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FAB e AEB concluem preparativos para o lançamento do HANBIT-Nano da Innospace na Operação Spaceward no CLA

Dois homens observam foguetão HANBIT-1 prestes a ser lançado junto ao mar, com veículo amarelo e monitor ao lado.

Calendário e motivos da reprogramação no CLA

No seguimento do que está previsto para o desenvolvimento aeroespacial, a Força Aérea Brasileira (FAB) está a concluir os preparativos para o lançamento do foguetão HANBIT-Nano, desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, no âmbito da Operação Spaceward. A missão decorrerá a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

O lançamento estava inicialmente apontado para quarta-feira, dia 17, mas foi adiado para amanhã, sexta-feira, dia 19, às 15:45, depois de, na inspecção final, ter sido identificada uma anomalia no sistema de arrefecimento do fornecimento de oxidante do primeiro estágio. Conduzida em conjunto pela FAB e pela Agência Espacial Brasileira (AEB), a operação representa o primeiro lançamento comercial realizado a partir de território nacional - um marco que assinala a entrada do Brasil no mercado global de serviços espaciais.

Rotina técnica antes da ignição do HANBIT-Nano

As actividades de pré-lançamento arrancaram vários dias antes da activação do motor do foguetão, obedecendo a uma cronologia técnica exigente, que envolve dezenas de sistemas e equipas altamente especializadas. Da validação dos sistemas de propulsão e comunicações até à autorização final de voo, cada fase é executada por grupos multidisciplinares que trabalham em total coordenação.

Segundo o chefe da Divisão de Operações do CLA, o Major Engenheiro Robson Coelho de Oliveira, “cada actividade ao longo da cronologia existe para garantir que, no momento da ignição, o sistema se encontre no seu máximo nível de fiabilidade”.

Equipas da Operação Spaceward e coordenação da missão

A Operação Spaceward envolve mais de 400 profissionais brasileiros e sul-coreanos, incluindo engenheiros, técnicos e especialistas em telemetria, meteorologia, segurança, comunicações e logística. Só no Centro de Controlo actuam cerca de 30 peritos, enquanto outros 100 estão distribuídos por estações de radar, equipas de processamento de dados e funções de coordenação do lançamento.

A direcção da missão está a cargo do Analista de Ciência e Tecnologia Sénior Jerônimo Donizeti Mendes, que sublinhou a componente cooperativa do trabalho: “o trabalho é contínuo e multidisciplinar. Cada estação opera com autonomia técnica, mas as decisões concentram-se no Centro de Controlo para manter precisão e segurança em todos os momentos”.

Contagem decrescente, segurança de voo e objectivos em órbita

Nos preparativos finais, são acompanhadas de forma permanente as condições meteorológicas, a pressão dos tanques, os sistemas de ignição e os dados de voo. Qualquer irregularidade pode levar ao reinício da sequência ou à sua suspensão, em linha com os protocolos internacionais de segurança.

A ignição ocorre no instante H0, assinalado pela tradicional contagem decrescente. Em paralelo, a trajectória do foguetão é analisada em tempo real pela Estação de Segurança de Voo, que pode ordenar a terminação controlada do veículo caso seja detectado um comportamento anómalo.

Importância do CLA para o Programa Espacial Brasileiro

O lançamento do HANBIT-Nano é um sinal de progresso histórico para o Programa Espacial Brasileiro. Com mais de quatro décadas de actividade e mais de 500 missões realizadas, o CLA reforça a sua reputação como um dos centros espaciais mais estratégicos do planeta, beneficiando da sua localização próxima do equador.

Além de colocar em órbita cinco satélites e três experiências desenvolvidas por instituições do Brasil, da Índia e da Coreia do Sul, a missão formaliza a entrada do Brasil no mercado de lançamentos comerciais, contribuindo para fortalecer a sua autonomia tecnológica e a sua projecção internacional no sector aeroespacial.

Créditos das imagens: Força Aérea Brasileira.

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