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Procura de vacinas contra o HPV cresce nas farmácias portuguesas

Mulher a receber vacina no braço dada por profissional de saúde numa farmácia.

Procura de vacinas contra o HPV nas farmácias portuguesas

Tem-se verificado um aumento na procura de vacinas contra o vírus do papiloma humano (HPV) nas farmácias em Portugal, refletindo a preocupação de quem ainda não está abrangido pelo Plano Nacional de Vacinação e pretende proteger-se de infeções que podem evoluir para vários tipos de cancro, em especial o cancro do colo do útero.

Segundo informação remetida ao JN pela Associação Nacional das Farmácias, a dispensa destas vacinas tem vindo a subir: de 52.594 em 2023 passou para 57.102 em 2024, atingindo 61.390 no ano passado. Assim, em apenas dois anos, a procura aumentou cerca de 16%. Em 2026, a tendência mantém-se: nos primeiros quatro meses, as farmácias contabilizaram 21.083 vacinas contra o HPV vendidas, o que representa um crescimento de 4% face ao mesmo período do ano anterior.

Mais consciencialização e campanhas da LPCC

Para Vítor Veloso, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), esta evolução é um "sinal positivo" e mostra que "as pessoas estão mais consciencializadas de que com a vacinação, muita coisa dramática pode deixar de acontecer". A LPCC tem dinamizado, nos últimos anos, várias ações para "sensibilizar e dar conhecimento a todos", pelo que considera "natural que haja um aumento da compra de vacinas". Como sublinha, é percetível que estas vacinas são decisivas para erradicar doenças associadas ao HPV e para permitir que as pessoas se protejam a longo prazo.

"A decisão de alargar a vacinação contra o HPV até aos 26 anos, baseada em evidência científica sólida, é um passo extremamente relevante para conseguirmos proteger mais pessoas numa fase decisiva da vida"
Vítor Veloso

Plano Nacional de Vacinação: alargamento até aos 26 anos

Na maioria dos casos, a procura envolve pessoas que não tinham sido incluídas no Plano Nacional de Vacinação. Ainda assim, existem sinais de avanço nesta matéria, uma vez que o Ministério da Saúde anunciou recentemente a extensão da idade para vacinação contra o HPV até aos 26 anos.

Até aos 50 anos

A Liga considera a medida positiva, mas defende que é necessário ir mais longe. "A eliminação dos cancros associados ao HPV exige uma abordagem continuada e abrangente ao longo do ciclo de vida, sendo que não nos podemos esquecer do caminho que ainda falta percorrer. É fundamental continuar a refletir sobre as estratégias que permitam alargar a vacinação a outras faixas etárias, como entre os 30 e os 50 anos, mas também aos grupos da população particularmente vulneráveis".

Carlos Sottomayor realça que a vacina permite prevenir a "infeção por uma série de tipos de HPV, que podem levar ao desenvolvimento de cancros nas regiões genitais, colo do útero, pénis e ânus". Esclarece ainda, enquanto presidente do Colégio de Especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, que "não é uma vacina contra o cancro, é contra o vírus", mas que, ao impedir a infeção, "estamos a reduzir drasticamente os casos de cancro naquelas áreas".

"Os rastreios são importantes. Permitem detetar precocemente lesões malignas que podem ser tratadas sem necessidade de cirurgia ou outras técnicas mais invasivas",
Carlos Sottomayor

Além da vacinação, é apontada como essencial a continuidade do trabalho de sensibilização e a manutenção dos rastreios. Para Carlos Sottomayor, o rastreio do cancro do colo do útero - que normalmente abrange mulheres até aos 65 anos, muitas das quais não foram vacinadas - "é muito importante e continua a ser necessário".

Vírus comum

Exposição elevada
Estima-se que 75% a 80% das pessoas contactem com o HPV em algum momento da vida. Trata-se de um vírus frequente, transmitido por contacto sexual.

Diversos tipos
Há mais de 200 tipos de HPV. As vacinas conferem proteção contra os mais comuns e perigosos.

Rapazes e raparigas
A vacina contra o HPV faz parte do Plano Nacional de Vacinação desde 2008 para raparigas e, desde 2020, também para rapazes.

Relação com cancro
O HPV está associado a cerca de 100% dos cancros do colo do útero, 99% dos condilomas genitais, 84% dos cancros do ânus e a percentagens relevantes de cancros da orofaringe, vagina, vulva e pénis.

Rastreios e lesões
Em 2024, foram rastreadas ao cancro do colo do útero 344.405 mulheres, das quais 43.968 tiveram teste de HPV positivo. No rastreio ao cancro do cólon e reto, 20.230 dos 268.710 utentes rastreados apresentaram lesões identificadas por colonoscopia.


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