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Exército Argentino e Força Aérea Argentina compram seis helicópteros Bell 407GXi para alta montanha

Piloto com capacete senta-se no interior de helicóptero estacionado numa plataforma, com montanhas ao fundo.

Após anos de avaliações e alguns avanços e recuos que acabaram por esticar os prazos, o Exército Argentino e a Força Aérea Argentina vão, por fim, passar a dispor de um novo helicóptero para operações em alta montanha. Entre os candidatos analisados, a escolha final recaiu no Bell 407GXi, modelo para o qual o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas formalizou um contrato com vista à aquisição de seis aeronaves.

De acordo com o que foi divulgado pelo EMCO, três Bell 407GXi serão entregues ao Comando de Aviação do Exército, enquanto os outros três seguirão para a Força Aérea. Estas últimas unidades deverão adoptar uma configuração específica, muito provavelmente com os equipamentos e acessórios necessários a missões de resgate em alta montanha. No comunicado do Estado-Maior Conjunto foi indicado que: “…O objectivo geral desta compra, cujo processo teve início no ano de 2011, é recuperar a capacidade de operações com helicópteros de montanha na República Argentina… Sendo este um projecto Conjunto, isto é, com duas ou mais forças a empregar o mesmo material, reduzem-se os tempos e os custos de formação do pessoal (pilotos, técnicos e mecânicos), além de se manter um mesmo suporte logístico e facilitar a interoperabilidade entre elas…”.

Relativamente ao processo de aquisição, o Tenente-General Juan Martín Paleo afirmou que este “…responde ao planeamento estratégico que se está a executar e permitirá não só a sua utilização em actividades operacionais específicas em montanha, como também o seu emprego em missões de busca, resgate e salvamento (SAR) em zona cordilheira e apoio à comunidade” através de evacuações aeromédicas em situações de catástrofes naturais ou provocadas pelo homem (sismos, inundações, incêndios florestais)…”*.

Embora não tenha sido comunicado oficialmente o valor nem os itens contemplados no contrato, a compra destes helicópteros foi por diversas vezes incluída nos orçamentos dos últimos anos, no âmbito das denominadas “Operações de Crédito Público”. O montante autorizado teria sofrido variações: em 2021 foi de USD 36 milhões, enquanto para 2023 foi aprovado um total de USD 30 milhões. Com base em algumas fontes abertas, o custo unitário fly-away do Bell 407GXi estaria na ordem dos USD 3,6 milhões, valor que, naturalmente, pode mudar consoante a configuração escolhida, acessórios, entre outros factores.

Em meados de Dezembro já se tinha antecipado a possibilidade de uma definição contratual num horizonte próximo, cenário que acabou por ser corroborado pelo Ministro da Defesa, Jorge Taiana, ao referir que a Argentina procurava garantir as melhores condições para a compra. Segundo várias fontes consultadas na altura, o primeiro Bell 407GXi deverá chegar ao longo de 2023, a partir de quando irá complementar e substituir gradualmente os SA-315B Lama hoje operados pela Secção de Aviação do Exército de Montanha 8 e pela IV Brigada Aérea.

Bell 407GXi

Herdeiro de uma linhagem longa e bem-sucedida, o Bell 407 começou a ganhar forma em meados dos anos 90, incorporando ensinamentos recolhidos com o Bell 206L-4 Long Ranger. O primeiro 407 de produção voou a 10 de Novembro de 1995, trazendo melhorias como uma fuselagem mais larga, um turboeixo Rolls-Royce/Allison 250-C47 e um rotor principal de material compósito, com quatro pás, desenvolvido para o helicóptero de reconhecimento OH-58D Kiowa Warrior. A maior potência da motorização possibilitou elevar o peso máximo à descolagem e melhorar o desempenho em operações com temperaturas mais elevadas e/ou em altitudes superiores. Desde o voo inaugural até hoje, a Bell já produziu mais de 1500 helicópteros da família 407.

Com o tempo, o modelo foi sendo actualizado, dando origem às variantes 407GX (Rolls Royce 250-C47B e aviónica Garmin G1000H), ao 407GXP (Rolls Royce 250-C47B/8) e, por fim, ao Bell 407GXi. O Bell 407 também serviu de base a algumas versões militarizadas, como o falhado ARH-70 Arapaho (reconhecimento armado), o Bell 407GT (uma versão melhorada do IA407 ao serviço da Força Aérea do Iraque) e o veículo aéreo não tripulado MQ-8C Fire Scout, da Marinha dos EUA.

No caso do Bell 407GXi, a versão mais recente passou a integrar um turboeixo Rolls-Royce 250-C47E/4 com tecnologia FADEC, solução que melhora o desempenho quando é necessário operar em condições “hot and high” (quente e alto), a par de uma velocidade de cruzeiro de 133 kts (246 km/h). Segundo o fabricante, este desempenho superior também se deve à cabina de pilotagem equipada com a aviónica Garmin G1000H® NXi, que disponibiliza às tripulações informação crítica de voo.

Garmin G1000H NXi

A suíte de aviónica integrada Garmin G1000H NXi instalada no Bell 407GXi foi concebida para aumentar a consciência situacional da tripulação e, em simultâneo, reduzir a carga de trabalho do piloto. Para isso, recorre a ecrãs que facilitam a leitura de dados essenciais de voo, melhorias na sintonização de frequências de comunicações e navegação e uma gestão simplificada do planeamento de voo.

Na configuração standard do Bell 407GXi com G1000H NXi estão incluídos o Sistema de Visão Sintética (SVS), a instalação inicial do sistema de aviso de colisão com o terreno (HTAWS) e a base de dados de navegação. O sistema utiliza cartões SD para simplificar tarefas de entrada/saída de dados, como o carregamento de planos de voo e bases de dados, ou a descarga de dados críticos de voo.

Os principais componentes do sistema de aviónica integrada Garmin G1000H NXi incluem:

  • Dois ecrãs LCD de alta definição GDU 1050H de 10,4″ (26,4 cm) (PFD/MFD permutáveis)
  • Duas unidades de aviónica integrada GIA 64H, com receptor GPS/WAAS, transceptor VHF COM, receptores VHF NAV e geração de alertas acústicos
  • Unidade de motor e fuselagem GEA 71HB (processamento de sinais dos parâmetros do motor e dos principais sensores do sistema)
  • GSU 75 Sistema de Referência de Dados Aéreos e de Rumos/Atitude e magnetómetro GMU 44
  • Sistema de áudio GMA 350Hc
  • Transponder Extended Squitter (ES) Modo S GTX 335R

Entre as opções disponíveis para a aviónica Garmin G1000H NXi contam-se um radar altímetro GRA 55, kits de piloto automático de 2 e 3 eixos e uma unidade GSR 56H IRIDIUM para transmissão de dados/voz, entre outras.

Entre as funcionalidades disponibilizadas pelo software Garmin G1000H® NXi encontra-se a função de Busca e Salvamento, que inclui quatro padrões básicos de pesquisa (Pista Paralela, Sector, Quadrado Expansivo e Circular), fornecendo às tripulações aéreas procedimentos guiados, passo a passo, para missões de busca e resgate.

Motor Rolls-Royce M250-C47E/4

A adopção do Rolls-Royce M250-C47E/4 permitiu aumentar em até 8% a potência em condições “quente e alto”, ao mesmo tempo que reduziu em 2% o Consumo Específico de Combustível (SFC). Na prática, isto traduz-se em mais autonomia e maior carga útil (interna e externa). O motor M250-C47E/4 integra ainda um moderno sistema FADEC de duplo canal, de última geração, que acrescenta segurança e capacidade de registo de dados.

Segundo dados divulgados pela Bell, o 407GXi apresenta uma carga útil externa significativamente superior em atitude, ou um tecto de voo estacionário mais elevado para o mesmo peso bruto. Como exemplo, a 6.000 pés (c. 1.829 m), ISA +20°C, o Bell 407GXi disponibiliza mais 147 kg em operações de carga externa.

Configuração

O Bell 407GXi dispõe de uma cabina de 2,4 m³, com capacidade para cinco passageiros (ou 3,7 kg/m²) e dois tripulantes, podendo ser configurado para evacuação médica, transporte de pessoal, busca e resgate, combate a incêndios, vigilância, entre outras missões. Pode receber vários acessórios, como guinchos de resgate, gancho para eslinga de carga externa, bambi-bucket, sistemas electro-ópticos EO/IR, projectores de busca, entre outros.

No capítulo da segurança, o 407GXi inclui um sistema de combustível resistente, um sistema de monitorização de excesso de potência do motor e um acelerador montado no colectivo que mantém a potência ao alcance do piloto.

Quanto aos custos de operação, várias fontes consultadas apontam valores na ordem dos 650 a 700 dólares por hora de voo (considerando combustível, lubrificantes, manutenção básica da célula e do grupo propulsor). A este valor acrescem custos indirectos, como seguro, remuneração da tripulação e outros itens (que variam consoante o país).

Imagem de capa: White Saddle Air Service

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