Um cidadão iraquiano, acusado de ter preparado pelo menos 18 atentados terroristas na Europa em benefício do Irão - entre os quais um ataque com faca contra judeus em Londres - foi entregue pela Turquia às autoridades dos Estados Unidos e está agora a ser acusado de apoiar organizações terroristas islamitas.
Entrega pela Turquia e acusações nos EUA
Segundo uma queixa tornada pública na sexta-feira num tribunal federal de Manhattan, Mohammad Baqer Saad Dawood Al-Saadi foi detido em território turco e posteriormente transferido para os Estados Unidos.
Al-Saadi, de 32 anos, enfrenta acusações de conspiração para prestar apoio material ao Kata'ib Hezbollah, um grupo militante xiita iraquiano apoiado pelo Irão, e à Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, entidades que o Governo norte-americano classifica como organizações terroristas estrangeiras.
Além disso, é acusado de conspirar e prestar apoio material para atos de terrorismo e de conspirar para fazer explodir um local público. De acordo com os procuradores, Al-Saadi desempenhava funções de comandante no Kata'ib Hezbollah.
Planos e alvos apontados em território norte-americano
A queixa indica que, no mês passado, Al-Saadi terá delineado um ataque contra uma sinagoga na cidade de Nova Iorque. No mesmo contexto, terá fornecido a um agente policial infiltrado fotografias e mapas de centros judaicos em Los Angeles e em Scottsdale, no estado do Arizona, que, segundo as autoridades, também pretendia atingir.
Os procuradores sustentam ainda que Al-Saadi deu instruções e incentivou terceiros a atacarem interesses dos Estados Unidos e de Israel, incluindo a morte de norte-americanos e de judeus.
De acordo com a acusação, partilhou detalhes sobre os ataques no Snapchat e no Telegram, e abordou-os em chamadas telefónicas gravadas por um informador do FBI, a quem terá pedido ajuda para preparar ações em solo norte-americano.
Ainda segundo a queixa, o iraquiano disse ao informador que estava disposto a matar pessoas em qualquer um desses ataques.
Declarações das autoridades e primeira audiência
O diretor do FBI, Kash Patel, classificou Al-Saadi como um "alvo de alto valor, responsável pelo terrorismo global em massa".
A comissária da polícia da cidade de Nova Iorque, Jessica Tisch - cujos agentes investigaram Al-Saadi no âmbito da Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo do FBI - afirmou que o caso "evidencia as ameaças globais representadas pelo regime iraniano e pelos seus aliados, como o Kata'ib Hezbollah".
Na sua primeira comparência em tribunal, Al-Saadi sorriu, mas não prestou declarações.
Por intermédio do seu advogado, declarou-se prisioneiro político e prisioneiro de guerra e alegou estar a ser visado pelas autoridades norte-americanas devido à sua ligação a Qasem Soleimani, o líder da Guarda Revolucionária morto num ataque de "drone" norte-americano em Bagdade, em 2020.
Al-Saadi continuará detido, embora possa pedir liberdade sob fiança.
O advogado de defesa, Andrew Dalack, afirmou que Al-Saadi foi detido na Turquia e entregue às autoridades norte-americanas.
Ataques no Canadá e alegadas ações reivindicadas na Europa
As autoridades dizem também que Al-Saadi esteve ligado a dois ataques recentes no Canadá: um contra uma sinagoga e outro contra o consulado norte-americano em Toronto, em março.
De acordo com a queixa-crime, Al-Saadi e parceiros não identificados planearam, coordenaram e reivindicaram a autoria de uma série de ataques em nome do Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya, um grupo associado ao Kata'ib Hezbollah, desde o início da guerra no Irão, a 28 de fevereiro.
Entre os episódios descritos constam o atentado com explosivos contra um edifício do Bank of New York Mellon, em Amesterdão, em meados de março, e uma tentativa de atentado frustrada contra um escritório do Bank of America, em Paris, a 28 de março, segundo a acusação.
No caso de Amesterdão, o ataque provocou um incêndio e danos consideráveis no edifício, sem registo de feridos, de acordo com relatos da imprensa local.
A queixa refere ainda que o atentado terá ocorrido após uma explosão diante de uma escola judaica na mesma cidade - episódio que, segundo os investigadores, Al-Saadi celebrou no Snapchat.
Em Paris, a polícia encontrou um engenho explosivo improvisado constituído por um recipiente cheio de gasolina ligado a um fogo de artifício de elevada potência. Especialistas forenses indicaram que o dispositivo continha 650 gramas de explosivos e que poderia ter provocado uma grande bola de fogo e um incêndio de grandes dimensões.
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