Saltar para o conteúdo

Nuno Melo reeleito no 32º Congresso do CDS em Alcobaça: reforça a AD com PSD e dá prioridade à revisão constitucional

Homem a discursar em púlpito com microfones, com bandeira de Portugal e pessoas ao fundo.

“A AD é um ativo sem preço“ e “uma fórmula vencedora“: no encerramento do 32º Congresso do CDS, realizado este fim-de-semana em Alcobaça, Nuno Melo - reeleito presidente - fez uma defesa firme da aliança com o PSD, juntando-lhe a convicção de que ”o CDS vai crescer” sem se confundir com o parceiro de coligação. Para sublinhar diferença, anunciou que dá ”prioridade" à revisão constitucional e que o partido terá um projeto próprio, como já tinha avançado ao Expresso.

AD com o PSD e a autonomia do CDS

No fecho de uma reunião em que a autonomia e a identidade do partido dominaram grande parte das discussões, Melo insistiu que ”O CDS não é uma tendência, o CDS não se funde e o CDS não se dilui".

No mesmo registo, defendeu a coligação: "Os congressos são feitos de muitas opiniões. Seguimos um caminho juntos há muitos anos. O CDS não está aqui por favor. A AD é um caminho comum em que contribuímos com pessoas, com ideias e com votos“, sublinhando ainda que a AD ”é uma marca um património que se afirma pelos resultados" por nunca ter perdido em eleições legislativas.

As moções alternativas à linha de Melo propunham que o CDS começasse já a preparar o próximo ciclo eleitoral - se o calendário se cumprir, com legislativas apenas em 2029, ano que também terá autárquicas e europeias - e que se organizasse para ir sozinho a votos. O líder democrata-cristão considera, porém, que ainda é cedo para definir uma estratégia para daqui a três anos, lembrando que o partido terá outro congresso antes desse ano eleitoral.

Prioridades do CDS: revisão constitucional, famílias e Segurança Social

O CDS vai a jogo na revisão constitucional”, declarou Nuno Melo, classificando o tema como "tema totalmente prioritário". O PSD empurra o processo para o próximo ano, apesar de o Chega já ter apresentado o seu projeto de revisão e de a Iniciativa Liberal também estar a avançar.

Sobre o enquadramento, Melo afirmou: “A lei fundamental deve ser um documento ideologicamente neutro, capaz de congregar e não desunir”, anunciando - tal como promete na sua moção - a criação de um grupo de trabalho que "será liderado por constitucionalistas reconhecidos". Não adiantou orientações concretas, mas deixou a indicação de que poderá propor uma alteração que permita a perda de nacionalidade como pena acessória, solução que foi chumbada recentemente pelo Tribunal Constitucional.

A propósito da nacionalidade, assumiu discordância face ao entendimento do Tribunal: "Respeitamos, mas não concordamos“, admitindo que "não faz muito sentido insistir" numa confirmação da lei, que o PSD já recusou. Ainda assim, sustentou que a aquisição de nacionalidade “tem de ser um contrato com regras”: “Aqueles que recebemos na nossa casa têm de ter na nacionalidade portuguesa um privilégio. Ser português é um privilégio que não calha a todos.”

Para lá da revisão constitucional e do apoio às famílias - com um projeto de duplicação das deduções fiscais para famílias numerosas, anunciado no sábado -, o CDS coloca como terceira prioridade a reforma da Segurança Social. Com o envelhecimento da população e o aumento da longevidade, será necessário “mais ativos para financiar sustentavelmente mais pensões por mais tempo”. “É um problema gigantesco” e, acrescentou Melo, o partido, pela sua dimensão identitária de solidariedade, deve reforçar a atenção aos cuidados com os mais idosos e também aos incentivos que a legislação fiscal dá à poupança. “Isso será especialmente importante para as gerações mais novas”, defendeu. A ministra da Segurança Social, no entanto, não se compromete a fechar a reforma da Segurança Social nesta legislatura.

Marcar diferenças com Chega e IL

O debate sobre o futuro da Segurança Social serviu ainda de palco para críticas aos “populistas”. Nuno Melo apontou à exigência já colocada por André Ventura, nas negociações do pacote laboral, no sentido de reduzir a idade da reforma, ainda que seja apenas “uns meses”. “A par dos votos nem sempre vem a responsabilidade”, acusou. “Os populistas, sempre centrados na próxima eleição e nunca na próxima geração, querem baixar a idade da reforma”. E, com isso, defendeu, a mensagem dirigida aos jovens é “que amanhã, quando forem velhos, não vão ter as reformas que os pais e avós têm”.

Já perto do final, reiterou a relevância histórica e política do partido: “O CDS é o braço lúcido da direita em Portugal” e “continua a fazer tanto sentido em 2026 como fazia em 1974”, dizendo também: "O CDS não é substituído pela Iniciativa Liberal que não compreende que o que o mercado tem de sobra falta-lhe em solidariedade. Nem é substituído pelo Chega que tem sido, em muitos momentos o melhor aliado da esquerda em Portugal."

Segundo Melo, as “marcas distintivas” do CDS não se limitam à doutrina e à

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário