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Em 2025, Renault 5 vence o Carro do Ano europeu (COTY)

Carro amarelo Renault em exposição, prémio "Carro do Ano 2025" ao lado.

A conquista do Renault 5 no Carro do Ano europeu de 2025 não nasceu de um golpe de sorte nem de uma decisão apertada. Entre os sete finalistas, foi aquele que somou mais votos em primeiro lugar - 25 no total - nas escolhas dos 60 jurados (todos jornalistas europeus) de 23 países.

Na prática, isso mostra que o R5 conseguiu convencer um número invulgarmente alto de votantes, tanto pelo seu cativante design de inspiração rétro como pelo equilíbrio entre diversão ao volante e competência (sem sacrificar o conforto), além de um sistema de infoentretenimento surpreendentemente sofisticado para este segmento.

Em contrapartida, o preço elevado penaliza-o (a partir de 25 000 euros), tal como a falta de espaço na segunda fila. O Alpine A290, baseado no R5, também foi distinguido - é a cereja no topo do bolo.

Como tudo começou

A entrega do galardão ao Renault 5 e ao Alpine A290, que este ano aconteceu mais cedo do que é habitual, no Salão de Bruxelas (devido ao fim do Salão de Genebra, palco tradicional desta cerimónia), é o culminar de um processo iniciado no verão passado.

Todos os anos, um painel composto por 60 jornalistas europeus - e de que me orgulho de fazer parte há 25 anos - decide qual é o carro do ano num continente conhecido por ter consumidores muito exigentes e uma concorrência particularmente feroz.

O Car of the Year (COTY) é o prémio mais valorizado por toda a indústria, não só pela dificuldade em o ganhar como também por ser o mais antigo do mundo (desde 1964).

E por ser um dos poucos que não tem patrocinadores externos, além das editoras que o organizam, e por os modelos a concurso não pagarem um cêntimo para participar, o que se perde em eventos glamorosos ganha-se em independência - porque “à mulher de César não basta ser, tem que parecer”.

Tem um modelo de votação transparente, que mais tarde foi seguido pela imprensa nos Estados Unidos para criar um troféu semelhante. Um dos aspetos mais valorizados é o facto de existir apenas “um” Car of the Year, e não múltiplas categorias - executivo do ano, SUV do ano, elétrico do ano, etc. -, que servem sobretudo para diluir o valor do prémio e deixar muitas marcas contentes ou, pelo menos, consoladas.

O número de jurados em cada um dos 23 países varia em função de dois critérios principais: quantos automóveis se vendem e quantos se fabricam em cada país. Nesse contexto, Portugal tem dois jurados; os mercados chamados “Big Five” - Alemanha, Reino Unido, França, Espanha e Itália - têm seis cada.

A escolha dos candidatos e finalistas

Depois de a lista inicial de candidatos ser definida no final do verão, com base em critérios ligados a um mínimo de componentes novos em cada automóvel que chega ao mercado no ano a que o galardão diz respeito, cada jurado seleciona os seus sete finalistas.

A soma das sete escolhas individuais, multiplicada por 60 jornalistas, determina os sete automóveis que vão estar presentes na final. Essa final decide-se já no arranque do novo ano civil a que o prémio diz respeito.

Os sete finalistas pertencem sempre a segmentos de mercado diferentes e têm preços muito distintos, sendo votados com base em critérios como a relação preço/qualidade, a inovação tecnológica, as motorizações, o comportamento, a relevância para o consumidor e para o mercado, a segurança, o design e o espaço interior.

Os finalistas são avaliados em função das suas valências dentro da respetiva classe, e não porque o finalista A é melhor do que o finalista B. Até porque o primeiro pode ser um carro de 100 000 euros e o segundo um que custa cinco vezes menos.

Os sete finalistas de 2025

Por ordem alfabética, os sete magníficos foram o Alfa Romeo Junior, o Citroën C3, o CUPRA Terramar, o Dacia Duster, o Hyundai Inster, o Kia EV3 e o Renault 5.

Cinco deles têm carroçarias SUV ou crossover; também cinco são totalmente elétricos ou têm versões totalmente elétricas; dois são da Stellantis, dois do Grupo Renault, dois da Hyundai Motor Company e um do Grupo Volkswagen.

Os preços de entrada variam entre os 15 000 euros e os 45 000 euros, o que significa que estão no radar de compra da esmagadora maioria dos consumidores europeus.

Cada jurado dispõe de 25 pontos para distribuir por um mínimo de cinco finalistas (ou seja, só dois podem receber “0” pontos) e tem de escolher um carro mais votado entre todos ao qual não pode atribuir mais de 10 pontos, podendo depois igualar todos os restantes, se assim o entender. No final, cada jurado justifica publicamente (no website oficial do troféu) a razão das suas escolhas.

A classificação final

Já expliquei porque é que o Renault 5 venceu o COTY 2025, com 353 pontos, deixando o segundo classificado a 62 pontos de distância. Agora, deixo um resumo com a avaliação dos restantes seis finalistas.

O Alfa Romeo Junior (136 pontos) conquista pelo design exterior, agrada pelo comportamento competente e pelos dois tipos de motorização disponíveis (gasolina e elétrica).

Mas falha ao usar alguns materiais/acabamentos de qualidade pouco ou nada premium, por ter uma segunda fila de bancos pobre e um interior com vários elementos já vistos em muitos outros modelos da Stellantis com menos pedigree. Isso não ajudou a ir além do sétimo lugar.

O sexto posto não significa que o CUPRA Terramar (162 pontos) seja um mau carro - longe disso. Tem qualidade geral de bom nível, suspensão precisa e estilo sedutor, mas em termos mecânicos não se distingue de um Volkswagen Tiguan: partilha plataforma, motorizações e transmissões, sem novidades relevantes.

Visualmente e no conceito do habitáculo, pouco se afasta do Formentor e, dinamicamente, deveria melhorar a resposta dos travões nas versões híbridas plug-in. Por fim, apresenta uma gama de preços que parece “ambiciosa” para uma marca jovem, ainda a construir o seu valor.

O Dacia Duster (168 pontos) foi o quinto mais pontuado e isso, por si só, já é um prémio - pela primeira vez a marca romena chega à final do COTY. Foi valorizada a evolução importante no design exterior e a adoção de um motor híbrido, embora isso empurre o preço para fora da zona de conforto onde a Dacia habitualmente se posiciona.

Ao mesmo tempo, falta algum refinamento mecânico - conforto em maus pisos e sonoridade do motor na versão híbrida -, o que mancha as sensações de condução.

Não posso comentar a quarta posição do Hyundai Inster (172 pontos) porque, de forma pouco habitual, a marca sul-coreana não me deu oportunidade de o conduzir.

O mesmo aconteceu com vários colegas do painel de jurados de diferentes países, o que claramente puxou para baixo a classificação final de um carro que, no papel, tem atributos interessantes.

No último lugar do pódio, o Citroën C3 (215 pontos) foi a minha primeira escolha. Era o único finalista com mais do que uma carroçaria (cinco portas e Aircross, podendo transportar 5+2 pessoas) e era o que tinha o degrau de acesso mais baixo, a começar nos 15 000 euros (o que obrigou a opções técnicas mais simples, tanto na qualidade dos materiais como nos recursos de instrumentação e ecrã central, e na motorização elétrica).

Era também um de dois (Alfa Romeo Junior) com versões a gasolina e totalmente elétricas, um argumento relevante nesta fase em que o consumidor ainda não pode, não consegue ou não quer aderir à propulsão 100% elétrica. E é também o elétrico com capacidade para cinco ocupantes com o preço mais baixo (ou menos alto…) entre todos os que se vendem na Europa, especialmente quando chegar a versão de 20 mil euros.

No segundo lugar, o Kia EV3 (291 pontos) é valorizado pela autonomia muito dilatada para a classe (até 600 km), pelo amplo espaço interior e pela generosa bagageira, mas perdeu votos por custar sempre mais de 35 000 euros. Além disso, há aspetos dinâmicos a melhorar (direção e travagem).

Pode consultar a totalidade dos resultados e votações individuais do COTY 2025 em www.caroftheyear.org, incluindo as motivações de voto (e não voto) de cada um dos 60 jurados, país a país.

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