Arranque da Campanha Antártica de Verão (CAV) 2025/2026
A Campanha Antártica de Verão (CAV) 2025/2026 teve início na quinta-feira passada, com uma cerimónia no Apostadeiro Naval de Buenos Aires, junto ao quebra-gelo ARA Almirante Irízar. A embarcação deverá largar amarras durante a madrugada, rumo à Antártida, para dar início às operações logísticas e científicas previstas para esta época.
A sessão foi presidida pelo Ministro da Defesa, Dr. Luis Alfonso Petri, acompanhado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comércio Internacional e Culto, Lic. Pablo Quirno. Marcaram também presença o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Brigadeiro-General Xavier Julián Isaac, e os Chefes dos Estados-Maiores-Gerais da Marinha Argentina, Almirante Carlos María Allievi, do Exército Argentino, Tenente-General Carlos Alberto Presti, e da Força Aérea Argentina, Brigadeiro-Maior Gustavo Javier Valverde.
Estiveram ainda no local autoridades das Forças Armadas, representantes da Direção Nacional do Antártico, membros das guarnições que passarão o inverno nas bases permanentes e temporárias, cientistas, convidados e familiares da tripulação do quebra-gelo.
A cerimónia abriu com o Hino Nacional Argentino, interpretado pela Banda de Música do Estado-Maior-General da Marinha, seguindo-se uma invocação religiosa conduzida pelo Bispo Castrense, Monsenhor Santiago Olivera.
No seu discurso, o Chefe do Estado-Maior Conjunto assinalou o arranque da 122.ª campanha nacional no continente austral. “Não se tratava somente de uma Campanha de Verão, mas de *‘um compromisso com a Pátria que dura todo o ano’*”, afirmou o Brigadeiro-General Isaac. Acrescentou ainda: “Não tenho nenhuma dúvida que, pelo profissionalismo e pela valia da nossa gente, vai ficar bem alto o prestígio do nosso bendito país, Argentina”.
Por seu lado, o Ministro Pablo Quirno dirigiu-se às guarnições civis e militares que integrarão a missão: “O trabalho de vocês é um motivo de orgulho para o país e para os seus compatriotas”. Reforçou igualmente a continuidade histórica da presença nacional: “Estamos aqui depois de 122 anos de presença antártica ininterrupta, sustentando o esforço científico e diplomático. Todas as tarefas que serão levadas a cabo no futuro são resultado do que foi feito. Boa largada, e que ventos aprazíveis vos acompanhem nesta singradura”.
O Ministro da Defesa, Dr. Petri, salientou a relevância estratégica do dispositivo: “É o continente branco onde a Argentina tem de se projetar bicontinentalmente. Somos o país que tem mais história na Antártida Argentina, temos de cumprir com a história e o legado dos nossos próceres”.
No encerramento, o Comandante do Comando Conjunto Antártico, Comodoro de Marinha Maximiliano Mangiaterra, pediu autorização para ordenar a zarpada do quebra-gelo, formalizando o começo da campanha. O navio seguirá com 313 tripulantes e retomará o seu papel central no apoio à investigação, no transporte e na logística entre bases.
Operação e objetivos da CAV 2025/2026
Objetivos da CAV 2025/2026
O foco desta nova campanha passa por manter a atividade científica nacional e garantir a operacionalidade da infraestrutura estratégica na Antártida.
Entre as iniciativas programadas estão:
- Dar continuidade à segunda fase do plano de desenvolvimento da Base Antártica Conjunta Petrel;
- Assegurar apoio ao projeto científico-espacial da CONAE na Base Belgrano II;
- Reativar as bases temporárias Brown, Cámara, Decepción, Melchior e Primavera.
Para concretizar estas tarefas, serão destacados 1.365 efetivos das Forças Armadas, além de equipas científicas, técnicas e logísticas. Para lá do ARA Almirante Irízar, participará também um navio do tipo aviso, com 67 tripulantes.
Preparação do ARA Almirante Irízar antes da campanha
Provas e navegação prévias ao início da campanha
No início de novembro, a Marinha Argentina deu começo ao aprontamento do ARA Almirante Irízar com uma navegação de cinco dias pelo Mar Argentino. O objetivo foi realizar as tradicionais provas de máquinas, essenciais para avaliar o desempenho dos sistemas do navio e o grau de prontidão da sua guarnição antes do destacamento para a Antártida.
Durante esta fase, foram verificados os sistemas de propulsão, navegação e controlo, a par do treino do pessoal em procedimentos operacionais e de emergência. Estas navegações anuais servem para certificar o estado técnico do quebra-gelo após os trabalhos de manutenção em doca.
Em ocasiões anteriores, estas saídas ao mar incluíram manobras particularmente exigentes, como provas de máquinas, exercícios de abandono, simulações de combate a incêndios e a manobra Crash-Stop, que mede a capacidade do navio para parar a partir de velocidade de cruzeiro. Este treino é determinante para operar num ambiente antártico marcado pelo gelo, pelas baixas temperaturas e pelo isolamento.
Como parte do aprontamento, o quebra-gelo realizou igualmente exercícios com helicópteros Sea King da Aviação Naval, através de manobras PAYD (Prática de Aterragem e Descolagem). Estas práticas permitem instruir pilotos e pessoal de convés em operações helitransportadas, indispensáveis para o apoio às bases antárticas.
Imagem de capa do Almirante Irízar a título ilustrativo.
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