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Evo Morales acusa exército boliviano e Estados Unidos de plano para o deter ou assassinar

Homem de camisa branca e calças azuis acena para multidão com bandeiras coloridas numa estrada rural.

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales (2006-2019), que tem sido apontado como financiador da mais recente vaga de protestos no país, afirmou que existe um plano do exército boliviano e dos Estados Unidos para o deter ou o matar.

Acusações de Evo Morales sobre um plano para o deter ou assassinar

Numa mensagem publicada nas redes sociais, Morales disse que autoridades bolivianas e norte-americanas estão por trás de uma campanha de "difamação, insultos e acusações sem provas".

"Os Estados Unidos ordenaram ao Governo de [atual presidente boliviano] Rodrigo Paz que realizasse uma operação militar, com o apoio da DEA [agência antidroga dos Estados Unidos] e do Comando Sul [do exército] dos EUA, para me prender ou matar", declarou Morales.

O antigo chefe de Estado indicou ainda o ex-ministro do Governo, Carlos Sánchez, e o vice-ministro da Defesa Social, Ernesto Justiniano, como alegados instigadores dessa operação, acrescentando que militares e agentes estrangeiros já estariam posicionados na região de Chapare, em Cochabamba.

Evo Morales em Chapare e processo criminal

Morales mantém-se na região de Chapare desde outubro de 2024, protegido por centenas de apoiantes, com o objetivo de evitar a sua detenção no âmbito de um processo criminal por tráfico humano qualificado.

De acordo com o Ministério Público, Morales terá mantido uma relação com uma menor e, enquanto era presidente, terá tido uma filha com ela.

DEA em La Paz e acusações de financiamento dos protestos

Na quinta-feira, o Governo da Bolívia comunicou que a DEA vai abrir um escritório na capital, La Paz, destinado a coordenar e a trocar informação com as autoridades locais, embora os agentes norte-americanos não venham a participar em operações conjuntas.

Também nesse dia, o porta-voz presidencial José Luis Gálvez acusou Evo Morales de recorrer a dinheiro proveniente do tráfico de droga para financiar a vaga de protestos que tem afetado a Bolívia.

Paralisação mineira, bloqueios rodoviários e crise económica

Na sexta-feira, o Governo anunciou ter alcançado um acordo para desbloquear a crise com o setor mineiro, depois de milhares de mineiros terem paralisado La Paz e exigido a demissão do presidente Rodrigo Paz.

"Tivemos uma reunião muito longa, quase 12 horas de discussões", que terminaram ao amanhecer, afirmou à imprensa o ministro da Economia José Gabriel Espinoza. "Chegámos a vários acordos que serão anunciados", acrescentou, sem adiantar mais pormenores.

Entre as principais exigências dos mineiros estavam o abastecimento de combustível para o setor, o alargamento das zonas mineiras e a disponibilização de explosivos para o trabalho.

Até então, diziam não ter sido ouvidos pelo governo de centro-direita de La Paz, no poder desde novembro.

Entretanto, quase todos os acessos rodoviários a La Paz foram bloqueados, e a administração boliviana das estradas assinalou pelo menos 26 pontos de bloqueio no departamento da capital administrativa, travando o abastecimento de alimentos.

Para além dos mineiros, o executivo enfrenta protestos de vários setores - trabalhadores, camponeses, professores, funcionários dos transportes e grupos indígenas - com reivindicações que vão de aumentos salariais à oposição à privatização de empresas públicas.

A Bolívia atravessa uma crise económica grave associada à escassez de divisas estrangeiras. Em abril, a inflação anual chegou aos 14%.

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