As crateras mais antigas permanentemente em sombra da Lua concentram as maiores reservas de água
Um novo estudo, realizado por investigadores da Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP) e do Instituto de Ciências Planetárias (PSI), mostrou que a água na Lua se foi acumulando ao longo de milhares de milhões de anos. Esta descoberta é especialmente relevante para futuras bases lunares e para missões de exploração.
A investigação foi liderada por Oded Aharonson, do Instituto Weizmann, em Rehovot, Israel, em conjunto com os cientistas Paul O. Hayne e Norbert Schörghofer. A equipa analisou dados de um mapa térmico da Lua obtidos pelo radiômetro Diviner Lunar Radiometer Experiment (DLRE), a bordo da sonda orbital Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), e recorreu também a modelação computacional da evolução das crateras lunares.
Os resultados indicam que as crateras mais antigas e mais escuras da Lua, como a cratera de impacto Hawthorn, que permanece em sombra há mais de 3 mil milhões de anos, contêm a maior quantidade de gelo. Isto reforça a hipótese de que a água se foi acumulando gradualmente, em vez de ter sido trazida por um único grande evento no passado.
As origens possíveis dessa água incluem atividade sísmica, cometas, asteroides e o vento solar. No entanto, a proveniência exata continua por esclarecer. Os investigadores sublinham que, para chegar a uma resposta definitiva, será necessário analisar amostras que possam ser recolhidas em missões robotizadas ou tripuladas.
A presença de água na Lua é essencial para a criação de bases na região do Polo Sul. A água pode servir para consumo humano, cultivo de plantas e também para produzir hidrogénio líquido e oxigénio, utilizados como combustível de foguetões. A NASA, a ESA, a China e a Rússia já têm planos para construir bases nestas áreas.
Para aprofundar o estudo da água lunar, a equipa de Hayne está a desenvolver um novo instrumento - o sistema infravermelho compacto L-CIRiS - que a NASA prevê enviar para o Polo Sul da Lua em 2027. Estas investigações deverão ajudar a compreender melhor a distribuição da água e a sua origem, além de preparar o terreno para futuras missões.
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