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O Toyota GR Yaris ensina a conduzir. Até quem acha que já sabe tudo.

Carro desportivo branco Toyota GR-ENSA, visto de frente e lado direito em exposição indoor.

O Toyota GR Yaris ensina a conduzir. Até quem acha que já sabe tudo.

O Toyota GR Yaris já se tinha imposto como o desportivo compacto mais convincente do seu segmento. Com tração integral e um conjunto de motor, chassis e suspensões pensados de raiz para um objetivo muito claro, nasceu para ser o especial de homologação mais marcante desta década.

E a verdade é que esse propósito foi alcançado por completo. Há mérito próprio - e também algum demérito do lado de quem concorre, que não teve a ousadia (ou o orçamento…) para ir tão longe como a Gazoo Racing.

Com isto, seria fácil imaginar a Toyota a dar o trabalho por terminado: missão cumprida, próximo projeto. Só que não foi isso que aconteceu. A marca voltou a «meter mãos à obra» e afinou novamente o GR Yaris. Fui até à Finlândia para perceber, ao pormenor, o que mudou. Nem tudo foi para melhor:

Dos ralis para a estrada

Não foi a estreia da Razão Automóvel ao volante do Toyota GR Yaris 2024. Já o tínhamos experimentado em asfalto, no circuito espanhol de Jarama - e existe vídeo desse ensaio.

Este reencontro, porém, serviu para reforçar (e aprofundar) uma ideia que já trazíamos: quanto mais baixa é a aderência e quanto mais rápidas e encadeadas são as curvas, mais especial se torna a condução do GR Yaris. A forma como este pequeno foguete japonês encontra tração onde parece não existir chega a ser desconcertante.

Não surpreende que isso aconteça num modelo que nasce num departamento que «respira» competição. Ainda assim, nem tudo o que vem da pista cai bem na estrada - e a caixa automática é um exemplo. É mais rápida e mais eficiente, mas no uso real rouba parte do envolvimento e, por isso, diverte menos.

E se a diversão é uma prioridade, há um tema que não tem qualquer graça: pagar reparações. A Toyota pensou precisamente nisso ao dividir o para-choques do GR Yaris 2024 em três secções. Na prática, é um incentivo a cortar curvas pela berma e a aproveitar cada centímetro de asfalto (ou a ausência dele…) com menos peso na consciência.

Também a luz traseira que antes ficava junto ao coletor de escape foi reposicionada, porque em utilização extrema acabava por derreter. É este o nível de compromisso da Gazoo Racing… é mesmo para abusar do Yaris.

Na dianteira, os braços da suspensão foram igualmente reforçados. E, do lado do motor, os êmbolos receberam uma nova liga metálica e ficaram mais robustos, para lidarem melhor com a pressão do turbo (sobretudo quando há mexidas na eletrónica).

É uma máquina nova?

Não. É o mesmo conceito, mas mais polido. A suspensão foi revista para reagir melhor quando as exigências são mais severas; no restante, continua a ser o «bom e velho conhecido» Toyota GR Yaris - e isso é uma ótima notícia. Se não fosse esta obsessão japonesa pela perfeição, para mim o GR Yaris já estava praticamente perfeito.

Além disso, o sistema de tração integral foi ajustado na forma como reparte o binário entre os dois eixos - expliquei tudo no vídeo em destaque. No diferencial dianteiro, as engrenagens também foram reforçadas para reduzir o risco de quebra. Ainda assim, a Gazoo Racing garante que, para o conseguir partir, “é preciso muito empenho”.

E que “empenho” é esse? Pegarem num carro de série, instalarem-lhe um arco de segurança (roll bar) e irem competir num campeonato nacional ou regional de ralis. Foi exatamente isso que muitos proprietários do GR Yaris fizeram, mesmo conscientes do que estava em jogo.

O que está em causa?

Este tema já foi repetido vezes sem conta, mas um dia pode mesmo tornar-se realidade: é bem possível que este seja o último especial de homologação a nascer sem qualquer tipo de eletrificação. E isso diz muito sobre o seu potencial: tudo aponta para um futuro clássico. No fundo, já o é antes de o tempo o confirmar.

Basta olhar para os preços do GR Yaris no mercado de usados para perceber o fenómeno - vejam aqui se conseguem encontrar algum. E, tal como sucedia antes desta versão 2024, o cenário mais provável é a produção esgotar rapidamente (se é que ainda não esgotou…), o que ajuda a que o valor destes modelos não tenha grandes oscilações.

Portanto, o que está em causa é um futuro clássico que, felizmente, muitos não têm receio de usar como deve ser: seja em estradas de montanha, seja em troços de rali. E uma coisa mantém-se: quanto menor for a aderência, mais divertido é conduzir o GR Yaris 2024.

Só é pena continuar tão sério e concentrado na performance «pura e dura»; um modo de derrapagem (drift) assentava-lhe mesmo bem…

Quanto custa?

O Toyota GR Yaris já pode ser reservado e não é, de todo, uma proposta barata. Os valores começam nos 59 823 euros para a versão com caixa manual, enquanto a opção com caixa automática arranca nos 66 823 euros.

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