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A Blue Origin planeia a missão Oasis-1 para mapear com precisão água e recursos no polo sul da Lua.

Grupo de cientistas analisa monitor com imagem da lua e estrutura tecnológica chamada Oasis-1.

Lançamento da missão Oasis-1 planeado para 2027–2028

A água existente nas regiões permanentemente sombreadas (PSRs) do polo sul da Lua é um recurso crucial para viabilizar uma presença humana permanente no satélite natural da Terra. No entanto, apesar das indicações de que existe gelo de água, a sua quantidade exata continua por determinar. Para passar de estimativas genéricas para dados úteis em cenários de extração, a Blue Origin propôs a missão Oasis-1, apresentada na Lunar and Planetary Science Conference (LPSC).

A Oasis-1 é uma missão composta por dois pequenos satélites, que serão libertados a partir do módulo de aterragem não tripulado MK1 da Blue Origin. Estes satélites entrarão numa órbita polar altamente elíptica, com pericentro a apenas 10 km acima do polo sul da Lua.

Para recolher dados detalhados, cada satélite será equipado com três instrumentos. O primeiro é um espectrómetro gama e de neutrões híbrido (GRNS), capaz de detetar água até uma profundidade de um metro. A baixa órbita da Oasis-1 permitirá alcançar uma resolução de cerca de 15 km por píxel, o que é 9 vezes melhor do que os dados existentes.

O segundo instrumento é um magnetómetro, que mapeará anomalias magnéticas da crosta com uma resolução de 15–30 km por píxel. Estes dados serão úteis não só para investigação científica, mas também para estimar a localização de metais preciosos do grupo da platina.

O terceiro instrumento é um multiespectrómetro, concebido para procurar hélio-3, um isótopo raro que poderá vir a ser utilizado em reatores de fusão nuclear no futuro. Este instrumento garantirá uma resolução inferior a 5 m por píxel.

A fase ativa da missão decorrerá durante 90 dias, seguida de uma descida controlada da órbita ao longo de 10 dias. Durante esta etapa, os instrumentos trabalharão no limite, recolhendo informação a altitudes ultrabaixas antes do impacto na superfície lunar.

Uma característica notável da missão é o seu modelo de negócio. A Blue Origin pretende licenciar a outras empresas comerciais os mapas baseados nos dados sobre recursos, o que ajudará a reduzir riscos e a aumentar a confiança dos investidores. Os dados sem valor comercial serão divulgados através do Centro Europeu de Inovação em Recursos Espaciais (ESRIC).

A Oasis-1 constitui a primeira fase do programa em três etapas Oasis Campaign. A segunda fase prevê a colocação de sistemas móveis na superfície lunar para um mapeamento mais detalhado, e a terceira envolve o início da extração de recursos. Este programa complementa o projeto Blue Alchemist, orientado para a produção de componentes a partir de recursos lunares.

O lançamento da Oasis-1 é esperado para o final de 2027 ou o início de 2028. Se a missão for bem-sucedida, representará um passo importante para a criação de uma infraestrutura sustentável na Lua.

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