proposta de paz do Irão e cessar-fogo “por um fio”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desvalorizou esta segunda-feira a mais recente proposta de paz apresentada pelo Irão, classificando-a como lixo, e avisou que o cessar-fogo em vigor está “por um fio”, enquanto avalia a possibilidade de retomar operações militares no estreito de Ormuz.
Na Sala Oval da Casa Branca, Trump afirmou aos jornalistas: "Neste momento, o cessar-fogo ainda está em vigor, mas é incrivelmente frágil, diria eu. O mais frágil que já esteve. E digo isto depois de ler o lixo que nos enviaram. Ainda nem acabei de ler", numa referência directa ao documento remetido por Teerão.
Segundo o chefe de Estado, ao avançar na leitura do texto iraniano teve a sensação de estar a "perder tempo" e, por isso, descreveu a trégua - em vigor desde 08 de abril - como estando em "respiração assistida", comparando-a à avaliação de um médico que avisa: "o seu ente querido tem exatamente 1% de hipóteses de sobreviver".
Trump voltou a defender que a sua administração tem "um plano" destinado a garantir que a República Islâmica nunca venha a obter uma arma nuclear, criticando o facto de esse compromisso não constar da resposta de Teerão.
Apesar do bloqueio nas negociações, o presidente norte-americano reconheceu, em resposta a uma pergunta na Casa Branca, que uma saída diplomática permanece "muito possível".
Ainda assim, Trump sublinhou: "Teremos uma vitória completa. Já tivemos, em teoria, uma vitória completa do ponto de vista militar".
Estreito de Ormuz e a operação “Projeto Liberdade”
Antes destas declarações, Donald Trump tinha dito, numa entrevista telefónica à Fox News, que ponderava relançar a operação "Projeto Liberdade". A iniciativa tem como objectivo assegurar protecção a centenas de navios comerciais retidos pelo bloqueio iraniano no estreito de Ormuz e chegou a ser aplicada por um curto período na semana passada.
Nessa mesma linha de crítica a Teerão, Trump afirmou: "Querem negociar e apresentam-nos uma proposta estúpida, uma proposta estúpida, e ninguém a aceitaria. Só Obama [antigo presidente norte-americano] a teria aceitado", numa alusão ao seu antecessor democrata.
Escalada do conflito, negociações em Islamabad e impacto energético
A trégua no conflito, desencadeado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão em 28 de fevereiro, atravessa agora o seu momento mais delicado, depois de o próprio Trump ter considerado no domingo que a resposta iraniana à proposta de paz de Washington era "completamente inaceitável".
O Paquistão, que tem actuado como mediador nas conversações, confirmou ter recebido a resposta iraniana à última proposta norte-americana. A confirmação surge em plena escalada de hostilidades atribuídas a Teerão, que incluiu no domingo um ataque com um drone contra um navio comercial em águas do Qatar.
Desde o começo da ofensiva israelo-americana, o Irão mantém o estreito de Ormuz sob ameaça militar. Antes da guerra, por essa passagem transitavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais, um factor que contribuiu para a subida dos preços internacionais.
Após o fracasso da única ronda formal de negociações, realizada em Islamabad em 11 de abril, os Estados Unidos avançaram, por sua vez, com um bloqueio naval aos portos iranianos, numa tentativa de asfixiar a economia da República Islâmica.
Perante a crise energética - que também pressiona os seus níveis de popularidade interna antes das eleições intercalares de novembro - Donald Trump indicou hoje que pretende suspender o imposto federal sobre a gasolina.
Questionado por um jornalista na Casa Branca, o presidente disse que a suspensão seria aplicada "durante o tempo que for necessário", explicando que se trata de "uma pequena percentagem", mas que "ainda é dinheiro".
A medida, contudo, depende de aprovação do Congresso, onde o Partido Republicano tem uma maioria curta.
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