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JD.com acelera a compra da Ceconomy e entra na Fnac Darty com 22 %

Mulher com sacos de compras caminha em frente a loja de gadgets com montras iluminadas na cidade.

A JD.com, um dos maiores nomes do comércio electrónico na China, está actualmente a liderar a compra da Ceconomy, grupo alemão que detém 22 % do capital da Fnac Darty… um dossiê que o Governo acompanha com particular atenção.

Sólida número 2 do e-commerce chinês, apenas atrás da incontornável Alibaba, a JD.com quer também tirar partido do mercado europeu. Há pouco tempo, a empresa lançou a plataforma Joybuy para reforçar a sua presença no Velho Continente, mas está igualmente a avançar com uma operação paralela que pode garantir uma implantação bem mais duradoura.

JD.com avança com a aquisição da Ceconomy

De acordo com o meio especializado LSA Conso, a JD.com deu início à segunda fase do seu processo de aquisição da Ceconomy, líder europeu da distribuição de produtos high-tech. A concretizar-se, a operação colocará nas mãos do grupo chinês uma rede de dimensão considerável. Em sentido inverso, o grupo europeu poderá beneficiar do reconhecido know-how da JD.com, frequentemente elogiada pelo desempenho da sua actividade logística.

Este movimento teria ainda um efeito colateral relevante: permitiria à JD.com entrar no capital da Fnac Darty, já que a Ceconomy detém 22 % de partes na empresa francesa. E, tendo em conta o contexto actual, o tema levanta inevitavelmente questões sensíveis ligadas à soberania.

Um movimento estratégico que agita o retalho europeu

O retalho francês continua a sentir os efeitos do caso Shein. Recorde-se que veio a público que o gigante chinês - que abriu recentemente o seu primeiro espaço físico no BHV, em Paris - comercializava, na sua plataforma, bonecas com conteúdo de carácter pedopornográfico. Neste enquadramento, somado às dificuldades que várias insígnias históricas francesas têm enfrentado devido à concorrência e às actividades chinesas, diversos gigantes do luxo optaram por abandonar o BHV.

Fnac Darty, Bercy e o cenário de uma eventual OPA

Por isso, não surpreende que Bercy se tenha apropriado do tema: a JD.com poderá muito bem lançar uma oferta pública de aquisição sobre a Fnac Darty, que conta com cerca de 1 500 lojas distribuídas por treze países, assim que a compra da Ceconomy estiver concluída. Segundo a France Info, o Governo contactou directamente a empresa chinesa para perceber qual é, de facto, a sua intenção. As conversas prosseguiriam «na mais absoluta discrição».

Importa notar que, para já, a empresa não apresentou qualquer pedido oficial de investimento em França. Em 2025, o seu volume de negócios anual deverá ultrapassar os 183 mil milhões de dólares, colocando-a entre os actores mais prolíficos do comércio online mundial. A plataforma controla toda a cadeia, do início ao fim - compra, armazenamento e entrega - o que a posiciona como uma concorrente muito séria da Amazon.

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