Visão de Mafalda Alves Dias para o Real Hotels Group
Mafalda Alves Dias assume funções como nova CEO (presidente executiva) do Real Hotels Group e pretende acrescentar ao grupo “uma perspetiva global cosmopolita, exigente e profundamente ligada a Portugal”, apoiando-se na experiência internacional acumulada ao longo de uma carreira de quase três décadas na Vodafone. A gestora chega ao grupo hoteleiro nacional vinda diretamente da operadora de comunicações, com o objetivo de acelerar a expansão nos próximos anos, numa fase em que o Real Hotels Group prepara também a entrada de novas marcas, como a Kimpton.
Inovação e maturidade digital na hotelaria
“A hotelaria tem muito a ganhar com a inovação”, defende Mafalda Alves Dias, sublinhando o “entusiasmo” por liderar um grupo português que “tem uma base única de hotéis com carácter próprio, equipas comprometidas e uma oferta que responde a perfis de viajantes muito diferentes”. Do ponto de vista tecnológico, observa que “em Portugal existe um potencial significativo de maturidade digital, sobretudo na integração de sistemas, na ligação entre diferentes fontes de dados e na preparação para utilização de inteligência artificial em tarefas administrativas e rotineiras”, embora considere que o sector está “ainda longe de uma experiência digital verdadeiramente fluida e multicanal”.
A nova diretora do grupo hoteleiro veio da Vodafone para dar gás à modernização tecnológica
Tecnologia, hospitalidade e o que acontece nos bastidores
Ainda assim, recorda que “a tecnologia não melhora a experiência do hóspede por si só, apenas amplifica aquilo que já existe” e reforça que “a hospitalidade não pode ser delegada à tecnologia, continua a ser humana, contextual e profundamente dependente do lugar onde acontece”. E acrescenta que, em áreas como a hotelaria, “a tecnologia já deixou de ser diferenciadora e passou a ser estrutural”, defendendo que “o seu papel está sobretudo fora da experiência visível do cliente”, ao centrar-se em “sistemas, dados, eficiência operacional e suporte à decisão”.
“Isto traduz-se em decisões muito concretas, desde a forma como desenhamos o pequeno-almoço para definir o tom emocional do dia, até à forma como concebemos um evento empresarial para estimular a energia e a produtividade”, explicita.
Crescimento seletivo, identidades e a chegada da Kimpton
Quanto à estratégia de crescimento, Mafalda Alves Dias garante que será “seletivo e disciplinado”. “Não queremos replicar hotéis, queremos preservar identidades”, afirma, acrescentando que “o Real Hotels Group não vai competir por número de quartos, mas por diferenciação”. Nesse sentido, sublinha que “a experiência no Holiday Inn Algarve, em Albufeira, será sempre diferente do Hotel Maxime, em Lisboa, e certamente diferente do Kimpton Lisboa”, cuja abertura está prevista para o próximo ano.
Da Vodafone para a hotelaria
A executiva descreve a mudança das comunicações para a hotelaria como “uma continuidade natural de um percurso centrado na transformação de organizações, mais do que como uma mudança de sector”.
“Ao longo da minha carreira, liderei processos de transformação, desenvolvi equipas de elevada performance e repensei modelos de negócio com foco no crescimento sustentável e na criação de valor”, salienta. E remata: “A hotelaria representa um sector estratégico para o país e um terreno fértil para esse trabalho de transformação”
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