Depois de uma fase fortemente marcada pela eletrificação, a FIAT entra em 2026 com uma correção estratégica mais pragmática. A marca italiana mantém a aposta nos elétricos, mas volta a dar espaço aos motores de combustão e, acima de tudo, prepara um reforço estrutural da gama com modelos concebidos para gerar volume.
O primeiro sinal desta mudança surge com o regresso do FIAT 500 Hybrid. Lançada em 2021 como exclusivamente elétrica, a atual geração do 500 afirmou-se como um símbolo da transição energética da marca. Ainda assim, depois de um arranque de carreira promissor, as vendas caíram de forma significativa e nunca voltaram a recuperar. Para inverter este cenário, a FIAT adaptou, de forma inédita, o seu elétrico para receber um motor de combustão.
Mais do que um recuo, trata-se de um ajuste ao ritmo efetivo do mercado. Assim, a partir de março, teremos em Portugal o 500 Hybrid, equipado com o conhecido motor 1.0 Firefly mild-hybrid de 12 V, com 65 cv. Custa menos 7000 euros - os preços arrancam nos 20 850 euros - do que o elétrico e já o conduzimos. Fique com as primeiras impressões ao volante:
Mas as maiores novidades da FIAT não passam pelo 500 nem pela família 500.
Panda é o novo pilar de crescimento da FIAT
É na família Panda que está a verdadeira transformação da FIAT. O Grande Panda - já em comercialização - é o primeiro de uma família de modelos que dará à marca italiana mais sinergias e economias de escala a… uma escala global, aproximando a FIAT europeia e sul-americana (a sua região mais forte) como há muito não acontecia.
Esta nova família representa algo mais profundo do que apenas novos modelos. Representa o regresso da FIAT aos automóveis verdadeiramente globais, algo que não fazia desde os tempos do Palio, nos anos 90. O Grande Panda, por exemplo, vai chegar ao Brasil ainda este ano e a família irá crescer em ambos os continentes com mais dois modelos. Para já, são conhecidos apenas como Giga-Panda e Fastback.
Tal como o Grande Panda, assentam na plataforma multi-energias Smart Car e não são esperadas surpresas no plano mecânico. Vão disponibilizar opções eletrificadas (1.2 Turbo mild-hybrid 48 V) e 100% elétricas (44 kWh e 54 kWh), com autonomias máximas em torno dos 400 km. O que os distinguirá será o formato.
O Giga-Panda, como o nome deixa antever, será um Panda… gigante, assumindo uma carroçaria SUV. Será equivalente aos já conhecidos Citroën C3 Aircross e Opel Frontera, com os quais partilha também a base técnica e a possibilidade de ter sete lugares. Já o Fastback deriva diretamente do Giga-Panda e o nome remete para a sua silhueta de «SUV-Coupé».
O Fastback tem sido visto com frequência em testes de estrada, mas deverá ser o último a chegar, no segundo semestre. O Giga-Panda poderá ser revelado ainda durante o primeiro semestre. Ambos irão ocupar, de forma indireta, o espaço deixado pelo Tipo, cuja produção terminou em 2025.
FIAT menos ideológica e mais pragmática
A FIAT não abandonou os elétricos, mas deixa de os impor como solução única, num passo estratégico que se estendeu a todas as marcas da Stellantis, passando por uma coexistência de soluções. E também por uma maior ambição em termos de volume, sobretudo no mercado europeu.
O regresso do 500 com motor de combustão é o primeiro passo - a FIAT estima 100 mil unidades por ano, quase cinco vezes mais do que atualmente -, mas é no Grande Panda e nos futuros membros desta família que reside a aposta estrutural. Com modelos pensados desde o início para diferentes regiões e diferentes sistemas de propulsão, a FIAT volta a procurar escala global.
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