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Advogados de Cole Tomas Allen pedem afastamento de Todd Blanche e Jeanine Pirro no caso de tentativa de homicídio de Donald Trump

Jovem com braço imobilizado conversa com dois advogados em corredor de tribunal.

Pedido de impedimento no Departamento de Justiça no caso Cole Tomas Allen

Os advogados do homem acusado de tentar matar Donald Trump pediram, na segunda-feira, que dois altos responsáveis do Departamento de Justiça sejam afastados do processo, invocando um possível conflito de interesses.

Segundo a defesa, o procurador-geral interino Todd Blanche e a procuradora federal Jeanine Pirro encontravam-se no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca na noite em que o arguido, Cole Tomas Allen, terá irrompido armado por um posto de segurança e disparado contra um agente do Serviço Secreto. Para o advogado de defesa Eugene Ohm, essa circunstância pode fazer com que ambos sejam considerados vítimas ou testemunhas no processo.

Ohm adiantou ainda que é provável que venha a tentar desqualificar de todo o caso o gabinete de Pirro e defendeu a possibilidade de ser designado um procurador especial.

O juiz distrital Trevor McFadden, nomeado por Trump, não tomou uma decisão imediata sobre o pedido, mas solicitou aos advogados de Allen que clarificassem o potencial alcance do impedimento pretendido.

McFadden concedeu aos procuradores prazo até 22 de maio para responderem por escrito ao requerimento da defesa, indicando de forma específica se, na sua perspectiva, Pirro e Blanche devem ou não ser tratados como vítimas no processo.

Audiência de instrução e risco de pena

Allen apresentou-se esta segunda-feira em tribunal federal para a audiência de instrução algemado e com uniforme prisional, declarando-se inocente.

A declaração de inocência foi formalizada por um dos seus advogados, tendo o arguido permanecido em silêncio durante a curta sessão.

O acusado deverá voltar a comparecer em tribunal a 29 de junho e arrisca prisão perpétua caso venha a ser condenado pela acusação de tentativa de homicídio.

Allen ficou ferido

Além da imputação de tentativa de homicídio, Allen é também acusado de agredir um agente federal com uma arma letal e de outros dois crimes ligados a armas de fogo.

O ataque ocorreu a 25 de abril, no hotel Washington Hilton, e interrompeu - acabando por conduzir ao encerramento antecipado - um dos eventos anuais com maior impacto na capital norte-americana. Um agente do Serviço Secreto foi atingido, mas o colete à prova de balas evitou consequências mais graves.

De acordo com as autoridades, o elemento do Serviço Secreto responsável pela segurança presidencial efectuou cinco disparos, mas não atingiu ninguém.

Allen, professor e engenheiro californiano de 31 anos, com um historial académico destacado, ficou ferido, embora não tenha sido atingido pelos tiros.

Após a detenção, o suspeito foi colocado sob vigilância de prevenção de suicídio, mas os serviços prisionais retiraram essa medida alguns dias depois.

Os seus advogados queixaram-se de que terá sido mantido sem necessidade numa cela almofadada com iluminação permanente, submetido a revistas íntimas repetidas e algemado sempre que saía da cela.

Ainda segundo os procuradores, minutos antes do ataque Allen tirou uma fotografia no quarto de hotel, na qual aparecia com uma bolsa de munições, um coldre de ombro e uma faca embainhada.

"Assassino federal amigável"

Numa mensagem que, segundo as autoridades, ajuda a perceber a motivação, Allen descreveu-se como um "Assassino federal amigável" e fez uma referência indirecta a queixas relativas a várias medidas da administração republicana de Trump.

As autoridades sustentam que Allen reservou um quarto no Hilton a 6 de abril, semanas antes do evento, e que viajou de comboio da Califórnia até à capital, tendo feito o check-in no dia anterior ao jantar.

Na noite de 25 de abril, Trump foi retirado à pressa do palco pela equipa de segurança, juntamente com a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente JD Vance. Duas horas mais tarde, Trump surgiu na Casa Branca, ainda de smoking, para falar sobre o ataque e sobre o suspeito.

Este episódio é descrito como a terceira tentativa de assassínio contra Donald Trump, de 79 anos, em menos de dois anos.

Em julho de 2024, durante um comício de campanha, Trump ficou ferido por um disparo numa orelha e voltou a ser alvo de outra tentativa de ataque alguns meses depois, no seu campo de golfe na Florida.

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