Já podem levar os miúdos à escola em modo 100% elétrico e com uma «roupagem» premium. Mas será que isso chega para o Volvo EX90 triunfar?
A Volvo mantém-se focada na transição para um futuro 100% elétrico (ainda que, recentemente, tenha afinado as metas previstas para o final da presente década). E depois dos EX40, EC40 e EX30, o «senhor que se segue» é o EX90.
Revelado no final de 2022, o EX90 deixou logo claro ao que vinha: a Volvo apresentou-o como o automóvel mais seguro que alguma vez produziu.
Agora, quase dois anos volvidos, o EX90 está finalmente pronto. Ficará à altura da expectativa? Fomos até à Califórnia, nos EUA, para o conduzir e perceber a resposta. Vejam o vídeo:
Não é grande, é gigante
O EX90, que passa automaticamente a ser o topo de gama 100% elétrico da Volvo, destaca-se logo pela aparência: linhas depuradas e uma abordagem minimalista.
Ainda assim, não abdica de traços que já fazem parte do ADN da marca sueca, como o «Martelo de Thor» na assinatura luminosa dianteira e os farolins verticais na traseira.
Há outro detalhe impossível de ignorar: as dimensões. O EX90 tem 5037mm de comprimento, 1964mm de largura e 1747mm de altura. Em comparação com o recém-apresentado XC90, este SUV elétrico é 84mm mais comprido e 41mm mais largo. Só na altura é que «perde», pois fica 20mm abaixo.
Mesmo com este porte, o EX90 anuncia um coeficiente aerodinâmico de 0,29 Cx. Para isso contribuem a frente fechada, os puxadores embutidos e, claro, os espelhos retrovisores laterais, com um desenho algo diferente do habitual.
Que caixa é aquela no topo do para-brisas?
Não, não é uma placa de táxi - podem ficar tranquilos. Trata-se de um radar LiDAR, desenvolvido em colaboração com a Luminar, que recorre à luz sob a forma de laser pulsado para efetuar medições de elevada precisão e fiabilidade.
Em termos práticos, este sistema consegue “ler” a estrada à frente com enorme rigor e identificar automóveis, peões, ciclistas e até objetos de pequenas dimensões, a distâncias de até 250 metros - faça chuva ou faça sol, seja de noite ou de dia.
E a tecnologia a bordo não se fica por aqui. Para lá do LiDAR, este Volvo inclui ainda mais cinco radares, oito câmaras e 16 sensores ultrassónicos, tudo de série em qualquer versão do modelo.
Em conjunto, estes elementos dão corpo ao que a Volvo chama de «Escudo Invisível». Quando combinado com um superprocessador fornecido pela NVIDIA (capaz de até 280 triliões de operações por segundo), o sistema consegue compreender, em tempo real, tudo o que se passa em redor do EX90.
Com este conjunto - falando apenas do equipamento - o Volvo EX90 já nasce preparado para receber condução autónoma de Nível 3.
Famílias, este elétrico é para vocês!
Por dentro, o EX90 promete espaço a pensar na vida familiar, sem abdicar do conforto e do requinte que se exigem a um topo de gama da marca sueca.
Em Portugal, todas as versões deste SUV são propostas com sete lugares, pelo que ir deixar os miúdos à escola ou fazer viagens de férias passa, claramente, a ser bem mais simples.
Na segunda fila, os bancos deslizam individualmente para a frente e para trás, rebatem com facilidade e oferecem um espaço muito generoso para pés, joelhos e cabeça.
Já os dois lugares da terceira fila (com rebatimento por acionamento elétrico) são mais limitados, como se antecipa. Tenho 1,83m e, sentado lá atrás, não fico com qualquer folga para a cabeça. Para crianças, jovens ou adultos até 1,70m, contudo, estes bancos cumprem.
E a bagageira, é usável?
Num SUV com capacidade para sete ocupantes, seria fácil assumir que a bagageira do EX90 pouco serviria. Mas, se foi isso que pensaram, estavam completamente enganados.
Mesmo com os sete lugares em utilização, a bagageira do EX90 fica nos 310 litros, existindo ainda, sob o piso, um compartimento adicional com 65 litros.
Ao dispensar a terceira fila, o volume cresce até aos 655 litros. E, com todos os bancos traseiros rebatidos, a capacidade ultrapassa os 1900 litros. Ora vejam:
Se, ainda assim, fizer falta mais espaço, há também arrumação na frente: sob o capô, o EX90 disponibiliza mais 34 litros, ideais para guardar os cabos de carregamento.
Interior tem dois problemas
Com um nível de construção sólido e uma seleção de materiais muito bem pensada - que transmite uma sensação clara de qualidade - o interior do Volvo EX90 está entre os melhores do segmento.
Os bancos são macios, mas sustentam bem o corpo. A posição de condução está muito próxima do ideal e há várias soluções de arrumação úteis: do compartimento profundo sob o apoio de braços à consola central com uma zona «alcatifada», que impede os objetos de deslizar.
Ainda assim, nem tudo é irrepreensível. E quando se pedem 100 000 euros por um automóvel, a fasquia do “perfeito” sobe.
O primeiro ponto prende-se com a quase inexistência de comandos físicos. A Volvo concentrou praticamente todas as operações no ecrã multimédia central: é ali, por exemplo, que se abre o porta-luvas e se ajusta a posição do volante ou dos espelhos retrovisores laterais.
Não considero que navegar por estas funções seja particularmente difícil - não é. Mas exige hábito e, sobretudo, faz com que se desvie o olhar da estrada.
Aliás, esta era uma crítica frequente ao EX30 (sim, também podemos trazer os modelos da Tesla para esta conversa…). E, tal como no EX30, a Volvo voltou a colocar apenas um par de botões físicos para os vidros: para alternar entre os da frente e os das portas traseiras, é necessário premir um botão de seleção.
Consigo aceitar esta opção num modelo como o EX30. Num EX90, que assume o lugar de topo de gama, parece-me difícil de justificar.
O segundo problema no habitáculo do EX90 está ligado ao tejadilho panorâmico, que é de série a partir do nível de equipamento Plus. É mesmo assim: trata-se de uma área enorme de vidro que inunda o interior de luz e reforça a sensação de espaço. Só que não tem cortina.
A Volvo garante que é um vidro laminado escurecido, com proteção eficiente contra o brilho e a radiação UV. Mesmo assim, neste primeiro contacto na Califórnia, com temperaturas a meio do dia perto dos 30 graus, percebe-se que o interior aquece. Em pleno verão em Portugal, com vários dias acima dos 40º, isto tenderá a ser ainda mais evidente.
O Volvo mais seguro de sempre e não só…
Mal me sentei ao volante do EX90, bastaram poucos quilómetros para concluir que, para lá de ser o Volvo mais seguro de sempre, poderá também ser o mais confortável e requintado alguma vez feito pela marca.
Convém sublinhar que a unidade conduzida tinha suspensão pneumática adaptativa, um opcional de 2768 euros que, na minha opinião, é praticamente obrigatório.
Esta suspensão pneumática, com dupla câmara autonivelante nas quatro rodas, faz a diferença no conforto de rolamento: cada amortecedor ajusta-se de forma imediata ao piso. Ao mesmo tempo, melhora a estabilidade a ritmos mais elevados, como em autoestrada, ao baixar automaticamente a altura ao solo.
A isto junta-se um isolamento acústico de nível muito elevado, decisivo para o bem-estar a bordo. Mesmo a velocidades típicas de autoestrada, por volta dos 120 km/h, não se notam ruídos aerodinâmicos no interior.
E o peso?
Na versão ensaiada (Twin Motor Performance), o Volvo EX90 ultrapassa os 2800 kg e esse valor faz-se sentir ao volante, sobretudo quando se tenta explorar um lado mais dinâmico.
É verdade que, com a suspensão no modo mais firme, a carroçaria fica melhor controlada e o EX90 parece mais “arrumado”. Ainda assim, percebe-se que não é aí que ele se sente no seu elemento.
Depois de alguns centenas de quilómetros, a ideia com que fico é clara: no desenvolvimento do chassis e da suspensão do EX90, a prioridade dos engenheiros foi conforto, refinamento e qualidade de rolamento. E, nesse capítulo, tenho de o dizer: não há absolutamente nada a criticar. O EX90 é muito bom.
E, honestamente, faz sentido que assim seja. Talvez caiba ao Polestar 3 (que usa a mesma plataforma do EX90) assumir um posicionamento mais desportivo. O EX90 tem outros objetivos.
Três motorizações à escolha
O Volvo EX90 pode ser escolhido com três motorizações: Single Motor, Twin Motor e Twin Motor Performance.
A opção de entrada, com tração traseira, utiliza um motor elétrico (montado atrás) com 205 kW (279 cv) e 490 Nm de binário máximo. Esta versão vem com uma bateria de 101 kWh de capacidade útil e anuncia até 580 quilómetros de autonomia em ciclo combinado WLTP.
O patamar intermédio é assegurado pelo Twin Motor, com dois motores elétricos (um por eixo, garantindo tração integral) que, em conjunto, debitam 300 kW (408 cv) e 770 Nm. Aqui, a bateria cresce para 107 kWh de capacidade útil, permitindo uma autonomia combinada WLTP até 614 quilómetros.
É exatamente essa autonomia máxima que é anunciada para a variante mais potente, a Twin Motor Performance - e foi a única disponível para condução nesta apresentação. Mantém dois motores elétricos (um por eixo, com tração integral), mas sobe para 380 kW (517 cv) e 910 Nm.
Com estes valores, o Volvo EX90 Twin Motor Performance faz 0 aos 100 km/h em 4,9s: um resultado muito competente para um SUV com 2811 kg. A velocidade máxima está limitada a 200 km/h nesta versão e a 180 km/h nas outras duas.
E os consumos?
Quando se fala em autonomia, inevitavelmente fala-se em consumos. Só um teste prolongado, quando o EX90 chegar a Portugal, permitirá conclusões definitivas. Ainda assim, neste primeiro contacto, com um percurso misto de autoestradas e estradas secundárias, o consumo andou quase sempre na casa dos 20 kWh/100 km.
Considerando que não fui particularmente cuidadoso com a eficiência e que utilizei sempre o ar condicionado, parece-me um valor interessante para uma primeira impressão.
Apesar de não recorrer a arquitetura elétrica de 800V (falei com uma das responsáveis pelo projeto, que me disse que os «normais» 400V eram suficientes para os atributos do EX90), o novo SUV elétrico da Volvo aceita carregamentos até 250 kW em corrente contínua (DC). Em corrente alternada (AC), tal como sucede, por exemplo, com o Mercedes-Benz EQS SUV, fica-se pelos 11 kW.
Quanto custa?
A Volvo já abriu as encomendas do EX90 e as primeiras unidades deverão chegar a Portugal ainda este ano.
Os valores começam nos 88 203 euros, para o Single Motor com nível de equipamento Core. Para esta motorização, a Volvo criou também uma nova versão fiscal destinada a pequenas e médias empresas e ENI’s, com preço desde 62 500 euros (sem IVA), para permitir a dedução total do IVA e a isenção de tributação autónoma.
A opção Twin Motor, com o mesmo nível de equipamento, arranca nos 94 168 euros. No topo surge o Twin Motor Performance: começa nos 99 273 euros, mas sobe aos 121 241 euros com os opcionais presentes na unidade que conduzimos.
Se a referência for o equivalente a combustão, o novo Volvo XC90 (disponível apenas como híbrido plug-in), o EX90 acaba por apresentar preços muito próximos, sendo que a versão Single Motor até leva uma vantagem superior a 8500 euros.
Onde fica a concorrência?
Ao olhar para os rivais - e sendo certo que um SUV elétrico de 7 lugares não tem uma concorrência muito ampla - percebe-se que o EX90 também fica relativamente bem colocado.
O Kia EV9 AWD GT-Line, por exemplo, com 283 kW (385 cv) e bateria de 99,8 kWh de capacidade (bruta), capaz de até 505 km de autonomia combinada (WLTP), está à venda a partir de 89 900 euros.
Do lado da Tesla, o Model X Dual Motor com 7 lugares, 493 kW (670 cv) e bateria de 100 KWh úteis, com autonomia máxima combinada (WLTP) de até 576 km, começa nos 107 275 euros.
Por fim, o Mercedes-Benz EQS SUV, na versão 450+ (com 265 kW ou 360 cv), com sete lugares, tem preços desde 130 300 euros. Nesta configuração, anuncia até 687 km de autonomia combinada (WLTP), graças a uma bateria de 118 kWh úteis.
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