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A geração dos anos 50 e a força da resiliência

Homem idoso e menino conversam à mesa, com foto antiga e tablet na mão do menino.

Quem hoje conversa com pessoas nascidas nos anos 1950 percebe depressa uma diferença clara: essa geração funciona de outro modo. Queixa-se menos e faz mais. Para os psicólogos, isto não é acaso, mas sim o resultado de uma educação em que uma coisa era incontestável: ninguém te deve nada, por isso trata de resolver o que tiveres em mãos.

A geração dos anos 50 que não esperava nada - e foi por isso que ganhou força

Muitos avós e pais que vieram ao mundo nos anos 50 dificilmente usariam a palavra “resiliência”. Ainda assim, viveram exatamente aquilo que a psicologia moderna descreve como resistência psíquica. Cresceram na sombra da guerra, da reconstrução e, muitas vezes, de condições apertadas.

Quando algo corria mal, não havia grandes discussões. Reparava-se, improvisava-se e seguia-se em frente. Não porque estas pessoas tivessem nascido “mais duras”, mas porque simplesmente não partiam do princípio de que outra pessoa resolveria os seus problemas por elas.

A suposição silenciosa desta geração era esta: a vida não me deve nada - se quiser alguma coisa, tenho de a conquistar por mim.

Esta ausência de expectativa parece severa, mas, do ponto de vista psicológico, funciona quase como um programa de treino. Quem não espera ser salvo começa mais cedo a procurar soluções próprias - e vai percebendo repetidamente que agir por conta própria faz diferença.

O “vacino” psicológico contra desistir: stress em pequenas doses

O psicólogo canadiano Donald Meichenbaum criou o conceito de “inoculação contra o stress”. A ideia é simples: tal como uma vacina fortalece o sistema imunitário através de um contacto controlado e pequeno com um agente patogénico, também dificuldades moderadas podem fortalecer a nossa resistência emocional.

A dose é o que conta. Stress a mais sobrecarrega e adoece. Stress a menos faz com que não desenvolvamos quaisquer “músculos” internos para enfrentar situações difíceis. Foi precisamente aqui que a realidade de muitas crianças dos anos 50 teve um papel especial:

  • surgiam problemas pequenos com regularidade, mas raramente havia socorro imediato;
  • era preciso desenrascar-se sozinho, por exemplo no caminho para a escola ou no regresso a casa já de noite;
  • os erros eram desconfortáveis, mas não representavam perigo de vida.

Um joelho esfolado, um autocarro perdido, um cinco a Matemática - nada disto era tratado como catástrofe, mas como parte da rotina. O ponto essencial era este: as crianças podiam lidar com estas situações por si. Assim nascia algo que nenhum elogio e nenhuma redoma protetora conseguem substituir: a sensação concreta de eficácia pessoal.

Porque é que a infância de hoje é muitas vezes demasiado “polida”

Em muitas famílias atuais, os obstáculos são removidos o mais cedo possível. Os pais negoceiam com os professores, organizam explicações, intervêm logo em caso de conflito e levam os filhos a todo o lado. A intenção é boa, sem dúvida. Mesmo assim, perde-se um aprendizado decisivo: a experiência de dizer “eu consigo resolver isto sozinho”.

Quem nunca aprende a enfrentar pequenas crises por conta própria sente-se mais depressa à mercê das circunstâncias - e passa a interpretar o desconforto como sinal de que algo está fundamentalmente errado, em vez de o encarar como uma parte normal da vida.

Controlo interno e externo: quem manda na minha vida?

Um segundo conceito central da psicologia vem de Julian Rotter: a chamada crença de controlo, tecnicamente “locus de controlo”. A pergunta é esta: acredito que a minha vida depende sobretudo das minhas próprias ações - ou do acaso, da sorte, do azar, das circunstâncias e das outras pessoas?

Crença de controlo interna Crença de controlo externa
“Se me esforçar, consigo mudar alguma coisa.” “Isso não adianta, os outros é que decidem o meu destino.”
Erro = oportunidade de aprendizagem Erro = prova de que o sistema é injusto
Mais resistência e mais iniciativa Mais frustração e desistência mais rápida

Os estudos mostram que, nas últimas décadas, as médias se deslocaram claramente para a “crença de controlo externa”. Os estudantes dos anos 2000 apresentavam muito mais a sensação de que a vida lhes “acontece” em vez de ser moldada por eles.

Já os nascidos nos anos 50 viviam repetidamente relações de causa e efeito muito diretas: quem arregaçava as mangas via resultados. Quem não fazia nada sentia logo as consequências. Não existia uma aplicação que resolvesse problemas automaticamente, não havia um chat dos pais a organizar trabalhos de casa, nem uma rede de segurança permanente. Isso deixa marcas.

Quem, desde cedo, sente: “O que faço tem impacto”, tende a desenvolver mais persistência - também nos momentos difíceis.

A resiliência não nasce do sofrimento, mas de desafios que se podem resolver

Há um equívoco muito comum: quanto mais duro tiver sido tudo, mais forte alguém se torna depois. A investigação diz o contrário. O decisivo não é o quão grave foi a situação, mas sim se a pessoa ainda sente margem para agir.

A psicóloga Emmy Werner acompanhou no Havai quase 700 crianças, nascidas a meio dos anos 50, durante décadas. Muitas cresceram na pobreza, com problemas familiares ou com pais doentes. Ainda assim, um terço destas crianças em risco elevado tornou-se, apesar de tudo, em adultos estáveis e responsáveis.

O que distinguia estas crianças eram certos fatores de proteção:

  • pelo menos uma figura de referência fiável;
  • oportunidades para tomar decisões e assumir responsabilidade por si;
  • uma forma de lidar com as dificuldades mais próxima, ativa e disponível.

A dureza, por si só, não torna ninguém forte. Em muitos casos, quebra as pessoas. O que fortalece é, sobretudo, um ambiente em que os problemas existem, mas são vividos como manejáveis em termos gerais - e em que ninguém transmite permanentemente: “Isto é grande demais para ti, não tens de aguentar”.

Quando a exigência de tudo fácil devora a perseverança

O oposto da resiliência não é apenas fragilidade, mas sim uma forte sensação de direito: a vida devia ser confortável. Se não for, então alguém tem de ser culpado.

Quem aprende desde cedo que qualquer desconforto é um erro do sistema desenvolve mais facilmente uma crença de controlo externa. Nessa lógica, os reveses deixam de parecer tropeços normais e passam a ser encarados como um escândalo. Isso reduz a vontade de continuar, mesmo quando o caminho se torna penoso.

Os nascidos nos anos 50 quase não tinham essa opção. Ninguém lhes prometeu uma vida confortável. Nenhum patrão, nenhum Estado, nenhuns pais lhes disseram: “Nós tratamos de garantir que estás sempre bem.” E foi precisamente isso que, paradoxalmente, lhes deu liberdade: quem não espera muito, começa com mais facilidade a construir o próprio caminho.

O que isto significa hoje para pais e avós

Muitos pais da geração dos anos 50 são hoje avós e observam com estranheza a educação atual: tudo parece protegido, organizado e pensado pedagogicamente ao detalhe. Mesmo assim, muitas crianças e jovens parecem hoje mais cansados, mais ansiosos e mais facilmente sobrecarregados.

Os psicólogos aconselham: não se trata de voltar à época do pós-guerra. Mas alguns princípios dessa altura podem ser aproveitados:

  • as crianças podem correr pequenos riscos (ir sozinhas às compras, andar de bicicleta);
  • os erros não precisam de ser “corrigidos” de imediato - primeiro vale a pena perceber o que a criança consegue fazer sozinha;
  • o tédio não é uma emergência, mas um campo de treino para a iniciativa própria.

Como recuperar, em adulto, um pouco da mentalidade dos anos 50

As experiências da infância não podem ser alteradas a posteriori. Mas é possível trabalhar a própria atitude interior. Uma abordagem é procurar deliberadamente situações em que se volta a ser principiante - sem garantias e sem rede de proteção.

Aprender um instrumento, criar uma pequena atividade paralela, experimentar um ofício: quem se entrega a isso sente na pele como o crescimento acontece realmente. Devagar, de forma desconfortável e, por vezes, embaraçosa. E é precisamente assim que se ganha força.

Cada dificuldade ultrapassada por iniciativa própria, por pequena que seja, faz o ponteiro interior avançar um pouco mais na direção de “eu consigo influenciar alguma coisa”.

Quem quiser reforçar a crença de controlo interna pode usar pequenas alavancas no dia a dia:

  • perante problemas, perguntar primeiro: “O que está dentro da minha esfera de influência?”
  • registar de forma consciente que passos foram dados por si próprio - e não avaliar apenas o resultado;
  • orientar crianças e jovens para encontrarem soluções, em vez de lhes retirar a tarefa e resolver por eles.

A geração dos anos 50 costuma viver este princípio com grande naturalidade. Para muitos dos seus membros, trabalho duro, privação e insegurança não eram uma tragédia, mas a norma. Não esperavam que alguém lhes abrisse caminho - e foi precisamente isso que os tornou mais resistentes do que talvez imaginem.

Numa época em que muita coisa é mais confortável, mas em que o peso psicológico parece aumentar, vale a pena olhar para esta postura. Não por nostalgia, mas por um motivo simples: quem espera menos da vida acaba muitas vezes mais preparado quando as coisas ficam sérias.

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